quinta-feira, 26 de abril de 2007

E não é que consegui?

É verdade, consegui um emprego! A partir de 10 de Maio, e por 6 meses, vou trabalhar como "Performance and Policy Officer" no London Borough of Hackney.
Ainda não percebi completamente o que vou fazer, mas pela explicação que me deram parece muito interessante. A autarquia está dividida em 5 departamentos, um dos quais é o de Habitação e Reabilitação Urbana. Este departamento é responsável não só pela habitação social (30 mil casas num concelho com 200 mil habitantes), como também pelo planeamento urbano, ruas e parqueamento, espaços públicos, ambiente, segurança e transportes. A minha função é prestar apoio a essas áreas: medir e avaliar a performance, projectar alterações aos serviços e assegurar que acompanham os pressupostos do Governo. Apesar de ser no mesmo género do anterior, parece, no entanto, bastante mais variado, e numa organização muito maior. A minha equipa, que é nova, deve vir a ter 50 pessoas e o chefe que me entrevistou (um rapaz de trinta e picos) pareceu-me muito porreiro.
A entrevista foi muito descontraída. Era ele e outra senhora, fizeram-me algumas perguntas, poucas, sobre o meu trabalho actual, e explicaram em que consistia o trabalho lá. Isto porque, ao contrário do habitual, em que uma pessoa vai para a entrevista já a saber ao pormenor em que consiste a função e o perfil que procuram, quando fui para lá ia um bocado no escuro. No fim, perguntaram se eu estaria interessado. Depois entrevistaram um segundo candidato e passado 2 horas já tinha a resposta.
O único senão é a zona ser à mesma um bocado fora de mão. Tinha fantasiado trabalhar na zona mais central, com vista para o Big Ben ou perto das lojas mais fashion - esquece lá isso! E um aumento de 10% no fim do mês até ajuda a esquecer... Mas é uma zona em transformação, cheia de restaurantes dos vários pontos do mundo e com um parque mesmo ao lado, o que é óptimo no Verão. O edifício também é moderno, um amplo open space com vários computadores em fila. E tem uma boa loja de sandes muito perto, onde vendem pastéis de nata! E por que não dizê-lo, a secretária do chefe é gira.
Ainda me falta saber alguns pormenores. O horário, por exemplo. Para lá chegar, é o mesmo caminho que faço agora, a única diferença é que saio do comboio 3 paragens antes; em alternativa, tenho um autocarro de porta a porta que demora 45-50 minutos, ou posso até pensar em arranjar uma bicicleta e demorar apenas meia hora.
Por agora, apesar de a vontade ser pouca, vou-me concentrar em acabar as tarefas que tenho no meu actual emprego. Só mesmo por causa do meu manager, que foi impecável comigo em todo este processo. E pelo menos já não tenho de perder tempo a procurar trabalho...

terça-feira, 24 de abril de 2007

E como vamos de trabalho?

Eis a questão do momento, visto que de amanhã a 1 mês é o meu último dia de contrato.
Em relação à entrevista de que aqui vos falei antes, já passaram 3 semanas, já me fartei de lhes telefonar e mandar mails, e nunca mais me disseram nada, pelo que naturalmente concluo que não fiquei com esse trabalho. Paciência...
A boa notícia é que tenho amanhã outra entrevista! E desta vez somos só dois, por isso tenho à partida 50% de hipóteses. O emprego é numa autarquia - a cidade de Londres está dividida em 32 Boroughs -, nomeadamente o Borough de Hackney. É o segundo mais pobre de Londres mas nos últimos anos tem tido vários projectos de renovação, além de estar também dentro da área a ser beneficiada para os Jogos Olímpicos. E este trabalho é na área de estratégia e "fiscalização de performance" do Departamento de Habitação e Reabilitação Urbana. Não deve ser muito diferente do que faço agora, mas é pelo menos numa organização muito maior e do sector público. E o contrato é por 3 a 6 meses, a começar o mais depressa possível, por isso encaixa perfeitamente nos meus planos.
Fora isto, tenho estado em contacto com várias agências de emprego. Umas gabam-se de trabalhar com o Governo e grandes organizações, mas até ao momento ainda não me propuseram nada. Outras têm-me falado de alguns trabalhos, mas todos muito fora de mão e com salários abaixo do que quero. Mas a qualquer momento podem sempre vir boas propostas.
Entretanto, no meu trabalho actual atravessam-se tempos estranhos. A vice-directora que tinha sido promovida a directora (uma senhora polaca e lésbica com quem tive boas discussões sobre religião) também já anunciou que vai sair daqui a 1 mês. Para o lugar de director vem um dos chefes da outra organização com quem nos vamos fundir, o que mostra bem quem manda nisto.
O Chief Executive, que não quis prolongar o meu contrato, acabou por aceitar que contratassem outra pessoa para o meu lugar. O meu manager ficou muito chateado com esta situação, diz que isto não faz sentido e que "não me queria perder". Quando fez as entrevistas na semana passada tinha uma esperança que todos os candidatos fossem maus, para assim ter um argumento para me manter no lugar (apesar de eu lhe dizer que dificilmente estaria interessado). Acabou por escolher uma rapariga que começa em breve, mas logo nesse dia disse-me que o fazia "with a tear in my heart" (com uma lágrima no coração).
É um bom homem, tenho tido muitas provas disso. Uma delas é que, apesar de a minha entrevista amanhã ser só à 1h30 da tarde, ele disse-me que escusava de cá aparecer de manhã. Wish me luck!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

"...para um cafezinho"

Mais uma vez fui chamado para servir de intérprete aqui no trabalho. Desta vez era uma senhora madeirense na casa dos quarentas. Vive cá há 15 anos. Tem 2 filhas, de um casamento já terminado, e uma mãe a chegar aos 80. A velhota vivia com uma enteada na Madeira, mas há 10 anos começou a ter problemas de saúde e a filha foi lá buscá-la. Vivem agora as quatro numa casa de 2 quartos.
Candidatou-se a uma casa maior, mas a autarquia (que gere a habitação social) recusou-lhe o pedido porque a mãe não era parte do agregado original e achavam que ela podia voltar para a Madeira. Mas lá já não tem nem casa nem quem cuide dela.
Apareceu cá hoje porque vai mudar para uma casa "nossa", mas do mesmo tamanho. E eu tinha de lhe explicar o que tinha de fazer para pedir um recurso da decisão da autarquia. Difícil mesmo vai ser provar que a mãe já não tem nada de seu em Portugal, mas eu disse-lhe que ia pedir conselhos a amigos advogados. Como resistir a ajudar uma conterrânea, ainda para mais com uma agenda com um Cristo na capa, daqueles que mudam de posição quando se mexe de um lado para o outro?
Mas a parte divertida, para além do sotaque arrevesado, foi quando as inglesas que estavam connosco saíram da sala e ficámos só os dois. Aí ela abriu a bolsa, tirou uma nota de 10 libras e ia para metê-la no meu bolso. "É para ir tomar um cafezinho..." Claro que não aceitei, disse-lhe que o fazia de boa vontade, mas lá que me ri cá para dentro...

terça-feira, 17 de abril de 2007

Pé de atleta

Mudei de ginásio. O anterior era pago pelo emprego, por isso não dava para continuar, e de qualquer maneira há muito que lá não ia. Preferi apostar num mais XPTO, onde tenho ido quase todos os dias! Além do incentivo forte de me estar a sair do bolso, meti-me num programa "Get Results" em 3 meses, que implica um programa de acção por objectivos e encontros frequentes com um personal trainer. Tenho corrido 5kms todos os dias, feito aulas de body pump, body combat, abs blast, ... Ena ena!
Apesar de ainda não ter conseguido baixar dos 80kgs (muito graças à overdose de açúcar nas férias da Páscoa), tenho baixado a "massa gorda" e já noto à frente as formas um pouco menos arredondadas, ainda que a léguas infinitas de um six-pack! Mas nem tudo são rosas.
Desde que estou neste país que me espanta como os locais conseguem ir para chuveiros públicos sem chinelos. Na residência onde morava, em que o mesmo chuveiro era partilhado por 20, achava incrível como eles podiam meter os pés num chão cheio de vestígios dos vizinhos. E mesmo num ginásio onde (ao contrário do anterior) toda a gente tem bom aspecto, a esmagadora maioria não vê o nojo que isso implica.
Dito isto, tenho de reconhecer que as minhas fiéis Havaianas não foram protecção suficiente. Há uma semana comecei com comichões nos pés, depois ardores, até que o Rui, experiente nestas coisas do desporto, me fez o diagnóstico inequívoco: pé de atleta! Pudera, com tantas patitas sujas a pisar em todo o lado, as bactérias devem andar por lá aos saltos...
Não que seja assim tão chato, um bocado de Canesten e a coisa vai ao sítio, mas não deixa de ser irónico que eu, o Sr. Não-Toco-Com-o-Pé-No-Chão (nem na minha própria casa!), tenha sido afinal infectado...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

A viagem de regresso

Ao contrário das vezes anteriores, na semana passada soube-me bem voltar a Londres. Estava (e tem estado) bom tempo e trazia na mala uma série de projectos para os meses que se seguem(emprego, cursos, relações, ginásio...). E pela primeira vez, vim sem trazer a próxima visita a Portugal marcada.
Três pequenos incidentes, chamemos-lhe assim, marcaram a viagem de terça passada.
No avião, uma fila à minha frente estava a saída de emergência. Não sei se sabem, mas quem aí se senta tem de cumprir uma série de requisitos extra de segurança - uma vez a hospedeira até me perguntou se eu estaria à vontade para abrir aquela porta, se fosse necessário. Ora, uma senhora chica-esperta que ia nessa fila resolveu fazer birra de menina só porque lhe pediram que vestisse (ou tirasse) o casaco, em vez de o levar aos ombros. Está certo que não era uma grave ameaça à segurança dos passageiros, mas regras são regras, sobretudo dentro de um avião. Várias hospedeiras lhe pediram o mesmo e ela disse sempre que não, em maus modos; queixou-se do atraso do vôo (tinham estado a mudar uma roda do trem de aterragem), porque tinha uma reunião em Londres, e chegou até a chamar-lhes nomes. Típica pessoa em que o alto cargo que atingiu não tapa a falta de chá em pequena. Veio a "hospedeira-chefe", pregou-lhe um raspanete educado e preencheu uma queixa contra a senhora. Aí foi vê-la mudar de atitude, pedir desculpa e quase implorar para a outra retirar a queixa. Duma multa não se livra, e é bem feito! Não suporto as pessoas que se acham importantes e no fundo são apenas mal-educadas.
Nesta história que agitou boa parte do vôo naquelas filas (teve a sua piada, tenho de admitir), de louvar o profissionalismo de uma das hospedeiras, uma rapariga nova que para mais era GTD (sigla para "gira todos os dias"). Depois de ter ouvido os insultos da senhora, e depois de resolvida a confusão, virou-se para ela com um sorriso nada forçado e perguntou: "Quer que lhe traga um copo de água?"
Entre Heathrow e o meu trabalho demorei bastante mais do que o costume, porque a linha principal estava interrompida durante parte do percurso. Enquanto esperava numa estação, a instalação sonora anunciava: "The Piccadilly line is suspended between ... and ... due to a man under a train." É bom manter os utentes informados, mas talvez fosse escusado o detalhe... e até pode dar ideias a quem não ande muito bem.
Finalmente, à chegada a Stratford ouvi um grupo de índios sul-americanos, daqueles que tocam músicas instrumentais em flauta, sobre um fundo de ritmos gravados. E que melodia tocavam eles? "Vamos brindar com vinho verde que é do meu Portugal..." Estão a ver que música é? E apesar de eu estar de bom humor, querem coisa mais deprimente para me receber neste país?

terça-feira, 10 de abril de 2007

Na cadeira da dentista

É um bocado vergonhoso admiti-lo, mas só tinha ido ao dentista uma vez na vida, tinha eu uns 11 anos. Na altura, receitaram-me um aparelho complicadíssimo para endireitar um dente que nem se nota que está torto, e eu achei que não era por aí. E como nunca tive uma dor de dentes, durante 15 anos fiz orelhas moucas ao ditado de que "mais vale prevenir que remediar".
Até que a minha amiga Inês se tornou dentista e andou, qual Carochinha, à procura da melhor maneira de angariar pacientes para a sua nova clínica dentária (sua e do irmão João). Ora, como é proibida a publicidade a actos médicos e as Páginas Amarelas já não são o que eram, nada como a oportunidade de aparecer num blog de grande audiência como é o do Tiago, pensou a Inês. E vai daí lá me pediu que eu lá fosse fazer de cobaia...
Mentira!!! Obviamente... Eu é que lhe pedi que me visse os meus tão ignorados dentes e tive o privilégio de ser o seu primeiro paciente neste novo espaço. E que espaço!, como podem ver pela fotografia. Construído com os mais altos critérios de higiene e segurança, dotado dos equipamentos mais sofisticados do mercado, e com um toque de classe na decoração que torna a outrora desagradável visita ao dentista numa experiência muito prazenteira! E numa localização perfeita, em plena Av. D. João II, na zona norte da Expo, a 300 metros da Gare do Oriente e mesmo em frente ao Instituto Português da Juventude. A dois passos do rio e sempre com muitos lugares para estacionar à porta.
O que espera para marcar a sua consulta? Ligue já o 218963207 e vai ver como os seus dentes lhe agradecem!
Na clínica da Inês e do João, é tratado com precisão!

(Está bem assim, não está, Inês? Assim até escuso de falar aqui das 2 cáries que tinha... tratadas com mestria da tua parte e sem fita da minha, ainda que o primeiro embate com o barulho da broca ainda me esteja aqui a ressoar...)

Em família

Foram 6 dias para retemperar forças para o que quer que aí venha. Com muitos amigos para fora ou noutras andanças, aproveitei para dormir bastante e para passar mais tempo em família (que tal esta foto, hein?).
Mesmo os encontros com amigos foram mais recatados, nada de grandes festas - mas sempre muito bons: um jantar em Almada num restaurante da minha adolescência, um passeio pelo Bairro até à inusitada combinação de Pisang Ambon com tosta mista no Grogs, um lanche na casa que em breve receberá o Rodrigo Maria, um almoço na Expo numa tarde de sol e um jantar disparatado entre pessoas que se conhecem bem demais!
Se voltasse atrás, teria ido à "Páscoa Jovem" de Palmela, uma espécie de retiro onde me poderia concentrar melhor no que realmente se celebrou nestes dias. Mas fica para o próximo ano...
Pela primeira vez, volto para Londres sem ter a próxima visita a casa marcada. Se não conseguir outro trabalho por cá, volto de armas e bagagens no início de Junho. Se conseguir alguma coisa, hei-de gozar umas semanitas de praia a meio do Verão. Ainda não me responderam nada da entrevista a que fui, e eu cada vez mais ansioso...

terça-feira, 3 de abril de 2007

Missão cumprida

Esta manhã tive a entrevista na Commission for Race Equality. Tinha planeado ler várias coisas sobre o assunto para me preparar, mas acabei por ir sem um conhecimento profundo - nada como ser espontâneo e ir sorrindo!
Primeiro deram-me meia hora para preparar uma apresentação baseada num cenário: um dos directores desta Comissão ia ter uma reunião com um novo conselheiro do Governo e eu tinha de lhe preparar um briefing. Depois lá entrei finalmente para uma sala com três entrevistadores. Os primeiros 10 minutos foram para esse exercício e a seguir fizeram-me as mesmas perguntas que eu já tinha respondido na candidatura, ou seja, demonstrar com exemplos da minha experiência como é que eu cumpria os 9 requisitos que eles tinham estipulado para este trabalho. E acho que não me safei mal!
Fiquei com ainda mais vontade de conseguir este trabalho. Ficaria a trabalhar num departamento que analisa as políticas do Governo e faz lobby pela não-discriminação e integração das minorias étnicas. A começar o mais depressa possível e terminar a 30 de Setembro, dia em que esta Comissão se funde com outras na nova Commission for Equality and Human Rights.
Eles ainda iam entrevistar mais 4 ou 5 pessoas, e até quinta-feira davam-me uma resposta. Só espero que a minha segunda entrevista da vida seja tão eficaz como foi a primeira...

No fundo, Lisboa



Encontrei estes cartazes na montra da sapataria Clarks, essa mesma que até há poucos anos tinha a sua principal fábrica em Portugal. Conseguem reconhecer os lugares que aparecem no fundo das fotografias?

Imagens do fim-de-semana

Estes dias com direito a companhia materna souberam muito bem mas passaram num instante!
O primeiro grande momento foi o concerto do coro, na sexta à noite. Além da Mãe, tive muito gosto em ter entre a assistência a Mariana e o Nuno. E depois do concerto, como após cada ensaio, o local de encontro é o pub. "Mas o que é que se faz num pub?", perguntava a Mãe enquanto eu a arrastava para lá. Não quis pedir uma jola, ficou-se por um sumo de cranberry (alguém sabe como se diz em português?). E como tive o bom senso de a resgatar de lá bastante cedo, acho que ficou com a impressão que o ambiente era muito civilizado... hum... adiante!

Montados no nosso Fiat Punto azul cueca, ao som de Mariza e alguns êxitos de outrora, lá partimos para o nosso tour de 500 quilómetros. A primeira paragem foi em Oxford. Havia feira e grupos de danças tradicionais, e antes de almoçarmos fomos visitar o Christ College.

É um dos Colleges mais antigos de Oxford, e sem dúvida o mais importante. Henrique VIII e Lewis Carroll foram alguns dos seus habitantes famosos, mas o que mais me entusiasmava - tenho de confessar - era ver o salão onde se filmavam os banquetes do Harry Potter! Infelizmente estava fechado para um evento e não deu para visitar, mas podem ver que é o edifício que está por trás de nós na fotografia.

A meio da tarde pusemo-nos a caminho de Bath, uma cidade com fontes de água quente que atraiu os romanos, quando por cá andaram, e mais tarde a aristocracia oitocentista estilo-Jane-Austen. Uma cidade bonita, sem dúvida, mas um pouco morta - às 6 da tarde fecharam todas as lojas e cafés! Petiscámos num restaurante latino e fomos mais cedo para a caminha.

O bed & breakfast em que pernoitámos ficou um bocadinho aquém do que auguravam as fotografias na internet e o preço, mas ainda assim valeu mais que não fosse pelo English breakfast.

Como infelizmente tivemos de desmarcar o lanche previsto, optámos por fazer um desvio no trajecto para irmos espreitar os pedregulhos de Stonehenge. Vale pelo mistério de imaginar como foram ali alinhadas aquelas pedras há 5 mil anos, mas na minha opinião acaba por ter mais encanto nos livros do que ao vivo (sobretudo depois de já ter "carimbado" o sítio uma vez).

Para terminar fomos até Windsor. Já lá tinha estado duas vezes, mas nunca tinha entrado no castelo. É uma visita que recomendo. O preço é elevado, mas dá direito a entradas ilimitadas durante um ano. E como já entrámos tarde e as salas iam fechando à nossa passagem, acabámos por ter uma espécie de visita guiada por um dos guardas, que ia contando aspectos curiosos sobre o incêndio que destruiu várias salas em 1992 ou a disco-party que o príncipe William ali deu para comemorar os seus 21 anos.

E aqui está a prova de que a Raínha estava no castelo. Ainda nos convidou para o chá mas estávamos com pressa de voltar para ver o Benfica-Porto.
Mas quando resolvi ir mostrar à Mãe o sítio onde trabalho, no outro extremo de Londres, não previa apanhar tanto trânsito nem perder-me nas ruas da margem sul do rio. Quando chegámos finalmente ao café tuga de Stockwell, só deu mesmo para perguntar qual tinha sido o resultado...

sexta-feira, 30 de março de 2007

Tantas novidades e pouco tempo para escrever!

Caros amigos e fiéis leitores:

Tenho de bazar para casa dentro de poucos minutos mas não queria ir para o fim-de-semana sem vos pôr a par dos últimos desenvolvimentos na minha vida por cá - tem sido uma semana e pêras, a 200 à hora, e a próxima não será menos!

1. A Mãe chegou ontem. Chegámos a casa já depois das 2 da manhã e à nossa espera tínhamos uma deliciosa tarde de limão - um dia destes deixo-vos a receita porque é facílima e é daquelas bombas calóricas que aquecem qualquer coração...
2. Depois do almoço, vou para o concerto do coro (temos um ensaio durante a tarde). Aquilo é um bocado difícil, acho que nalguns momentos vou fazer playback para não dar barraca, mas acreditem que me sinto mesmo privilegiado por poder cantar no meio de vozes tão boas! Pena não poder gravar logo à noite... E vou levar a mãezinha para as tradicionais pints no pub depois do concerto, quero proporcionar-lhe uma London experience com tudo incluído! O mesmo é dizer, na peculiar terminologia do meu Pai, uma estafa...
3. Aluguei um carro para passearmos no fim-de-semana. E como já o fui buscar de manhã cedo, vim para o trabalho de carro, só mesmo pela experiência de guiar na cidade (há malucos para tudo!). Amanhã vamos até Oxford e Bath, onde dormimos; no domingo seguimos para Windsor e vamos terminar em beleza com um chá das cinco em casa de uma grande amiga. Ou quem sabe ainda passamos depois num café tuga para ver o Benfica-Porto.
4. Aqui no trabalho está tudo a querer saltar do barco. O director (segunda figura, abaixo do Chief Executive) saiu agora mesmo - literalmente -, conseguiu outro trabalho e partiu com duras críticas a esta merger que está a entregar de mão beijada os destinos da nossa association aos outros. Na despedida, ontem alugou uma sala de um pub e ofereceu a todos comida e bebida!

O bom disto é que a vice-directora foi promovida a directora, e o cargo de vice-directora ficou para uma senhora do nosso escritório de Berkshire que eu gosto muito, a Sue, a tal que vai muitas vezes para o Algarve. Por isso nos meus últimos tempos por cá vou ter esta companhia e certamente não vou almoçar sozinho nalguns dias!


5. Falando de trabalho, tenho óptimas notícias! Tinha-me candidatado a um trabalho de 6 meses na Commission for Race Equality e fui ontem chamado para uma entrevista na próxima terça! Seria mesmo bom conseguir este trabalho - é um organismo do Governo, por isso seria uma experiência de grande valor, e fica numa zona que eu gosto (London Bridge), muito mais central e cheia de sítios bons para comer!
Se esta hipótese não resultar, tenho também uma proposta para ir trabalhar (em habitação social) para um Council (autarquia), não tão central mas com as regalias da função pública - horário flexível e possibilidade de tirar 2 dias extra de férias por mês (=1 fim-de-semana de praia na Costa) se acumular esse tempo em horas extraordinárias.
E de outra agência onde me inscrevi disseram-me que deviam ter propostas na próxima semana, quando começa cá o ano fiscal e novos orçamentos ficam disponíveis.

Aqui ficam as principais novidades... o almoço fumegante da mamã espera-me! Menino mimado, eu?!...

terça-feira, 27 de março de 2007

Sugestão cultural

Se vives em Londres e não tens planos para esta sexta-feira, aqui fica uma proposta: o meu coro vai dar um concerto em Piccadilly, às 7h30. Em vez de Abba e Britney Spears, desta vez o repertório é clássico, mais adaptado ao tempo da Páscoa, com obras de Pizzetti e Puccini.
Devo dizer-vos que tem sido um desafio bastante grande para mim acertar com a música, mas pelos últimos ensaios acho que vamos dar um belo espectáculo!
Os bilhetes custam £12 para o público em geral, £10 para estudantes - a melhor maneira é comprar-me directamente (manda-me um email), porque no próprio dia na porta é mais caro.
Para além da convidada VIP (a minha mãezinha!), ficaria muito contente se tivesse mais algumas caras conhecidas na plateia.

Tá-se bem em Londres!

Para além da preguiça que sempre me afecta, há outras explicações para ultimamente andar a escrever menos. Uma delas é a procura de trabalho que ocupa boa parte do meu tempo na internet. Outra é a "boa vida" que ultimamente tenho levado. Tenho alargado os meus horizontes a novas companhias e tentado aproveitar ao máximo a oferta inesgotável desta cidade.

Uma coisa boa foi reencontrar a Nayan. Sinto falta das conversas sem tabus que tínhamos cá em casa. Durante muito tempo não nos vimos, mas nestas semanas temo-nos mantido mais em contacto. Ela arranjou agora um novo emprego e tem-me dado boas dicas para a minha procura. Especialmente bons foram um jantar que tivemos no restaurante brasileiro e uma saída com outros indianos a uma discoteca da moda.

Por falar em indianos, há umas semanas o museu Victoria & Albert fez um serão dedicado a Bollywood. Por entre as peças do museu aberto fora de horas, havia comida indiana a ser servida e até um workshop de dança, como as imagens documentam.

É engraçado como Londres tem sido também palco de alguns reencontros. Por exemplo, com a Marta, que estudou Direito comigo e agora está cá a fazer um curso de 6 meses para poder exercer advocacia cá também. Há dias estive em casa dela - mais um ninho de portugueses - e tive direito a uma lasanha deliciosa!

E muito mais tem acontecido: festa latina num barco, festa num bar brasileiro, noites de rock britânico em pubs... E com o tempo a melhorar aos poucos, dá também mais vontade de sair para passear. E saindo há sempre a forte possibilidade de encontrar uma coisa diferente, como a comemoração do dia de St. Patrick em Trafalgar Square ou uma loja que vende comida japonesa barata.
Em suma, 'tá-se bem!

quarta-feira, 21 de março de 2007

Viagem de trabalho e horas extra

O meu trabalho pode ser um bocado chato mas dá-me a oportunidade de viajar de vez em quando. Ontem foi, se não me engano, a quinta vez. Não são propriamente viagens a países exóticos, estadias em hotéis de luxo e faustas refeições à pala, nada disso! Trata-se apenas de uma incursão até à província.
São 40 minutos de comboio desde Paddington até Maidenhead, na província (county) de Berkshire, onde fica o nosso segundo escritório, que zela por cerca de 1200 casas. Desta vez fiz o percurso a ultimar no portátil uma formação que ia fazer (nada de transcendente: como inserir inquéritos numa base de dados, mais adiante explico), por isso pude dar aquele ar cromo de executivo a caminho do trabalho.
Chegado lá, o cenário é bem diferente daqui. Primeiro, a poucos metros do escritório há um campo com pastos a perder de vista. Depois, enquanto que em Londres dois terços dos empregados são de origem africana ou asiática, em Berkshire 90% são senhoras brancas, do tipo bifa simpática que vira lagosta nas praias do Algarve. E no geral é um ambiente mais descontraído, e até tive a sorte de me levarem a almoçar ao pub.
De volta a Londres... Lembram-se de eu falar, já há um ano, de um inquérito que íamos fazer aos nossos moradores, sobre grupo étnico, problemas de saúde, religião, etc? Pois bem, durante vários meses tive aqui na secretária uma pilha com 800 inquéritos preenchidos, à espera de ordens dos directores para seguir com o trabalho. Finalmente, ontem começámos a inserir esses dados na base de dados.
O melhor da história é que são horas extraordinárias, pagas a 150%, e eu sou um dos voluntários, claro está! Faz-me lembrar os tempos do Palácio Foz, em que passava 8 horas por dia a inserir dados pessoais dos jornalistas...

domingo, 18 de março de 2007

Shakira, Shakira

Hoje fui ver a Shakira na Wembley Arena, um espaço semelhante em tamanho ao Pavilhão Atlântico, mesmo ao lado do novo estádio de Wembley que abriu ontem.
Fui com 2 amigas colombianas (a Ana Maria, na foto, e a Marcela, irmã da Catalina) e 3 amigos portugueses (o João, a Luísa e a Fátima). Em boa companhia, portanto!
Para aquecer o ambiente, tivemos meia hora de performance do DJ Cut Chemist, com uma mistura surpreendente de som e imagem, muito bom mesmo!
No final de uma longa espera lá entrou a Shakira em palco, de pies descalzos, com o público predominantemente latino em delírio. Estoy Aqui foi o tema escolhido para abrir o concerto, e de facto ela ali estava, bem à vista, muito descapotável e a dar às ancas - as tais que não mentem - como se não houvesse amanhã! Desculpem a franqueza, mas para um gajo com dois olhinhos na cara, esse foi todo um espectáculo dentro do espectáculo! Es inevitable...
Apesar do público à nossa volta estar quase todo sentado (estamos em Inglaterra, certo?), aproveitei a "embalagem" das minhas companheiras latinas e não parei de dançar e cantar. E, não menos importante, ouvir Shakira fez-me viajar na memória até à Colômbia, onde era presença obrigatória em todas as festas (a música, infelizmente não a própria) e nas nossas viagens de carro, depois de comprarmos um CD com os seus êxitos na praia de Cartagena (tal como a camisola da Colômbia que hoje vesti!). E essa é também uma parte da magia da música, trazer-nos de volta momentos que nos marcaram.
O concerto demorou pouco mais de hora e meia, mas valeu bem a pena! Para além da voz, das hips e do ritmo, a encenação estava muito bem cuidada. Recomendo vivamente que não percam a oportunidade de a ver no Pavilhão Atlântico a 4 de Abril.

Aqui fica o alinhamento do concerto:

- Estoy Aquí
- Don't Bother
- Te Dejo Madrid
- Illegal
- Inevitable
- Si Te Vas
- La Tortura
- No
- Whenever, Wherever
- La Pared
- Underneath Your Clothes
- Pies Descalzos
- Ciega, Sordomuda

Encore:
- Ojos Así
- Hips Don't Lie

segunda-feira, 12 de março de 2007

O meu primeiro artigo

O curso de jornalismo já está a chegar ao fim. Não tenho contado muito porque não tem havido muito a contar. As aulas têm sido muito práticas: a professora fala sobre o tema (ex: estrutura, coluna de opinião, entrevista, crítica) e depois pede-nos para escrever um pequeno artigo e comenta. Na última semana, por exemplo, tínhamos de passar uma notícia de um roubo de um jornal de qualidade para a linguagem de um jornal sensacionalista - talvez devesse ser ao contrário, mas assim foi mais divertido! Já nos falou também de problemas legais (como evitar processos por difamação) e hoje vai-nos dar umas dicas sobre como vender um artigo a um jornal (porque o curso é para futuros freelancers).
Na semana passada tive de entregar um artigo para avaliação. Acabei por fazer sobre o meu coro, pela facilidade em conseguir as necessárias entrevistas em 2 semanas. Preferia ter feito sobre um tema mais surpreendente, mas acabei por jogar pelo seguro.
Acho que lhe posso chamar o meu primeiro artigo. Escrevi umas coisas no jornal da escola preparatória (O Fixe!), de que era o director - ainda guardo com orgulho o crachá que o comprova. Mais tarde escrevi, a pedido, um artigo sobre o MSV para o Jur.nal, o jornal da minha faculdade, que era excelente e não sei como conseguir ser tão preguiçoso para em 5 anos não colaborar mais vezes.
Mas nunca é tarde para começar e espero que este seja o primeiro de muitos. Seria uma óptima actividade para ter paralelamente à profissão. Para já, fica este singelo artigo para ser escalpelizado pela editora do The Times e pelos ainda mais ilustres leitores do blog.

domingo, 11 de março de 2007

Doente, eu?

Alguns amigos brincam comigo por eu nunca ficar doente. Não sei é por ter crescido ao pé do mar, por ter mamado até tarde ou pela dieta rica em açúcar e gorduras, mas devo realmente ter alguma resistência aos vírus. Como qualquer criança, tive papeira e varicela, e as chamadas viroses, que no meu caso se concentravam na altura do Natal (era o nervoso, disse uma vez o pediatra). Mas graças a Deus ainda estou por saber o que são dores de dentes, ouvidos ou garganta, gastro-coisites e outras maleitas comuns. A última gripe atacou-me em 2003 e mesmo a última diarreia (atente-se, dois ou mais episódios seguidos da dita) remonta ao mesmo ano - foi, aliás, o que me impediu de engordar 20kgs na viagem de finalistas.

Nunca faltei ao trabalho por doença, nem percebo como é possível os meus colegas faltarem tanto sem ninguém desconfiar que eles estejam a aldrabar. Sim, porque o ordenado pinga na mesma e ninguém lhes exige atestados.
Mas talvez seja eu que faça uma interpretação restritiva. Para mim, "estar doente" é ficar de cama, com trinta e muitos de febre, tomar antibiótico e ser alimentado a chá e bolachas. Estar constipado ou ter tosse não contam!

Serve todo este intróito para dizer que há coisa de uma semana tive aquela sensação de "estar a ficar doente". Tinha tosse forte, com abundante produção viscosa, e sentia o corpo a ficar mole - em todo o caso, como não tenho cá termómetro para atestar a enfermidade, não há provas de que realmente estive doente! Além do mais, the show must go on, havia toda uma agenda social a cumprir e isso dos comprimidos é uma coisa a evitar, se não um dia quando for mesmo preciso o corpo já não reage. Aliás, para mim quem mete uma aspirina na mala quando vai de férias já entra na classe dos hipocondríacos, e nem sei como qualificar aquelas pessoas que levam todo um saco de remédios sem à partida precisarem.
Passados uns dias a tossir e expectorar, lá me rendi e fui ao Boots, esse misto de farmácia com loja de beleza e supermercado, onde nunca tinha comprado mais que um daqueles produtos para despentear o cabelo e uns "meal deals" (sandes+bebida+doce por £2).
Comprei um xarope e tenho tomado religiosamente de 4 em 4 horas. A tosse já quase parou, e pelo menos já é "seca". E ainda não foi desta que me pude baldar ao trabalho...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Bacalhau com broa

Noite de duelo entre portugueses na Champions League pedia ementa especial, mas claro que a minha habitual eficiência na cozinha deixou o início do repasto para bem depois do apito final no Chelsea-Porto.
O atraso deveu-se sobretudo à minha inexperiência a amanhar o peixe - foi a primeira vez!
Outro dos motivos para tentar um dos meus pratos favoritos foi o facto de ter trazido uma broa de Portugal. Mas já descobri tarde demais que, após uma semana no armário, o bolor tinha conquistado 90% da broa... ficou um restinho para dar um ar da sua graça.
Tirando estes percalços, o bacalhau com grelos e batatas salteadas, regado a Borba branco, satisfez os comensais e quase não sobrou. E é mais um prato a constar do meu ainda curto curriculum culinário.

terça-feira, 6 de março de 2007

Novidades e dilemas

Tenho andado com a cabeça um bocado dispersa por várias frentes e o sacrificado tem sido o blog. Sobretudo porque sabia que o próximo post a escrever teria de ser comprido. Cá vai então!


Soube há 2 semanas que o meu contrato não vai ser prolongado. O contrato era de 18 meses e acaba no dia 25 de Maio. Porque é que não continua?
Em primeiro lugar, a minha housing association está a meio de um processo de fusão com outra semelhante. Uma fusão em que os outros é que dão as cartas - em linguagem de negócios, seria uma OPA hostil! E enquanto o processo se desenrola, há instruções para apertar o cinto, especialmente com o pessoal.
Em segundo lugar, o Chief Executive, que é quem tem a última palavra nas contratações, é um tóino que não percebe muito disto, e nunca entendeu bem para que serve a minha equipa. Há 2 anos, depois de uma inspecção do Governo que apontou várias debilidades de organização nesta association, os directores conseguiram convencê-lo a criar uma equipa que pesquisasse as boas práticas do sector para as aplicar aqui (pondo por escrito o que antes se fazia ad-hoc), que "vigiasse" a performance dos vários departamentos e que centralizasse as reclamações dos residentes. Agora que as coisas estão mais arrumadinhas - mas ainda há tanto por fazer! -, a equipa passa de 4 pessoas para metade (ficam os 2 que eram permanentes).
Vendo bem, para mim até foi bom isto ter acontecido. Há muito que o trabalho deixou de ser desafiante e ultimamente, em virtude da tal merger, o clima aqui anda mau, com o medo do desemprego a pairar sobre quase todos.

E agora, o que fazer: pegar na trouxa e voltar à Pátria, ou tentar outro trabalho por cá?
É verdade que a minha ideia inicial era voltar em Maio, e de certa forma sinto que já cá estive tempo suficiente! Apesar de agora andar na mó de cima, mais ocupado e com novos interesses, ao mesmo tempo sinto cada vez mais falta de Portugal e da minha gente. Começo a cansar-me do pouco sol desta terra, de ter de almoçar todos os dias sozinho e de viver numa casa onde se fala mas raramente se conversa.
Mas há duas razões que me podem levar a ficar cá por mais uns meses.
A primeira é económica: apenas a partir de Janeiro comecei realmente a poupar (até aí todas as poupanças foram para pagar uma dívida que tinha, a viagem à Colômbia e o portátil), e já agora amealhava por mais uns meses.
A segunda é, digamos assim, emocional. Sempre pensei que, na transição entre trabalhos de Londres para Lisboa aproveitaria para fazer uma viagem maiorzita (2 meses?). E dizia emocional porque a melhor de fechar esta etapa internacional com chave de ouro seria ir visitar alguns amigos que fiz por cá no seu habitat natural, sobretudo quando esses habitats são sítios tão interessantes como Chile, Brasil, Peru e talvez Guatemala. E dentro do Brasil, seria também bom dar um pulinho a Montes Claros! Ora, fazer isto já agora no fim do contrato seria estourar com toda a poupança, e além disso está pensado com os amigos latinos encontrarmo-nos no Chile em Dezembro, portanto esse seria o timing ideal para a viagem.
Uma terceira razão, derivada das outras, seria a possibilidade de experimentar outro trabalho, noutra área dentro do "social", por alguns meses.

De maneira que o meu plano A é: arranjar um trabalho temporário até Outubro, passear pela América do Sul os 2 meses seguintes e começar a trabalhar em Portugal em Janeiro. Claro que os empregos são variáveis que eu não posso manipular totalmente, mas quanto mais me "mexer" agora mais hipóteses tenho.
O primeiro passo foi actualizar o meu CV em inglês (que deixo aqui, não vá andar por aí alguém com um óptimo emprego para me oferecer) e mandá-lo para várias agências, deixando bem claro que estou à procura de uma coisa só até Outubro. O feedback que tenho tido é que vai ser fácil conseguir o tal trabalho de 5-6 meses. Já me fizeram algumas propostas (mas trabalhos quase iguais ao que tenho agora) e até têm perguntado se não daria para começar antes de Maio, mas vou esperar mais umas semanas para ver o que aparece e ter por onde escolher.
De qualquer forma, quero também abordar o mercado português (que é como quem diz, fazer alguns contactos). Mais que não seja, para começar a fazer-me conhecido dentro do meio "social" e ficar bem posicionado para Janeiro. Mas se aparecer uma proposta de trabalho irrecusável e inadiável, as razões que descrevi acima passam para segundo plano e volto feliz para Lisboa!

Vamos ver o que a sorte me reserva...
E já sabem: se souberem de alguma coisa, por favor digam-me!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Sempre no ar

Três fins-de-semana seguidos passados fora de Londres: Lisboa, Amesterdão e de novo Lisboa.
Desta vez o pretexto eram os anos da minha Mãe. A fronteira simbólica dos 65 exigia celebração maior, com os tios mais velhos, e o filho mais novo a aparecer de surpresa! E nova surpresa foi o presente dos filhos: uma viagem a Londres, no fim de Março, por ocasião do próximo concerto do meu coro.
Apesar de ter passado o tempo quase todo em reuniões familiares, sobrou a noite de sábado para um pezinho de dança no Loft. O lugar deve estar na moda, dada a concentração de caras conhecidas, mas notáveis mesmo foram os meus companheiros de borga que se aguentaram estóicamente até perto das 6 da matina - nem parecemos os mesmos!
Quanto aos vôos, não tenho nenhuma razão de queixa da Easyjet. É baratinha mas quase sempre cumpre os horários. Não posso falar muito sobre o serviço, porque quase todas as vezes adormeci após apertar o cinto e só acordei no destino! Outra coisa boa é o Easybus, uma carrinha que me leva do centro de Londres a Luton em 45 minutos - e quase sempre era eu o único passageiro, o que significa fazer 70 kms de "táxi" por £8!
Enfim, foi bom passear nestes fins-de-semana mas também me vai saber a pato no próximo poder pôr o sono em dia...

domingo, 25 de fevereiro de 2007

25 de Fevereiro


Fonte, II

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos
, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.

Herberto Hélder

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Tesourinhos deprimentes

Parece que está na moda ir buscar coisas do passado para nos fazer rir ou brilhar os olhos de nostalgia. Tudo isto graças à internet e à possibilidade de qualquer pessoa publicar os seus velhinhos registos VHS em sites como o YouTube.
Na maioria dos casos, os nostálgicos estão na casa dos vintes ou trintas - as crianças dos anos 80! Apesar de termos passado muito mais tempo a brincar na rua que as crianças de hoje, também é verdade que víamos muita televisão. E como só havia 2 canais e não se comprava filmes a granel como agora, acabávamos por ver todos a mesma coisa! Basta ver as nossas reacções histéricas quando numa festa aparece a música do Dartacão, ou a lágrima que nos continua a cair quando lembramos o fim do ET. Recomendo a este propósito os excelentes blogues sobre o tema, como o 80s - a Melhor Década ou o Verdes Anos.
Mas o que tem ganho mais visibilidade é a rubrica dos "Tesourinhos Deprimentes" que os Gato Fedorento têm incluido no seu programa. Todas as semanas mostram hilariantes imagens de arquivo da RTP, tendo como protagonistas figuras tão queridas do nosso imaginário como Luís Pereira de Sousa ou Eládio Clímaco.
Este é o meu preferido: uma aula de auto-defesa dado pelo uma agente da PSP (reparem no cabelo!) no "Olha Que Dois", programa do Goucha e da Teresa Guilherme.
- TOMA, bandido! Agora foge e bate às campaínhas...


Outro fenómeno de revivalismo dá pelo nome de José Cid. Quando se julgava perdido para sempre nos anais da história da música ligeira em Portugal, eis que ressurge com uma espantosa popularidade entre a juventude. Concertos cheios no Maxime, no Casino Lisboa, no Terreiro do Paço... e prova disso é o facto de este videoclip no YouTube já levar cerca de 150 mil visitas!
É uma canção velhinha mas cheia de significado: o marido fiel e dedicado, que sai de manhã para trabalhar, enquanto a mulher cuida dos filhos e prepara-se para uma noite romântica. O clímax é quando ela lhe telefona para o trabalho, a meio da tarde, morta de saudades:
- Não sei viver sem ti, amor. Não sei o que fazer...
Ao que ele responde:
- Faz-me favas com chouriço, o meu prato favorito! Quando chego para jantar quase nem acredito...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Amesterdão

Cheguei há poucas horas de Amesterdão, onde estava desde sábado com 4 amigos portugueses. Como cá não há feriado de Carnaval, preferi poupar um dia de férias e já vir hoje trabalhar - e tem a sua graça a possibilidade de estar a dançar às 2 da manhã num bar holandês e 9 horas depois estar sentado à secretária em Londres (irresponsável, eu?...).

É uma cidade bonita, sem dúvida. Os seus muitos canais, o colorido das fachadas e as pessoas de bicicleta dão-lhe um toque de alegria. Mas ao menos tempo tem o seu quê de deprimente: a luminosidade cinzenta do céu, as meninas nas montras do Red Light District e a pouca gente na rua depois do fim da tarde.


Foi bom sentir-me em casa. Não só porque ficámos na excelente casa de um amigo do João e pudemos estar mais à vontade, mas sobretudo porque o grupo era muito especial, só de pessoas que eu conheço (e me conhecem) muito bem: a Mafalda, a Inês, a Francisca e o João.

Foi bom ver a conversa fluir espontaneamente e (quase) sem tensões, e bom ver que a nossa entrada no mundo do trabalho, cada um em áreas diferentes, gera novos interesses a explorar. E também permite olhar um pouco menos para os preços na ementa (ainda assim foi difícil encontrar sítios mais baratos!).

Depois de visitarmos o Museu Van Gogh e a casa de Anne Frank, de atravessarmos as ruas de comércio e pedalarmos pela cidade, guardámos a segunda-feira para passear de carro pelo sul do país. Aproveitando o facto de as cidades serem pequenas e próximas entre si, fomos a Delft, Rotterdam e Utrecht, e ainda deu para ir ver como são os diques. Com direito a parar para comer poffertjes, a pedir à pelintra para comer as sandes que trazíamos de casa num café de Roterdão e acabar a jantar num restaurante onde o cozinheiro era português.

Para terminar em beleza (eu, que os restantes ainda por lá estão neste momento), tivemos de ir festejar a noite de Carnaval. Eu tinha visto o anúncio de uma festa num bar brasileiro, só que quando lá chegámos percebemos que era noutro dia. Tivemos de ir à procura de outro poiso, mas estava tudo muito morto. Lá encontrámos um pub que tinha música mas estava quase vazio, e o João, que não gosta nada de falar com desconhecidos, foi para a porta chamar as pessoas que iam passando na rua. Em poucos minutos tínhamos o lugar por nossa conta, com as músicas que pedíamos, e ainda deu para repetir a brincadeira noutro bar ao lado.


E depois destes dias intensos, num ambiente que já me fazia falta, confesso que me custou voltar para Londres.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

O melhor do mundo







Depois de semanas de discussões algo pesadas entre graúdos, nada como passar algum tempo na companhia de... bebés!
Que me desculpem os pais pelo uso da imagem, mas é uma forma de partilhar com os leitores a alegria que me dá vê-los crescer.
O Joãozinho, além de andar, já se exprime muito bem, e sabe dizer que o "Agá" (eu!) vem no "vuuuuu" (gesto com a mão a fazer de avião). Por seu lado, o Pedrinho põe o seu sorriso mais aberto quando o padrinho se põe a fazer palhaçadas.
Tio babado, eu?!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Terramoto


Não estava em Portugal para sentir a terra tremer na segunda-feira, mas posso dizer que o abalo de domingo chegou forte aqui a Londres. Apesar de todas as sondagens, acreditava na vitória do 'não'; e como me dizia um amigo, mais valia pensar que íamos ganhar e depois ficar triste e desiludido, do que achar à partida que a derrota era certa e natural.
Se na noite de domingo me surpreendeu a aparente moderação de alguns discursos da esquerda, os jornais dos dias seguintes devolveram-me à realidade: várias clínicas estrangeiras a correrem ao negócio do aborto e os líderes socialistas a meterem o prometido aconselhamento na gaveta.
Outro amigo, bebendo da provocação de Louçã, regozijava-se pelo facto de voto de muitos católicos, segundo eles, ter dado a vitória ao 'sim'. E eu que achava que o aborto não era um assunto religioso... Ok, confesso que preferia que todos os católicos tivessem seguido a opinião da Igreja e dos seus pastores, mas não é só por um voto que os considero maus católicos. Iludidos, talvez. Mas por falar em carneirada, alguém ouviu na campanha a voz de um bloquista ou comunista pelo 'não'?

Em todo o caso valeu a pena! Porque muitos viram pela primeira vez a vida que cresce dentro da barriga, e perceberam que não é uma "coisa". Porque muitas caras novas apareceram nesta campanha (tiro o chapéu ao Pedro Luvumba!) e a política precisa de gente com convicções fortes. Destaco aqui o exemplo dos meus Pais, que nunca antes se meteram em política, e desta vez andaram pela rua a fazer campanha e estiveram nas mesas de voto.
Mas valeu a pena sobretudo porque das sinergias desta campanha vão surgir - tenho a certeza - mais redes de apoio a grávidas em dificuldades. Porque, agora que o aborto é mais fácil, temos ainda mais necessidade de mostrar que a alternativa de ter o bebé é sempre a melhor. E conhecendoo bem muitos dos que estiveram nesta luta, sei que não vamos desmoralizar com o resultado do referendo. E, claro, vamos estar bem atentos à aplicação da nova lei.