domingo, 27 de fevereiro de 2005

Viva o Papa!



Só Deus sabe quanto tempo mais vai viver o Papa, se dias ou anos.
Mas acredito que este é o melhor testemunho que ele nos pode dar neste momento, ao aceitar as dificuldades até ao fim, e assim valorizar o contributo que qualquer pessoa tem a dar, ainda que velha, ainda que com pouca saúde.
E enquanto que os media se entretêm a discutir se ele devia ou não resignar, há que lembrar que não se trata aqui de um poder meramente temporal, mas muito mais de uma liderança espiritual. E essa capacidade não se deteriora com a saúde, pode até tornar-se mais forte. Como nas palavras de São Paulo: Prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Alegro-me nas minhas fraquezas, (...) pois quando me sinto fraco, então é que sou forte. (2 Cor 12, 9)
E é com atenção que vou seguindo as notícias sobre a saúde do Papa, que sempre me fez aproximar mais de Cristo quando com ele me encontrei: 3 vezes em Fátima, 2 em Roma, uma em Toronto e a última em Madrid.

sábado, 26 de fevereiro de 2005

Latinos

Ontem houve mais uma festa latina, desta vez na Faculdade. De novo se juntou o "grupo de Paris", e mais alguns colombianos (são uma comunidade muito unida aqui), ao som da salsa e merengue. Estive ainda à conversa com o Rodrigo, um chileno de Santiago.
Claro que neste ano estou a melhorar o meu inglês, mas sem dúvida que estou a falar muito mais em espanhol. Com o Eduardo e o Roberto só raramente falo em inglês. Todas as manhãs, quando desço para o pequeno-almoço às 9h16 (ou seja, 1 minuto depois do limite), a primeira voz que oiço é a da Beatriz, a colombiana que trabalha na cantina de Passfield: "bueno dias, Tiago, despertó tarde de nuevo... dos tostaditas y un croissant?" No fim da missa das quartas-feiras na LSE, junto-me sempre à conversa dos colombianos; e ao domingo vou à missa em espanhol da capelania latino-americana de Londres, na igreja de St. Patrick.
É muito engraçado ver como eles partilham uma cultura comum: conhecem os mesmos cantores, cresceram com os mesmos programas de televisão. E nenhum se recusa a dançar, a alegria é algo que lhes corre nas veias!
Em termos espirituais, a América Latina é hoje o maior bastião da fé católica. Quando o Artur esteve em Santiago do Chile, viu no santuário de Schöenstatt um mapa dos países para onde eles partiam em missões de evangelização, e um deles era Portugal! Além de que são povos que, embora talvez um pouco mais propensos ao sexo (será do calor?), são depois mais responsáveis em relação às suas consequências (leia-se: mais contrários ao aborto).
Bem, não se trata aqui de uma comparação entre europeus e latinos... Queria apenas dizer que me sinto muito à vontade com os novos amigos latinos que aqui fiz, e que espero poder em breve fazer uma viagem até aquelas paragens!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Um pulinho a casa

Este fim-de-semana fui a Portugal votar. Cumpri o meu dever, e por isso estou satisfeito.
Mas claro que não fiquei satisfeito com a maioria absoluta do PS. Nem com a subida do Bloco, que agora vai bombardear ainda mais com as suas "medidas fracturantes". Mas a verdade é que também não estava contente com o Santana Lopes. Votei CDS/PP, pela confiança que tenho em alguns dos seus políticos e pela identificação com os valores morais que defende.
O fim-de-semana valeu pela visita a casa, por reencontrar a família e alguns amigos, por ter conduzido o carro novo dos meus pais (sempre sonhei ter um velocímetro digital!), pela francesinha que comi no Porto, por ter encontrado o André (irmão do Miguel) ontem no avião.
De volta a Londres, fui recebido pela neve a cair, fenómeno que ainda admiro como uma criança. A primeira vez que vi nevar foi apenas há um ano, na Serra da Estrela, por isso acho o máximo a possibilidade de viver numa cidade onde neva!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

Festa do Queijo e do Vinho


Fica sempre bem numa viagem um bom momento de confraternização à volta da mesa. E quando os preços dos restaurantes não são convidativos, nada como levar a festa para casa!
Assim, comprámos no supermercado três tipos de queijo e vinho Bordeaux, e fez-se um belo serão, entre piadas e conversas mais sérias.
Um semelhante está marcado para Londres, para trocarmos fotografias.


Debaixo da Torre Eiffel

O grupo


Em todas as viagens, a maior parte do sucesso reside no grupo com que se vai. Pode-se estar muito aborrecido num lugar paradisíaco porque o grupo é mau, ou estar num lugar manhoso e divertirmo-nos à grande. Porque estar (quase) 24 horas por dia juntos, conjugando ritmos e interesses que podem não ser os mesmos, nem sempre é fácil. Mas neste caso, em Paris, tudo correu bem!
Não era, à partida, um grupo previsível, mas confesso que me sinto muito à vontade no meio de latino-americanos. Bem mais do que estaria com muitos europeus, certamente. E teve muita graça passar um fim-de-semana inteiro a falar espanhol, assim vou daqui com mais fluência em duas línguas!
Sobre o Eduardo pouco posso acrescentar: é o meu melhor amigo aqui, temos muitos pontos em comum e também já sabe (com algum sacrifício) aturar as minhas neuras. Sobre o Roberto (à direita), o guatemalteco da residência, posso dizer que ficámos mais próximos; falámos um bocado sobre os seus planos, o casamento que o espera quando acabar o Master.
Aos colombianos Juan Filipe e Catalina só conhecia da última festa colombiana e também da missa das quartas-feiras na LSE. Ele é colega do Roberto, no Master em Accounting and Finance; como tinha vivido 2 meses em Paris, foi o nosso guia, e eu confiei plenamente nas suas escolhas (os que já viajaram comigo sabem o que isso significa de abnegação da minha parte!). Ela é amiga dele, e está também a fazer um Master na área financeira, mas noutra Faculdade. Sempre a bom ritmo, sem se queixar, metendo conversa com todos.
A menina que está à frente é a Daniela, prima da Catalina. Foi aparecendo de vez em quando, com algumas amigas, que eram como a high society colombiana a fazer um curso de francês na Sorbonne. Também isto foi divertido.

Paris


Paris é realmente o máximo!
Foram 4 dias muito intensos, mas acho que conseguimos ver tudo o que há de mais importante na cidade: Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre-Dame, Invalides, Hotel de Ville, Sacre-Coeur, Monmartre, Moulin Rouge, Pompidou, Opera, Pantheon, Jardin du Luxembour. Visitámos o Louvre e o Museu de Orsay; claro que gostei muito de ver a Mona Lisa, ou de tirar uma fotografia com a Vénus de Milo (a tal que começou por roer as unhas...) no primeiro, mas gostei muito mais da colecção de impressionismo (Van Gogh, Monet...) do segundo.
O momento mais difícil foi, claro está, subir aos 300 metros da Torre Eiffel. No primeiro elevador, até ao segundo piso, deu-me um ataque de pânico; depois de acalmar, insisti em subir no segundo elevador até ao topo, mas fui de olhos fechados e a Catalina (colombiana) teve de me dar a mão. Lá em cima, não foi tão terrível, porque era um espaço fechado. E aqui fica a fotografia (com a distância da Torre até Lisboa), para comprovar o momento.
O tempo não ajudou muito: choveu bastante, fez frio e vento quase sempre. Mas tivemos direito a um bocadinho de neve no domingo!Comemos muitos crepes (com Nutela!!) e alguns kebabs.
No sábado à noite fizemos a "festa do queijo e do vinho" no nosso quarto do hotel, muito divertido!
O grupo portou-se à altura: sempre ao mesmo ritmo, sem se queixar muito do cansaço (acreditem que andámos mesmo muito a pé), sem gastar muito dinheiro, como se quer. Foi muito bom poder fazer esta viagem com o Eduardo e o Roberto, e também conhecer a Catalina e o Juan, dois colombianos bem simpáticos.
E agora, voltar ao trabalho...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

A caminho de Paris!


Pois é, meus amigos: quando lerem esta crónica estarei em Paris!
Vou na sexta de madrugada, no Eurostar, o comboio que demora 2 horas e meia de Londres a Paris, e volto na segunda à noite.
Vou com o Eduardo, o Roberto (Guatemala), um colombiano e uma colombiana.
Conhecer a "cidade das luzes" é um sonho antigo (ao contrário do Luís da canção, eu nunca fui a Paris), e estou cheio de vontade!
E como sinal de que estou a ficar mais descontraído, não fiz nenhum plano para a visita.

Hoje à noite tive dois simpáticos eventos sociais (há muito que não os havia...).
Primeiro, um jantar de turma, o primeiro!, em casa de uma colega, a poucos quarteirões daqui; foi a oportunidade de conversar um bocadinho mais com algumas pessoas, já que durante a semana a turma está sempre muito dispersa por aulas diferentes.
Depois, aqui em Passfield foi noite de Karaoke!! E claro que eu não podia deixar de participar... Fui cantar o "Deixa-me Rir" do Jorge Palma (sim, aqui!) e o "One" dos U2.
E agora fazer a mala e cama, que tenho de me levantar às 4 da manhã...
Bom fim-de-semana!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

Expectativas

Sempre vivi um bocado sob o fantasma das expectativas. Dizem-me que é um problema comum, mas eu acho sinceramente que, quanto a isto, sou um pouco mais exagerado do que a média.
Desde a mais tenra juventude que me acostumei a pensar demasiado nas pessoas que me rodeiam, dando valor às boas relações que, graças a Deus, sempre tive, mas ao mesmo tempo fazendo demasiados juízos sobre o que pode faltar nessas mesmas relações. E isso torna-me demasiado planeado, pouco espontâneo. Sempre tive "níveis ideais de conhecimento" a desenvolver com cada um, qualquer coisa tão irrealista como os programas de governo que os partidos agora propõem. Às vezes a roçar o ridículo, como uma vez em que, no auge da adolescência, fui para férias (na saudosa Vermelha!) com um papelinho cheio de perguntas pessoais que queria fazer aos meus amigos.
Hoje sou um pouco mais descontraído, mas ainda não resisto a prever tudo e mais alguma coisa. Como vai ser bom fazer aquela viagem (por ex, Paris daqui a 4 dias!), como vai ser bom ter aquela visita aqui em Londres, como vai ser bom ir de férias... Outras vezes, ocupo a cabeça a sofrer por antecipação cenários que podem nem vir a acontecer, ou que não são tão maus como eu os pinto.
Depois, quando as coisas estão a acontecer em directo, é altura de confrontar a realidade com o cenário previsto. "Pensava que me ia dar tão bem com X e afinal..." Quase sempre há qualquer coisa que falha, mas às vezes também acontece o contrário. Por exemplo, quando vim para cá não esperava fazer tão rapidamente amizades, nem amizades tão fortes, mas desta vez tive uma boa surpresa!
Não consigo descobrir a razão que me leva a ser tão complicado, mas a sério que gostava de me libertar desta pressão. Descomplicar. Para meu bem e bem daqueles que têm de me aturar. E também acho que me devia concentrar em corresponder às expectativas (legítimas) que algumas pessoas possam ter acerca de mim.
Agora que o ano vai quase a meio, começam a surgir as expectativas sobre o que virá a seguir. Onde vou trabalhar quando voltar para Portugal? Devo voltar logo, ou aproveitar mais algum tempo cá para recuperar o investimento? Onde vai aparecer a pessoa com quem vou partilhar a vida? Com que idade vou casar? Como vou manter estas amizades intercontinentais?
Devia viver um dia de cada vez, mas não consigo...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Crónica de Montes Claros


Quero partilhar convosco um relato que a Rita nos mandou do Brasil. Lembro com saudade o Verão de 2003, em que conheci bem o bairro do Menino Jesus, sem dúvida o sítio mais duro onde já estive. Num pensamento mais imediato, pensei até que ponto não seria mais útil estar lá do que aqui. Quem sabe se isso não acontecerá um dia... Por agora, resta-me agradecer o testemunho destes amigos e lembrar que nas pessoas e situações que nos são mais próximas também há muito a fazer.

Montes Claros, 27 de Janeiro de 2005

Uma manhã que de maneira alguma me pode deixar indiferente. Uma manhã que me veio mostrar um outro Brasil, longínquo daquele Brasil caloroso, feliz e alegre a que já me estava a habituar.
Fome? Não me pareceu que a fome fosse o maior problema no Bairro do Menino Jesus. Entre o feijão e o arroz, as pessoas parecem conseguir sobreviver. E por muito que me custe fazer a pergunta, o pensamento não deixa de me vir à cabeça: "Sobreviver para quê?"
Miséria? Muita. Miséria humana. Falta de higiene. Falta de...
Nem sei bem o que falta... Falta tanto.

O que falta a uma mãe que não sabe dizer a idade da filha de 3 meses? Que nos responde "Meu marido é que sabe quando a menina nasceu". A menina, Maria Eduarda, vestia umas cuecas e uma T-Shirt que tentavam esconder as nódoas negras nas suas costas, e o rabo todo assado, enquanto os seus irmãos, de 3 e 4 anos, cheios de arranhões nas costas, que mais pareciam sinais de violência doméstica, brincavam nus pela rua.

O que falta a uma mulher que teve um desastre há 7 anos, andou 2 de cadeira de rodas e outros 2 de muletas, até que quando voltou a andar, começou a ter problemas de memória? Uma mulher que tem de tomar 14 comprimidos por dia, só que não os toma porque a fazem engordar, e em vez disso dava-os ao cão, que entretanto morreu?... Uma mulher que se agarra a nós, com os olhos a brilhar, ávida de atenção, e nos mostra desesperadamente as fotografias das suas filhas que estão sob a caução da avó, por ela ter sido considerada pelo tribunal incapaz de tomar conta da casa e das meninas?

O que falta a uma mulher cujo marido se suicidou há muito tempo (5 meses, viemos depois a descobrir), que vive em 10 m2, com quatro filhos semi-nus, dois dos quais dormem no chão? Faltará uma casa em condições, já que os 10 m2 são irrespiráveis, e mais parecem uma pocilga, ou faltará alguém que lhe ensine a tomar conta da casa? Faltará um estendal no jardim para ela pendurar a roupa encharcada que atira para dentro de casa para evitar que a roubem, ou faltará a esta mulher deixar de ter medo dos assaltos? Entre tantas outras coisas, falta-lhe tempo. Tempo para chorar, como dizia a Zézinha.

O que falta ao William, um rapazinho de 14 anos, deficiente, que fomos encontrar a gatinhar à porta de casa, nu, cheio de bosta de cavalo pelas pernas?... Ou à D. Eurides, sua Avó, cujo filho (pai de William) foi assassinado porque a mulher roubou uma coisa para comer que custava 3 reais? Mulher essa que depois se suicidou. O que falta a esta gente que faz com que a vida de duas pessoas valha 3 reais?

A mim, falta-me saber onde posso intervir. Se posso intervir. Onde posso ajudar. Onde posso e devo estar. O que devo fazer. Falta-me saber para que é que fui chamada. Aprender como controlar as minhas lagrimas, pelo menos quando estou com estas pessoas. Falta-me, depois de manhãs como estas, compreensão para com todos os que permitimos que no século XXI haja tanta miséria e tanta tristeza. Desde as pessoas que vivem aqui, no meio desta pobreza, e assistem a tudo isto, e por razões que desconhecemos se mantêm quietas e fecham os olhos; a todos nós, privilegiados que preferimos virar a cara e ignorar, desculpando-nos que não conseguimos mudar o mundo inteiro.

Rita Lancastre


PS: Hoje, aqui na Trafalgar Square, houve uma grande manifestação, em nome da campanha "Make Poverty History". Nelson Mandela discursou perante a multidão que encheu a praça (eu incluído!), pedindo aos líderes do G7 que não olhem para o lado e façam de uma vez por todas aquilo que está perfeitamente ao seu alcance, no combate à pobreza mundial. Tony Blair já disse que não vai deixar passar o tema, vamos ver até onde se vai avançar.
Menino Jesus

Estados de alma

A vida é mesmo assim, com altos e baixos. E eu não sou diferente, claro. Apesar de ter fama de bem disposto e de nunca me chatear com ninguém, também tenho direito a algumas fases mais introvertidas.
Depois de um primeiro período cheio de novidades, agora é tempo de rotina e de trabalho. Claro que os amigos daqui se mantêm, mas todos estamos agora mais ocupados e guardamos o convívio mais para a mesa de jantar e para o fim-de-semana. Por outro lado, tenho estado um bocado preguiçoso nos contactos com Portugal, não por não ter saudades, apenas por acomodação. Fico muito contente quando recebo uma mensagem ou mail, mas não tenho tomado a iniciativa... mea culpa!
Além disto, nalgumas aulas sinto-me um bocado perdido. Sempre fui bom aluno, graças a Deus, mas aqui, por muito que leia, sinto sempre que sou o "elo mais fraco" da turma. Quero dizer, acho que quando chegar a altura dos exames me vou sair razoavelmente bem, mas nunca sei como participar nas aulas... e não é por causa da língua, talvez alguma timidez, mas sobretudo falta de conhecimentos (o que é natural, para quem nunca estudou isto antes).
Bem, estava eu neste muro de lamentações, quando recebi uma mensagem do Zé Maria, a queixar-se da minha falta de notícias. Respondi prontamente, contente por ele se ter lembrado. Depois fui ver os mails e tinha um mail da Rita, que está em Montes Claros; além do testemunho que aqui transcrevi, deu-me a notícia que um dos rapazes de lá, com quem nos dávamos muito bem, passou finalmente no exame de acesso à universidade. Claro que fiquei muito feliz com isso, e foi também para mim um estímulo para estudar com mais ânimo (se eu nem sequer tenho as dificuldades que o "Pipoca" teve, só tenho é que andar para a frente!). Depois, em conversa com o Pedro sobre o peso da rotina, ele encorajou-me (sabiamente) a procurar em Cristo a novidade em cada dia; resultado: fui à missa antes de jantar!
Em suma, como já muitos amigos me disseram, não tenho razões nenhumas para complicar a vida, inventar dramas onde não existem. E agora, que começo uma maratona noturna para acabar duas apresentações que vou fazer amanhã, sinto-me muito mais motivado!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Computadores

Não é novidade, antes um sinal dos tempos, a crescente importância dos computadores em tudo. Mas nunca como aqui o senti com tanta força.
Na residência, 90% das pessoas têm um portátil. A rapidez da ligação de internet no quarto permite trocar uns 50MBs por minuto, por isso vamos trocando entre nós músicas e fotografias. Apesar de todos os quartos terem telefone e de não pagarmos nada para falar de quarto para quarto, é mais frequente conversarmos no MSN (mas melhor ainda é falar ao vivo, claro!). E para falar para Portugal, uso sempre o Skype, o que me permite não gastar quase nada em comunicações.
Na faculdade, para além dos 1000 (!!!) computadores que temos à nossa disposição, há zonas próprias para ligar o portátil, que estão sempre cheias. Os Power Points das aulas, bem como grande parte das leituras recomendadas, estão online, e para preparar qualquer trabalho ou apresentação não dispenso o meu amigo Google. Toda a comunicação com professores ou serviços administrativos, bem como a divulgação de eventos académicos, é feita por mail.
Começo cada dia com a leitura do Público e do DN, e vou-me actualizando no Diário Digital. Para mandar msgs para Portugal, uso o MyTMN, MyVodafone ou Universia. Leio os blogues da Mafalda (brilhonosolhos.blogspot.com), do Luís (geraldosempavor.blogspot.com) e do Diogo (umageracaoasdireitas.blogspot.com). Sigo o futebol na TVI, ou na TSF, ou no maisfutebol.iol.pt. Vejo a previsão do tempo em weather.com ou no site da BBC. Compro os bilhetes de avião online. Vejo os movimentos do banco e faço transferências. Tudo é rápido e fácil, o que é óptimo. E como se não bastasse, há agora a moda do hi5, uma espécie de base de dados de amigos online, e todos os dias vou acrescentando uns cinco à lista; é uma coisa totalmente inútil, mas confesso que lhe acho uma certa graça.
Mas houve um fim-de-semana em que a ligação da internet foi abaixo, nem sei se chegou a 24 horas. E todos andávamos desesperados... enfim...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

Campanha eleitoral

Para todos os que acham que só tem tempo para escrever blogs quem não tem mais nada que fazer, mando-vos aqui uma lista de pessoas que se incluem, tal como eu, nesse lote de indolentes:

http://pauloportas.blogs.sapo.pt
http://pedrosantanalopes.blogs.sapo.pt
http://josesocrates.blogs.sapo.pt
http://jeronimodesousa.blogs.sapo.pt

Nota: a ordem dos factores não é arbitrária...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Paciência...

Jogámos melhor mas perdemos. É assim a vida... Ao menos amanhã não vou ter de encarar nenhum benfiquista! :)

Globalização

Domingo passado, depois de participar na missa em espanhol, fui ver o Gil Vicente-Sporting ao núcleo sportinguista de Londres. Um belo jogo, acompanhado por um razoável cozido à portuguesa.
Ontem à noite telefonei para o Brasil. Telefonei, quero dizer, usei o Skype, um programa que permite falar através do computador. E assim, por apenas 4 cêntimos por minuto, pude falar, primeiro com a Rita Lancastre (que está com a Zezinha e o Jorge, em nome do MSV, a fazer um projecto de 1 ano em Montes Claros) e depois com os nossos vizinhos lá do bairro de Santa Rafaela. O som perfeito, como se estivessem aqui ao pé. E foi óptimo para matar saudades do excelente Verão de 2003.
Neste preciso momento estou no quarto a assistir ao Benfica-Sporting (2-2 à meia hora, isto promete!). Mas como, se a única estação com emissão online é a TVI e o jogo está a ser transmitido pela RTP? Eu explico: a minha irmã apontou a webcam para a televisão, e depois ligámo-nos pelo MSN.Com tudo isto, não dá para sentir a distância... Força, Sporting!

domingo, 23 de janeiro de 2005

Comi uma Gorila!


Como passar um sábado feliz em Londres?
Dormir até às 10 horas. Tomar duche e descer para o "brunch". Ler os cabeçalhos do Expresso. Sair para um passeio com o Eduardo, pela Oxford Street fora, entrando em algumas lojas para ver os saldos. Continuar junto ao Hyde Park, na conversa. Atravessar o mercado de Notting Hill, onde se vendem antiguidades, fruta e bugigangas várias, e aos sábados está cheio de gente. Ir até ao supermercado Lisboa, igual a qualquer mercearia de bairro em Portugal, comprar chouriço, Casal Garcia e uma PASTILHA GORILA de banana! Voltar para a residência e jantar. Ouvir o relato do Benfica a perder. Falar ao telefone com a família. Dar um passeio higiénico a pé pelo frio de Londres, com o Ibrahim que nunca esgota a conversa. Terminar o serão à conversa com o Eduardo sobre as nossas infâncias.

sábado, 15 de janeiro de 2005

De volta à rotina

Se não tenho escrito mais é porque não têm acontecido muitos factos dignos de registo, nem tenho tido estados de alma especialmente oscilantes.
Na primeira semana estive "fechado" para acabar os 2 trabalhos que me faltavam. A apresentação oral sobre globalização correu muito bem, sinto que já sou capaz de improvisar bastante, o que é bom sinal. O outro trabalho era um texto sobre o futuro da segurança social, que é sempre imprevisível saber como será avaliado.
Este trimestre só tenho aulas às quintas e sextas. Quinta à tarde, Social Rights and Human Welfare; sexta de manhã, Social Policy - Organisation and Innovation; sexta à tarde, Social Exclusion, Inequality and the Underclass Debate. O resto dos dias passo na biblioteca, entre as 10 e as 18 horas, a tentar ler e preparar trabalhos.
Nos primeiros dias todos os alunos receberam um mail a pedir que respondêssemos a dizer se já estávamos de volta, isto por causa do tsunami e da eventualidade de alguém ter por lá morrido. E por todo o lado há mealheiros a recolher dinheiro para ajudar as vítimas.
No fim-de-semana passado fui dar uma volta aos saldos da Oxford Street. No domingo joguei pela equipa da residência mas foi uma vergonha, perdemos 10-0. Há que dizer que somos uma cambada de coxos, alguns até nunca tinham jogado futebol na vida!
E assim vai a vida por aqui...

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

Ano novo, vida nova

Cá estou eu de volta, depois de um excelente mês de férias!
Muito haveria a contar... A surpresa que fiz à chegada, quando todos me esperavam só uns dias mais tarde. O jantar de Natal do MSV. A visita do Eduardo. O Natal em casa da Tia Mila. Os Taizés alemães em minha casa. O fim de ano na Ericeira. A viagem ao Minho e Galiza. E o Sporting-Benfica!
Foi óptimo rever os amigos, não com tanta calma como gostaria, mas o tempo nunca dá para tudo. É bom ver como o essencial não muda, e como há pequenos momentos que são sempre especiais: um almoço em casa do Vasco, um lanche em casa da Joana, um passeio a pé por Lisboa com o Artur ou um jantar com o grupo de Montes Claros. E o sempre hiperglicémico jantar de Natal da Ana Sofia, claro está!
A oportunidade de ter em minha casa o Eduardo por 16 dias foi excelente. Depois de lhe mostrar e de o integrar no "meu mundo", sem dúvida que ficámos muito mais amigos. E ensinou-me também a valorizar mais aquilo que tenho, como por exemplo ser mais atento e paciente em casa. E foi com alegria que o vi entusiasmar-se com as francesinhas, conversar com as minhas sobrinhas, abraçar os meus amigos ou gritar pelo Sporting ainda mais do que eu!
O único senão deste mês foi o fim do namoro com a Francisca, mas há que saber dar valor aos 7 meses que estivemos juntos e andar para a frente!
Agora tenho o firme propósito de me dedicar mais aos estudos, e para começar tenho 2 trabalhos para entregar esta sexta-feira. Mas a preguiça é mais que muita...
E como nas férias me apercebi que este blogue tinha mais curiosos do que aquilo que eu supunha, não posso ter melhor incentivo para escrever sempre mais e melhor!
E que 2005 seja para todos nós um óptimo ano!

domingo, 5 de dezembro de 2004

Amigos



Últimos dias aqui por Londres antes das férias. Último esforço para acabar de escrever os trabalhos.
Felizmente há ocasiões para descontrair! Há dois dias tivemos o jantar de Natal aqui na residência, muito animado... Hoje um serão muito divertido numa das cozinhas.
Estas são as caras dos amigos que mais me acompanham aqui na residência.
Em cima, Eduardo, Roberto e Vitaliy; em baixo, Ibrahim, Leopoldo e Carlos. Respectivamente, Chile, Guatemala, Ucrânia, Turquia, Brasil e Peru.
Com eles partilho a mesa do pequeno-almoço e do jantar. Com eles partilho os serões de fim-de-semana, seja num dos quartos, na cozinha ou no pub The Court.
Juntos, rimos e brindamos, mas também falamos sobre as nossas vidas de uma forma séria quando é preciso (vocês sabem como eu gosto de puxar por uma boa conversa mais pessoal...).
Sempre achei que este ano ia ser óptimo, por a cidade ser tão especial para mim e o curso tão interessante. Mas não esperava (por casmurrice, ou medo do curto prazo) criar amizades tão facilmente. Não esperava seguir avidamente as notícias da Ucrânia, a torcer pelo triunfo da democracia. Não esperava ter uma aula prática de como reza um muçulmano (sim, com o tapete e a cabeça no chão). Não esperava ter um amigo a passar o Natal connosco.
Graças a Deus, a vida dá-nos sempre mais do que esperamos!
Não consigo deixar de pensar no curto prazo (sou do género de pensar, antes de um concerto começar, na pena que vou ter quando tiver acabado), nos caminhos diferentes que cada um de nós inevitavelmente vai traçar quando este ano acabar, mas neste momento isso não importa. Nestes meses, temos um mundo só nosso (Passfield Hall). E o futuro a Deus pertence...

terça-feira, 30 de novembro de 2004

Escrever

Sempre gostei de escrever. Desde as composições da escola primária, sobre a chegada da Primavera ou o ciclo da água, até aos diários intermitentes (regularidade é difícil) que toda a vida escrevi, realizo-me de alguma forma a deitar palavras cá para fora. Sempre senti a necessidade de deixar registo da vida que vai acontecendo; os primeiros sintomas desta minha mania surgiram aos cinco anos, quando fui parar ao psicólogo por apontar num caderno tudo o que fazia, com horas e minutos.
Nem sempre me consigo exprimir muito bem oralmente. Tal como na escrita, demoro um bocado a organizar o pensamento, não sou fluente. Consigo-me explicar, mas às vezes demora. E outras vezes simplesmente não tenho coragem de dizer algumas coisas pessoalmente, enquanto que através do papel (ou do ecran) "dói" menos. Por isso tento sempre pôr algo de mais pessoal nas cartas, mails ou dedicatórias.
A vinda para Londres permitiu-me juntar o útil ao agradável e criar este blog. Por um lado, mantinha os amigos e a família a par da minha estadia por cá, repartindo a responsabilidade de dar e procurar essas notícias; por outro, permitia-me escrever sobre a vida a partir do meu dia-a-dia, e assim dar-me a conhecer melhor.
Ainda assim, sinto que muitas vezes me restrinjo ao factual, que sou um bocado "seco". Mas fico contente por sentir desse lado algum feedback, pelas minhas contas devo ter uns 20 fiéis, e isso deixa-me muito contente. Até já há quem cá tenha chegado sem me conhecer...

Mas aterrando de novo na biblioteca da LSE...
O que me pedem agora é que escreva pequenos ensaios, de 5 páginas, sobre temas intessantes, como as desigualdades na saúde, o papel do sector voluntário na provisão de bem-estar social (welfare) ou a reforma da segurança social. É com base nestes textos, num exame para cada cadeira e numa dissertação final que vou ser avaliado aqui.
O exercício é bom, obriga-me a ler e estar a par dos principais argumentos da actualidade nestes campos, em que espero trabalhar dentro em breve (de volta à Pátria!).
Mas ao mesmo tempo é um bocado árido. Tenho de pegar nos resumos dos outros para fazer o meu próprio resumo (ou seja, escrever o mesmo por outras palavras), e depois acrescentar-lhe uma posição crítica, o que nem sempre é fácil.
Também me custa não ver um impacto muito imediato em todo este paleio, para além da formação de opinião crítica que um dia mais tarde possa pôr em favor da comunidade.
Não é como investigar a vacina para a malária nas grávidas (olá, Mafalda!) ou a transmissão neuronal das células cancerígenas (olá, Ana!) - não que eu fosse capaz de o fazer, porque as ciências naturais nunca foram o meu forte.
Mas há que acreditar que isto me vai fazer chegar onde quero, e de alguma forma fazer avançar o mundo.
Bem, agora que já adiei por uns minutos a outra escrita (a chata...), é hora de voltar aos livros!

domingo, 28 de novembro de 2004

Um serão português

Mais um domingo em Passfield Hall. O penúltimo antes das férias!
A tarde foi calma. Por falta de jogadores, hoje não houve partida de futebol. Depois de me deixar dormir para cima dos livros, optei pelo quarto do Eduardo para me tentar manter um pouco mais desperto, e escrevi um terço do primeiro essay.
Depois do jantar (que é como quem diz, às seis), fomos os dois à missa espanhola. "Saber que vendrás, saber que estarás, partiendo a los pobres tu pan", sempre bom ouvir este clássico internacional!
No final, resolvemos ir dar uma volta pela cidade. Fizemos primeiro a Oxford Street até ao fim; as lojas já estavam fechadas, depois de mais um fim-de-semana de intensa actividade. O objectivo era Notting Hill, que ele ainda não conhecia. Não era assim tão perto, mas o caminho fez-se bem. Ao chegar, percorremos a Portobello Road, local do mercado imortalizado pelo filme Notting Hill. Comentei que ali perto havia um supermercado e dois cafés portugueses, e fomos até lá espreitar. Tudo fechado, claro está, mas ao pé deles descobrimos a "Casa Santana". O nome fazia lembrar a política nacional, que não anda pelos seus melhores dias, mas a fotografia na ementa dava para entender que se tratava de um restaurante madeirense. Vi que tinham caldo verde, e as saudades falaram mais alto: entremos!
A televisão estava sintonizada na TVI, que mostrava imagens do Congresso do PCP. Expliquei ao Eduardo que no terceiro maior partido português (segundo as sondagens) ainda se gritam vivas ao marxismo-leninismo. E ele, perplexo: "Nooooo!!! That's insane!"
Entretanto lembrei-me que o Sporting devia estar a jogar por aquela hora, e perguntei se tinham SportTV. E assim ficámos a vibrar com o jogo, o Eduardo divertido com o nome do adversário (Moreirense, sendo que o apelido dele é Morera) e atento aos ataques do Pinilla, antigo jogador do seu clube (Universidad de Chile), e eu contente da vida pela goleada (mais uma!) que nos coloca a um ponto do Benfica.
Saímos, andámos uns 5 minutos e demos de caras com uma placa com letras garrafais a verde: "SPORTING". Abrimos a porta: mesas de jantar, um organista que canta "Vamos brindar com vinho verde..." e um casal a dançar - o típico clube de emigrantes. Fica para uma próxima oportunidade, quem sabe na próxima jornada...

sábado, 27 de novembro de 2004

Ibrahim

«Qualquer pessoa que cruze o nosso caminho pode revelar-nos algum aspecto importante do rosto de Deus. (...) De Deus somos sempre aprendizes e peregrinos e os nossos companheiros de peregrinação não são só os nossos irmãos na fé mas a humanidade inteira.»

As palavras são do Pe. Nuno Tovar de Lemos, no livro que lançou esta semana e que eu hoje recebi pelo correio (muito obrigado, Francisca!). E não podiam vir mais a propósito.
Ontem à noite fui ao pub do costume com o Eduardo e o Ibrahim. Só o conhecia da mesa de jantar, onde trocámos algumas piadas sobre a poligamia. É um turco de 24 anos, a fazer um LLM em Direito, pouco à vontade com o inglês (várias vezes se lamenta de não conseguir exprimir tudo o que queria). Levanta-se todos os dias às 5 ou 6 da manhã, não só porque estuda bastante mas também para fazer a primeira das 5 orações do dia.
Pedimos duas cervejas e uma Coca-Cola; para quem não sabe, os muçulmanos não podem beber álcool, nem comer porco.
Começa por nos falar da contradição que há na Turquia, onde 99% da população se diz islâmica mas são proibidos alguns sinais exteriores, como o véu islâmico das raparigas na escola. Dá um exemplo ainda mais estranho: um aluno do 12º ano, ao candidatar-se à universidade, vê a sua nota diminuída em 30% caso tenha estudado numa escola religiosa. Diz com pena que uma pessoa no seu país não pode afirmar livremente como muçulmana.
“Gosto de vocês, que são católicos; não temos a mesma religião, mas não importa, ambos adoramos um Deus. E fico contente por vocês por poderem dizer à vontade que são católicos nos vossos países.”
Fico surpreendido quando nos diz que os muçulmanos acreditam em Jesus, não como Filho de Deus mas como profeta (o segundo maior, depois de Maomé), e acreditam até que Ele veio para salvar toda a humanidade.
Perguntamos-lhe qual é a maior festa do ano para os muçulmanos. “É o Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadão. Nesse dia matamos um animal em honra de Deus; depois, a tradição diz para ficarmos com um terço para a família e darmos um terço aos vizinhos e outro aos pobres. Mas normalmente acabamos por dar todo o animal aos pobres. Nós somos ricos, podemos comer carne quando quisermos. E se dermos aos pobres eu acredito que Deus fica mais contente.”
Pedimos a segunda cerveja. “Não queres outra Coca-Cola?” “Não, eu não vim para beber, vim mesmo só para conversar.”
O Eduardo comenta que a imagem que os ocidentais têm dos muçulmanos é a de um povo violento, disposto a matar em nome de Deus. O Ibrahim responde, com cara triste, que percebe essa ideia, que de facto há muitos muçulmanos que usam o nome de Deus para fazer as coisas mais terríveis, mas que não é essa a visão do Corão que ele professa.
A terceira e última rodada é paga por ele. “É uma tradição no meu País, gostamos de oferecer.”
Agora falamos sobre Londres e o custo de vida: “o que eu gosto mais aqui é poder aprender com outras pessoas, como vocês. Uma coisa é ler nos livros, e passado pouco tempo esquecer; outra é poder falar com as pessoas sobre a sua cultura.”
Diz-nos que não lhe importa o dinheiro e as coisas materiais, que tudo se vai quando morremos. “Nós somos corpo e alma. Agora eu gosto de estar na tua companhia. Mas se tu morresses, para mim não faria sentido, e seria até incómodo, estar num quarto com o teu corpo morto, porque a alma já não está lá.”
Voltamos para casa mais ricos. Eu volto mais crente e católico (= universal). E assim ganhei um amigo muçulmano.

terça-feira, 23 de novembro de 2004

Mundo, família e trabalho

1. É mesmo engraçado como o interesse da amizade me leva a tornar-me também interessado pela vida nos respectivos países, eu que toda a vida dei pouca atenção ao noticiário internacional.
Este domingo houve eleições na Ucrânia, cheias de irregularidades, e agora o País está em grande convulsão. Agora que conheço o Vitaliy, tenho acompanhado com preocupação a CNN e a BBC, primeiro a contagem dos votos em directo e agora as manifestações. Sinto a sua tristeza pela situação atrasada em que os políticos mantêm o seu país, e a esperança na abertura que o candidato da oposição prometera fazer.
Ontem à noite perguntei ao Eduardo como viveu os anos em que o Pinochet esteve no poder. Falou-me dos tumultos (e mortos) nas ruas perto da casa dele, os constantes cortes de energia e o glorioso plebiscito em que venceu o "no" à continuidade do General no poder (1989), uma transição tranquila que a oposição soube fazer.
E cada vez me sinto mais um "cidadão do mundo"!

2. Ontem à tarde estava aqui na biblioteca quando recebi um telefonema do Gustavo, um primo de 41 anos que vive na Holanda e trabalha na Shell. Disse-me que estava em Londres e convidou-me para jantar. Assim foi: um belo prato de carne (em Portugal, seria uma grelhada mista) e uma ainda melhor garrafa de vinho branco francês. Conversa fluente, apesar de mal nos conhecermos. Mas família é sempre família, e longe da Pátria ainda mais!

3. Faltam alguns minutos para eu fazer a minha terceira apresentação, desta vez sobre a influência da opinião pública na tomada de decisões políticas na área da saúde. Preparei o trabalho com uma russa e um francês (é gira esta cooperação internacional). Vou ter de falar uns 10 a 15 minutos, mas levo tudo escrito, o que seria impensável num trabalho em Portugal, mas aqui tem mesmo de ser, senão bloqueio! A adrenalina cresce...

sábado, 20 de novembro de 2004

Tio Tiago... again!!!

Acabei de saber que vou ser tio pela quarta vez! Estou eufo'rico!
Estava num computador da bibilioteca da Faculdade (sim, num sa'bado, vejam como ando aplicado...) e a minha irma deu-me a novidade. La' tive de verter uma lagriminha... ja' nao estava habituado a esta emocao!! Alias, faz agora 10 anos que soube que ia ser tio pela primeira vez; eram os anos da minha irma (como hoje) e eles contaram a toda a familia.
Vai nascer no fim de Junho ou principio de Julho, e eu vou ai, claro esta'!
Sera' menino, sera' menina?...

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

Back to London

Que bem se está no campo! É o primeiro comentário que me ocorre depois deste fim-de-semana.
Sou mais uma pessoa de cidade, mas gostei mesmo de passar estes dias em Norwich, com a Piquita e o Miguel. Faz bem um pouco de calma para descansar da Big London.
Além de ter sido brindado com uma fantástica selecção de deliciosos manjares (galinha recheada, trutas grelhadas, salmão fumado com vieiras), consegui estudar melhor do que em Londres. E foi muito bom ver a Francisca e a irmã contentes pelo reencontro!
Ontem, para irmos à missa na capelania da Faculdade, tivemos de levar lanternas, porque o caminho é mesmo pelo meio do campo. No regresso, e no meio do escuro, estava um conjunto de pessoas mascaradas de soldados medievais; era um jogo organizado pela Faculdade, mas para nós foi um encontro algo sinistro.
Esteve bastante frio, mas céu sempre azul, e até sabe bem andar mais encasacado.
Agora vamos à Tate (antiga) e depois do jantar vamos ver O Fantasma da Ópera, ao que se seguirá uma ceia de castanhas e jeropiga (um São Martinho atrasado).