domingo, 30 de abril de 2006

Copenhaga I

O fim-de-semana não começou da melhor maneira: na sexta perdi o avião e tive de trocar a viagem para sábado de manhã; no sábado o avião atrasou-se 2 horas; e ao chegar ao nosso ponto de encontro, na estação de comboios de Copenhaga, fiquei sem bateria e andámos desencontrados por mais de meia hora. Mas a partir das 3 da tarde tudo correu bem!
Tenho estado a usar umas bicicletas grátis que há em vários pontos da cidade. Ponho uma moeda para as desprender, como nos carrinhos de supermercado, e depois de usar recupero a moeda.
Depois de passar por casa da Mafalda para reabastecer o estômago, começámos o nosso périplo ciclo-turístico. E como não podia deixar de ser, fomos direitos ao símbolo da capital dinamarquesa, a estátua da sereia dos contos de Andersen. Já me tinham avisado, e pude confirmar, que não tinha uma piada por aí além, mas não podia deixar de ir lá carimbar o meu passe de turista.
Por aqui o tempo continua bastante frio, ainda há que usar casaco e luvas. Mas o pior foi quando a chuva se juntou à festa. Aí tivemos que parar para lanchar num café do centro, e até calhou bem! A Mafalda já vai percebendo bem o dialecto dos vikings*, por isso pôde decifrar-me as palavras estranhas que vinham no menu, e assim lá me deliciei com uma bela fatia de bolo de côco.
À noite havia compromissos sociais a cumprir: fomos jantar a um restaurante mediterrâneo com alguns amigos da Mafalda, e gostei de conhecer as pessoas que a acompanham por estas terras nórdicas. Em especial a Irina e o Miguel, um casal com quem facilmente meti conversa, ou não fossem eles gente do Norte, carago!
Seguiu-se um copo de Tuborg num bar, com direito a partida de matrecos, e conversa no sofá da sala até às 5 da manhã. Como não podia deixar de ser...
* É divertido estar a escrever num teclado com 3 letras diferentes: æ, ø e å.

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Aqui vou eu!

Depois do trabalho vou directo para o aeroporto, para apanhar o avião para Copenhaga. À minha espera vai estar a Mafalda, que me vai levar a passear (de bicicleta, espero) pelos ex-libris da cidade.
Pela primeira vez na vida, estou a partir para uma viagem sem investigar nada sobre a cidade, o que para mim é um grande avanço! Sei que tem uma sereia (que pelo que dizem não tem grande piada) e que tem um bairro de hippies. E sei que tem um parque de diversões onde vamos no domingo - estou com saudades de uma boa montanha russa!
Mas melhor que todas as visitas turísticas vai ser a oportunidade de ver como é a vida da Mafalda na Dinamarca e de conhecer melhor o Timme. E também é óptimo saber que vamos conversar até aos limites do sono! Não é, Mafles?

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Dongtan

Há um ano que o Eduardo trabalha na Arup, uma empresa inglesa de arquitectura e engenharia. Ele está no departamento de Desenho Urbano, ou seja, em vez de desenharem os edifícios fazem o plano de como vai ser a estrutura de uma cidade ou a regeneração de uma zona.Pouco depois de começar na empresa, foi posto no projecto de Dongtan, uma nova cidade que vai ser construída numa ilha junto a Shangai, e que se diz ser a primeira "eco-cidade" do mundo.
Prevê-se que nos próximos anos a China assista a um êxodo de 300 milhões de pessoas do campo para as cidades, por isso é preciso encontrar um espaço para pôr toda esta gente. Por outro lado, nesta fase de crescimento económico e de afirmação como grande potência, a China quer dar sinais de que vai começar a preocupar-se com o ambiente. Foi neste contexto que surgiu o entendimento entre os investidores chineses e a Arup. Só para verem a importância do projecto, o contrato entre eles foi assinado no número 10 da Downing Street, na presença do Tony Blair e do Presidente chinês.
Trata-se de criar uma cidade para 500 mil pessoas numa ilha quase do tamanho de Manhattan, onde actualmente só existem campos de agricultura. Pode parecer uma violência, mas se pensarmos que o crescimento urbano iria acontecer de qualquer maneira, o importante passa a ser fazê-lo da melhor maneira. E a proposta que eles estão a apresentar inclui a utilização exclusiva de energias renováveis (sobretudo solar, eólica e biomassa), um sistema de transportes não poluentes, as ruas desenhadas de maneira a que seja mais rápido chegar a qualquer lado a pé ou de bicicleta do que de carro, a proibição de circularem veículos que emitam dióxido de carbono e a construção de jardins no topo dos edifícios. Por isso lhe chamam "eco-cidade". Este projecto está-se a tornar cada vez mais famoso e até já tem direito a entrada na Wikipedia. Já alguns jornais escreverem sobre o assunto, sendo que os artigos mais completos são o do Le Monde ou o do Guardian.
Como o Eduardo vai falar sobre o projecto a uma conferência para jovens aspirantes a engenheiros, esta semana teve de dar algumas entrevistas para os jornais. O rapaz ainda vai ser famoso! Mas aqui em casa, apenas comenta que precisa de férias...
A grande questão vai ser se esta experiência vai resultar ou não. Que consigam realmente aproveitar todas as energias não poluentes, acredito que sim, visto tratar-se "apenas" de tecnologia e regulamentação. Mas se conseguirem criar uma cidade diversificada, que seja capaz de alojar todas as classes sociais e seja um lugar agradável e funcional (ao contrário de Brasília, por exemplo), isso já me parece um feito bem mais difícil, mas possível!

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Relativizar é...











...ficar contente com isto...




















...e tentar não pensar que podia estar a ter isto!

Em boa companhia



sexta-feira, 21 de abril de 2006

Pay day!

O dia 21 é o mais esperado do mês: dia de pagamento! Mais desejado ainda porque tinha aproveitado a viagem para levar quase todo o dinheiro que tinha para Portugal, por isso digamos que estive a contar os tostões até hoje.
Outro motivo de alegria é a visita do João Raposo e da Isabel, que chegam amanhã e ficam até quarta. Esperam-se 4 dias vividos a todo o gás e sem pausas na conversa!
E a temperatura por aqui começa a subir, para hoje prevêem 18 graus e já há pessoas a virem para o trabalho de manga curta. E daqui a 1 semana estou em Copenhaga! E hoje à noite tenho uma festa! E é sexta-feira! É sem dúvida um "dia sim"!

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Páscoa em Portugal

E que bem que me soube passar este fim-de-semana em casa! Eu acho que tenho mais "sôdade" quando vou a casa do que enquanto aqui estou - até porque nunca passa muito tempo sem que eu vá a Portugal!
Mas esta visita soube-me especialmente bem. Acho que consegui aproveitar ao máximo o tempo, mas ainda assim "nas calmas"; não tive a sensação de outras vezes, de andar a correr de um lado para o outro.
Como é habitual, saí do aeroporto para a casa da minha irmã, onde me esperavam as minhas sobrinhas cada vez mais crescidas e este boneco que já começa a fazer algumas gracinhas. Seguiu-se uma passagem pela Moita, para cumprimentar o mano. A tarde foi passada na igreja, ou não fosse um fim-de-semana cheio de celebrações, e a noite estive com o Rui, o Ricardo e a Mafalda.
Sábado foi o perfeito exemplo daqueles dias de que eu aqui sinto falta: saí de casa às 8.30 da manhã e só regressei às 6 da manhã de domingo, com o coração cheio dos lugares e da companhia.
De manhã andei a mostrar as belezas de Lisboa a um casal de ingleses. A Kate trabalha comigo, e foi passar este fim-de-semana a Lisboa com o marido, o Craig. Voltaram encantados, apesar de o sol não ter sido tão abundante como se desejava. Levei-os a Belém, para lhes mostrar esse grande monumento que é a Casa dos Pastéis de Belém. Também fomos a uma igreja grande que havia por ali, e a uma torre mesmo ao pé do rio, mas o que eles gostaram mesmo foi dos bolos! E depois levei-os à ilustre cidade da Costa da Caparica para verem a praia. Acho que ganhei dois simpáticos amigos...
Estive nesse dia a almoçar em casa do Vasco. Por sorte, foi a altura em que o sol mais brilhou, porque assim pudemos aproveitar o terraço fantástico que ele tem para pôr a conversa em dia.
A noite aproximava-se e era tempo de me ir encontrar com os amigos do MSV. Muitos tinham peregrinado até um santuário ao pé de Óbidos, e convidaram os restantes a juntarem-se ao grupo para a vigília pascal. Começámos por um jantar com o Artur, o João, a Mafalda e a Catarina. Depois da missa, resolvemos prolongar o convívio por mais um bocado e fomos comer qualquer coisa à Ericeira. Entrámos num café às 3 da manhã! E para cumprir a tradição, acabei a noite a fazer o update das novidades com a Mafalda.

Para acabar bem a visita a casa, domingo foi ir à missa na Moita, receber a visita da Ana Sofia e do Diogo, e de reunir toda a família para jantar.
Em Maio estou de volta!

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Simão Pedro

A negação de Pedro, El Greco
Jesus tinha sido preso e Pedro, que momentos antes tinha dito estar disposto a dar a vida por Ele, tinha-O seguido até ao lugar onde Jesus estava a ser interrogado.

Pedro ficou à porta, de fora. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do Sumo Sacerdote, falou com a porteira e levou Pedro para dentro. Disse-lhe a porteira: «Tu não és um dos discípulos desse homem?» Ele respondeu: «Não sou.» Lá dentro estavam os servos e os guardas, de pé, aquecendo-se à volta de um braseiro que tinham acendido, porque fazia frio. (...) Entretanto, Simão Pedro estava de pé a aquecer-se. Disseram-lhe, então: «Não és tu também um dos seus discípulos?» Ele negou, dizendo: «Não sou.» Mas um dos servos do Sumo Sacerdote disse-lhe: «Não te vi eu no horto com Ele?» Pedro negou Jesus de novo; e nesse instante cantou um galo.
No entanto, pouco tempo depois foi Pedro o escolhido por Jesus para conduzir a Igreja e guardar as "chaves do Céu". O arrependimento sincero e o perdão tudo renovam.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Fazei isto em memória de mim


Todos conhecem a imagem da Última Ceia. Pois bem, esse é o momento que é recordado na Quinta-Feira Santa.
Jesus tinha reunido os seus amigos mais próximos para celebrar a Páscoa dos judeus, que recorda a saída do povo judeu do Egipto (já viram o filme Os Dez Mandamentos, que passa todos os anos por esta altura?).
A meio da ceia, Jesus levantou-se da mesa, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugá-los com uma toalha. Eles não entenderam a razão daquele gesto, até que Jesus lhes explicou:
«Vós chamais-Me 'Mestre' e 'Senhor', e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.»

Hoje, como todos os anos, na missa que dá início às celebrações da Páscoa, o padre vai lavar os pés a 12 pessoas, para lembrar este gesto. Serve para nos lembrar que é nossa missão estar ao serviço. Mesmo (ou sobretudo) quando isso implica esforço, sacrifício ou até humilhação. A quem serias capaz de lavar os pés?
E não é preciso olhar muito longe para encontrarmos um lugar, ou muitos, onde a Igreja continua a "lavar os pés" a quem precisa.
Na mesma ceia, Jesus abençoou o pão e o vinho, e disse que eram o Seu corpo e sangue. E desde então se repete este gesto em Sua memória, todos os dias, em todas as igrejas do mundo.
Mas este gesto tem um significado inexplicável sem usar os olhos da Fé. Ou, pelo menos, bem mais difícil de explicar num post...

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Brasil em Londres












    Dois concertos que não vou perder:
    Ivete Sangalo - dia 21 de Junho no Shepherds Bush Empire
    Marisa Monte - dia 25 de Setembro no Barbican

    No primeiro vai rolar a festa, para levantar toda a poeira do chão! E vai-me lembrar o ano de 2003, com a viagem de finalistas e o projecto em Montes Claros.
    O segundo vai ser mais calmo, numa sala mais selecta com lugares sentados. E vai-me lembrar o projecto de 2001 em Vaqueiros. Amor I love you...
    É giro como a música tem a capacidade de nos transportar para memórias do passado!

Vou votar!

Qualquer cidadão europeu pode votar, e até ser candidato, nas eleições locais. Sabendo disso, recenseei-me há umas semanas no meu Borough (Câmara Municipal) e ontem recebi o meu "cartão de eleitor". No próximo dia 4 de Maio levo este papel e posso eleger os representantes (councillors) do meu ward (freguesia) no Borough de Camden. Nesse dia eu conto-vos como foi.
Agora tenho de comparar os programas dos vários partidos. Neste momento, os 3 councillors do meu ward são todos Labour. No sábado passado bateu-nos à porta um dos candidatos de um partido pequeno (Respect), mas o panfleto não me convenceu. Vamos ver se aparece mais algum.

terça-feira, 11 de abril de 2006

Mafias

Ironias do destino juntaram hoje, no Diário Digital, a notícia da prisão de um líder da Mafia siciliana com uma notícia sobre o Pinto da Costa. Enquanto que uns vão dentro, outros continuam à solta. E não me estou a referir a violência doméstica, apenas aos árbitros que viajam demais...
Ok, assumo, ainda estou dorido do fim-de-semana passado. Humpf!

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Sabor a Colombia

A Natalia é uma amiga colombiana esteve connosco em muitos dos bons momentos do ano passado (na foto, é a que tem um lenço vermelho). Além de nos ter tratado de tudo o que precisávamos para a viagem que se aproxima, tem-me dado a honra de ser uma leitora assídua deste blog. De volta a Medellín, trabalha no Instituto para o Desenvolvimento de Antioquia (a sua região), e foi a esse título que veio em viagem de trabalho à Europa. Tinha umas reuniões em Espanha e Itália, e aproveitou para vir matar saudades de Londres.
Aqui aterrou no sábado de manhã, e veio aquecer o fim-de-semana frio que aqui se fez sentir! Com ela, voltei a encontrar algumas caras conhecidas da comunidade colombiana da LSE, e diverti-me bastante numa festa caseira, no sábado. Foi bom para afogar as mágoas de uma noite de futebol, que só valeu pelo óptimo bife que comi num restaurante madeirense.
Na tarde chuvosa de domingo, vimos um filme espanhol (A Língua das Borboletas) e terminámos o dia a comer burritos!
Pelo meio, fomos perspectivando a viagem. Como a Natalia é uma excelente organizadora, já deu para perceber que não vamos falhar nenhum spot turístico ou prato típico. E além de nos ter tratado das vôos e do alojamento, ainda arranjou um senhor para nos guiar por Medellín num dia em que os nossos amigos vão estar a trabalhar! A fasquia sobe cada vez mais!

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Burocrata


Grande parte do meu trabalho aqui consiste em tratar de burocracias. Tenho de criar ou rever "policies and procedures", ou seja, as regras e procedimentos das várias áreas em que a association actua: como decidir quem tem direito a uma casa, como tratar de uma casa a precisar de obras, como lidar com casos de violência doméstica... Ao todo deve chegar a 50 assuntos diferentes, e eu este ano vou ter 10 a meu cargo. Organizar reuniões, fazer focus groups e inquéritos aos residentes, escrever o documento, fazer um diagrama com o processo a seguir e treinar o staff que vai ter de o usar.
Mas nesta semana tive de meter literalmente mãos à obra. Antes de implementarmos umas medidas novas, tínhamos de perguntar aos residentes se estavam de acordo com elas. Para isso, era preciso mandar uma carta a 200 pessoas e eu estava encarregue disso. Além de redigir o texto e alinhar o inquérito, como outros colegas estavam ocupados acabei por ter de levar o processo até ao fim: tirar fotocópias, dobrar folhas, meter dentro dos envelopes, imprimir os endereços e enviar. Por muito chato que isto vos possa parecer (e é!), até foi uma boa pausa, um trabalho meramente mecânico sem ter de pensar nada.
Fez-me lembrar os 3 meses que trabalhei na CCPJ, onde tinha de inserir dados, fazer registo de correspondência, mandar cartas, arquivar processos e outras burocracias várias. E gostava! Como trabalho temporário, claro.
Tem de haver alguém a gostar de cada coisa, senão quem é que fazia as autópsias?

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Update

As minhas sinceras desculpas aos leitores mais assíduos, mas conjugou-se o facto de ter o computador avariado com uma semana mais ocupada no trabalho.
Aqui em Londres parece que chegou a Primavera. As temperaturas continuam baixas (2 graus de noite, 13 graus de máxima), mas o sol brilha e o céu tem poucas nuvens.
O último fim-de-semana foi uma boa terapia para a fase de aborrecimento que estava a atravessar. Sexta fui ver o Brokeback Mountain, e gostei. Sábado aproveitei a visita do Pedro Sotto para passear por Camden, o meu spot preferido da cidade; depois fomos jantar a um japonês no Soho (bom, mas não é muito a minha onda). Domingo fui com o Eduardo conhecer uma parte da cidade onde está o City Airport (um aeroporto pequeno, quase só para aviões de hélice) e a Thames Barrier, uma comporta que em caso de necessidade sustém as águas do rio. À noite tínhamos a Nayan de volta, trazendo de presente uma camisa indiana e alguma comida picante.
Os próximos tempos vão ser igualmente animados. Sábado chega a Natalia, uma amiga colombiana que veio em trabalho à Europa e aproveita para estar 1 semana connosco. Depois passo o fim-de-semana da Páscoa em Portugal, vai-me saber que nem ginjas! Poucos dias depois vêm cá os ilustres João Raposo e a Belinha. Segue-se um promissor fim-de-semana em Copenhaga, sendo que a Mafalda já me mandou o programa de eventos e vai ser sempre a abrir: festa de portugueses, parque de diversões e, claro, muitos passeios de bicicleta! Para terminar em beleza, recebo por uns dias a visita da Sarita e do João. E em pouco tempo virá a febre do Mundial e a muito ansiada viagem ao outro lado do Atlântico.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Mais longe e mais perto

Mais longe porque o meu portatil pifou, e nao parece ser muito facil de resolver. Acho que vou mesmo ter de o por a arranjar, e como a marca e' portuguesa e os comandos tambem estao na nossa lingua, vou ter de esperar pelas ferias da Pascoa. Entretanto, vou usando os computadores dos meus flatmates e o do emprego, mas nao e' a mesma coisa... e faltam-me os acentos!
Mais perto porque hoje subscrevi a RTP Internacional. Por 7 euros por mes, posso ver o telejornal no computador (qualquer um). E os jogos de futebol que passam na RTP ou TVI, e outros programas que possam interessar. Nao muitos, cheira-me. Mas sempre atenua as saudades.

sexta-feira, 31 de março de 2006

Porque não pedir o Mundo?

Cinco, quatro, três, dois, …
Pois, não passámos do dois.
Mas deixemos os relatos infelizes para depois.
Estivemos quase, mas quase não sei se chega.
Mandámos vir champagne e deu-se a tragédia grega.
Como é que se diz? Foi por um triz
que nós não pusemos os pontos nos is.
Nabice? Preguiça? Alguém faltou à missa?
Qualquer coisa lhes deu, não sei bem o que foi.
Sei é que fizemos um grande campeonato
mas na final não jogámos um boi.
Um boi?! Foi ou não foi?


Corremos, marcámos, merecemos,
saltámos, sofremos e fizemos sofrer.
Fizemos o possível enquanto houve combustível
e metemos o que havia para meter.
Como é que uma equipa com talento,
magia e um futuro de que tanto se disse,
está disposta a deitar fora a energia
e se conforma em estar na história como “vice”?
Nada disso!
O tuga, que até hoje só provou que consegue ser segundo,
Vai, por isso, deixar de ser chouriço
e assumir o compromisso de ser campeão do mundo.

Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais

Há quem diga que Portugal não está em forma,
modesto por norma, faz-lhe falta um safanão
que nos faça de uma vez acreditar
que entre os que podem ganhar está a nossa selecção.
A fasquia está alta? Não faz mal, Portugal salta
com milhões a empurrar.
Até pode parecer louco,
mas para nós segundo é pouco
E um louco não se deve contrariar.
Será demais pedir o mundo?
O que pedimos, no fundo, são ainda menos ais.
Porque todos se lembram do campeão
Mas não dos que são derrotados nas finais.
Ficar nos dois primeiros não tem mal nenhum,
É preciso é que fiquemos no número um.
Vamos apagar da história essa final de má memória
e vão ver que ninguém topa.
Porque eu posso estar errado,
mas que eu saiba, em qualquer lado,
o melhor do mundo é o melhor da Europa.

Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais

Repete-se o refrão,
a história é que não.

Marca mais, chuta mais
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais.

É o retrato de um país aplicado ao futebol.
Tem tudo o que é preciso, só perde por ser mole.
Toca a acordar, pessoal!
Queremos mais garra,
deixar de ficar felizes quando a bola vai à barra.
Vamos com tudo, meter o pé, chutar primeiro,
Que o último a chegar é panel****.
Ter medo deles? Isso era dantes!
Vamos embora encher de orgulho os emigrantes.
Sem esquecer que nas grandes emoções
quando grita um português, gritam logo 15 milhões.

Heróis de Berlim, nobre povo…
Não tinha graça cantar um hino novo?
Escrito pelo pé de artistas
que vão alargar as vistas à nação verde e vermelha.
Ficar em segundo? Nem morto!
Ganhar ou perder é desporto? ‘Tá bem abelha!
Venha a Alemanha, o Brasil ou a Argentina
com cabelos de menina e cara de lobo mau,
se calham a apanhar-nos pela frente
e viram as costas à gente… TAU!

Corre mais, joga mais,
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais

Repete-se o refrão,
a história é que não.

Marca mais, chuta mais
Menos ais, menos ais, menos ais,
Quero ainda mais

Seja no chão, pelo ar, de cabeça ou calcanhar,
de tabela, nas laterais ou no miolo…
Vai Ronaldo, finta um , finta dois, pode remataaaar… golo!!!
(É esta a vantagem da ambição,

podes não chegar à lua, mas tiraste os pés do chão.)

Marca mais, chuta mais...

Este é o novo hino para o Mundial, que faz parte da nova campanha da Galp Energia.
Quem será que escreve estas letras fenomenais??

Serão

Não tenho paciência para ver televisão. Tirando os jogos de futebol e a série "Little Britain", pouco mais me faz ficar sentado em frente ao ecrã. Nunca vi um episódio de "Desperate Housewifes", "24", "Sex and the City" e todas as séries que vão estando na moda; não digo que não possam ter piada, apenas não consigo ter grande curiosidade. Nem sequer faço questão de ver as notícias, uma vez que passo o dia a espreitar o site da BBC e o Diário Digital. Não é uma novidade de Inglaterra, já em Portugal era assim. Em grande parte, acho que se trata de um preconceito: não quero ter aos 25 a mesma rotina de um reformado.

Já na adolescência passava a vida à conversa em casa de amigos, e mais tarde com a emancipação do carro eram raros os serões que passava em casa. Aqui em Londres, no ano passado era mais fácil, por viver numa residência, arranjar companhia para um programa ou simplesmente ir bater à porta de alguém para dois dedos de conversa. Mas este ano, apesar de ser muito giro estar a viver num apartamento com 2 amigos, sinto a falta dessa parte de socialização.
Eles vivem felizes com a rotina de trabalho-ginásio-jantar-ver televisão-cama, e eu percebo que estejam cansados do trabalho e prefiram uma coisa que não implique muito esforço. Para mim, o trabalho é uma coisa importante, mas as minhas energias e pensamentos estão guardados para o que vem a seguir, por isso nunca deixo de fazer o que quer que seja por cansaço (outra explicação pode ser eu não ter muito que fazer no trabalho...). Mas claro que não os posso obrigar a sair ou a fazer o que me interessa! Por mim, preferia ir tomar um copo, ir ao cinema, jogar qualquer coisa ou simplesmente ficar à conversa. Claro que de vez em quando fazemos essas coisas, mas já cheguei à conclusão que a minha exigência de sociabilidade está acima da média do cidadão comum. Estou mal habituado...
Mas se isto é um problema meu, eu é que tenho de o resolver. E aqui entram as minhas falhas. É verdade que a maioria dos meus amigos já bazou de cá, mas ainda assim tenho um conjunto de pessoas conhecidas ou contactos que podia convidar para um programa. No entanto, tenho preguiça de começar novas amizades, aquela fase inicial de quebrar o gelo custa-me um bocado. Também já estou há meses para procurar um grupo onde me integre, mas ainda não me dei ao trabalho. E claro que não vou desistir de fazer convites aos meus flatmates!
Mas não se preocupem comigo, que eu sou um bocado exagerado! A verdade é que continuo a gostar de estar aqui, e até Maio de 2007 tenho um contrato a cumprir, experiência a acumular e poupanças a recuperar. Mas lá que gostava de ter uns serões um bocadinho mais preenchidos, ah isso gostava! Pode ser que o bom tempo que está a chegar ajude...

quinta-feira, 30 de março de 2006

Persistente

Um mês depois de ter começado a ir ao ginásio, e apesar de ainda não conseguir ver grandes resultados, mantenho os meus propósitos de perder alguns dos 20 kgs que cresci nos 5 anos. Tenho ido 3 ou 4 vezes por semana, por 1 hora, antes ou depois do trabalho. Faço corrida, bicicleta, remo, abdominais e mais algumas máquinas. Tudo ao som do hip-hop que vai passando na televisão, bem ao estilo da frequência do ginásio... Já não é o sacrifício dos primeiros dias, mas também não posso dizer que tenha, nem acredito vir a ter, algum prazer naquilo!
Além do exercício, tenho tentado alterar os hábitos alimentares. A minha secretária no trabalho parece quase uma despensa: tenho cereais para tomar com leite a meio da manhã e maçãs para comer a meio da tarde. E posso-vos garantir que a fibra está a surtir efeito! De resto, tento comer mais vegetais e menos gorduras, mas não posso dizer que esteja a fazer uma dieta, porque ainda vai havendo espaço para fritos e pão com manteiga.
Por enquanto, apenas noto que me canso um pouco menos que antes. Estou a guardar a pesagem para a Páscoa, assim dá mais tempo para permitir uma agradável surpresa. Mas o grande objectivo é aparecer em boa forma nas fotografias que hei-de tirar daqui a 3 meses nas praias paradisíacas de Cartagena.

segunda-feira, 27 de março de 2006

Montes Claros


Sou frequentemente atacado por saudades de Montes Claros. Foram apenas 2 meses da minha vida, e já lá vão quase 3 anos, mas as memórias continuam bem presentes e prontas a saltar, como hoje, aos primeiros acordes de uma música brasileira ou às primeiras linhas de um mail da Rita, que por lá continua ao serviço das crianças do Aquarela.
Esses 2 meses foram um tempo de disponibilidade total, de estar ali ao serviço, para o que fosse preciso; um tempo em que me senti útil, embora à distância me pareça que fiz muito pouco. Foi também um tempo de liberdade: apesar de nos levantarmos todos os dias bem cedo e de termos tarefas a cumprir, todos ali estávamos por nossa escolha e em plena entrega, e a única "produtividade" que nos era pedida era estarmos com as pessoas, darmos o melhor de nós aos que viviam mais sozinhos ou com mais problemas, e às crianças do "reforço" (apoio escolar).


Muitos momentos ficaram marcados na memória: a alegria do Radson a comer esparguete à bolonhesa em nossa casa; a aula de forró regada com caipirinha em casa da Denise; as visitas com o Irmão João Luís ao acampamento dos Sem Terra; a "pipa" que nos foi oferecida pelo Lucas, um menino de 8 anos, no dia em que o padrasto o tinha ameaçado com uma faca; a festa-surpresa que o bairro nos preparou. E a lista podia continuar... Nos próximos dias vou deixar por aqui algumas histórias e imagens desses tempos.


Mas sinto também uma saudade especial da "comunidade" que formei com a Catarina e a Mafalda, o Zé e o Palma. Todos os dias partilhávamos 3 refeições e 3 momentos de oração, e todas as semanas tínhamos um tema para reflectir. Isto para além da conversa que fluía naturalmente, sem tabus e com bastante resistência ao cansaço (não foi, Maffa?). Foram 2 meses de um "Big Brother" muito saudável, porque estávamos ali os cinco unidos pelo mesmo projecto e pela mesma vontade de aprofundar a Fé. A amizade foi crescendo, como resultado disso mesmo, e mantém-se forte!
Tenho muitas vezes a tentação de querer viver o resto da vida e das amizades ao mesmo ritmo desse tempo, e isso acontece-me tanto em Lisboa como aqui em Londres. No entanto, tenho a noção de que Montes Claros foi uma experiência muito rica, mas de certa forma fácil, porque tudo à nossa volta nos convidava a sermos bons e generosos, com os de fora e entre nós. O desafio maior é conseguir que a "vida normal" seja regida pelos mesmos valores e que aqueles que convivem connosco possam também conhecer o nosso "melhor lado".

*Neste post queria deixar também um beijinho especial para a Tia Quicas, mãe da Catarina, que me tem dado a alegria da sua visita ao blog desde Viena. Espero vê-la em breve!

sábado, 25 de março de 2006

Patriota

Esta é a minha última extravagância do eBay. Curiosamente, vendida por um rapaz de Almada. Ao que parece vai haver uma linha de Havaianas com os vários países que entram no Mundial. E desta maneira começo o meu kit de apoio a Portugal! Segue-se uma T-shirt do MSV (a ref. 07, que ao que parece está a ser líder de vendas).
Ainda por cima a viver no estrangeiro, todas as "armas" serão poucas! E Junho está cada vez mais perto.

sexta-feira, 24 de março de 2006

Acabou-se!

Acabei de apagar os meus jogos do Windows do computador do emprego. Teve de ser!
Não conseguia resistir a vir jogar às minas a torto e a direito, e como o meu computador está à vista de todos os demais, acho que dava ainda pior aspecto que chegar atrasado. Só para verem a dedicação - os que sofrem do mesmo vício e por isso percebem -, os meus records eram 6 segundos no pequeno, 38 no médio e 120 no grande.
No meu portátil, há muito que tive de apagar estes jogos, depois de perder horas e horas de sono a jogar minas ou free cell. E se eu sou assim com estes jogos básicos, imaginem o que seria se tivesse algum decente... Nem cheirá-los!

Afinal estou no bom caminho!

Todos os dias chego ao trabalho uns minutos depois da hora. É um mau hábito demasiado enraizado, o de chegar atrasado para quase tudo, e o pior é que não me esforço muito para mudar. "Ainda tenho tempo para fazer isto", penso sempre antes de sair de casa... No caso do trabalho, compenso na hora de sair e o meu manager já comentou que não achava mal, mas quando tenho pessoas à minha espera é bem mais chato.
Mas hoje os meus propósitos de emenda sofreram uma grande machadada. Li no Metro, esse grande educador do povo que os ingleses certamente copiaram do nosso país, que a melhor maneira de impressionar o patrão é chegar atrasado ao trabalho. Outros hábitos que nos sobem a “cotação” são falar dos outros (gossip) e ser temperamental. Estas conclusões surpreendentes vêm de estudos publicados na revista New Scientist.
Segundo os sábios, o “chegar atrasado” resulta de padrões genéticos que determinam se funcionamos melhor de dia ou de noite, e os que chegam tarde ao trabalho acabam por ser mais produtivos, mais tarde. Por seu lado, os “más-línguas” estimulam a socialização e criatividade no local de trabalho, enquanto que ser temperamental é próprio dos génios. Assim, o que à primeira é visto como um defeito pode revelar uma personalidade forte, e por isso os recrutadores devem olhar também para esse “lado negro”.
Infelizmente falta-me um bocado da terceira característica, mas a julgar pelo expoente das outras duas acho que tenho uma brilhante carreira pela frente!

quinta-feira, 23 de março de 2006

E o Jamor ali tão perto...

Foi por pouco que não chegámos à final. Faltou a sorte nos penalties. Vamos esperar que o resultado seja vingado daqui a poucas semanas, para o Campeonato.
Mas para mim o jogo valeu por outras razões.
Em primeiro lugar, pela companhia da Ana, que parte daqui a 1 semana para New York, onde vai continuar o seu doutoramento na investigação das células do cancro; tivemos ocasião para pôr a conversa em dia e para nos despedirmos, até eu por lá aparecer em Junho para a visitar.
Em segundo lugar, pelas febras com batata frita, à boa maneira portuguesa, que comi enquanto vi o jogo no Don Teodoro, um café a 5 minutos de minha casa.
E valeu ainda pelo espectáculo surreal que nos proporcionaram os restantes amantes do desporto-rei presentes naquele café, a contrastar com a civilidade britânica em que andamos todos os dias: ele foi gritos e insultos durante todo o jogo, de umas mesas para as outras; ele foi manguitos e outros gestos obscenos a "saudar" os adversários; ele foi o nosso companheiro de mesa portista a saltar para a cadeira da Ana, com ela lá sentada!, para que todos o vissem festejar o golo do Porto. Enfim, foi um fartote, carago!

quarta-feira, 22 de março de 2006

Crash

Vale a pena!
Um filme sem bons nem maus, apenas pessoas que vão agindo condicionadas por outras situações, sem no entanto fazer dessas condições uma desculpa para as más acções. E com a inteligência de mostrar que o racismo tem várias direcções, e que infelizmente todos padecemos um pouco desse mal. Afinal de contas, todos podemos redimir-nos como o polícia que salva a vida da mulher que antes humilhara ou o árabe que falha o disparo da vingança.
E como é possível viver em paz num país onde se compram armas com a maior das facilidades?