sexta-feira, 18 de maio de 2007

2 Pence!

Believe it or not, isto foi o que me custou um vôo de ida e volta para Dublin. É uma promoção da Ryanair, e este é mesmo o preço final - sem taxas sobre o vôo nem sobre o cartão de crédito.
A ideia de irmos passar um dia foi dos novos colegas de trabalho. Ao todo vamos nove, numa quarta-feira daqui a um mês. Eu já estive em Dublin há 3 anos e nem achei tão giro, mas não ia desperdiçar a oportunidade para integrar um programinha de equipa. Estivemos agora num meeting a decidir quem tratava do quê (transportes, comida, programa) e promete!
Ainda só estou cá há uma semana e já me sinto muito à vontade com todos. Foi sem dúvida uma boa mudança.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Madeleine

Desde que cá estou que sempre me habituei a ver notícias sobre portugueses nos jornais. Estou a referir-me sobretudo a José Mourinho e Cristiano Ronaldo, que este ano têm protagonizado o duelo entre os seus clubes em várias competições.
Só que desta vez é bem diferente. O meu país aparece em directo, hora a hora, nas televisões por causa do desaparecimento da pequena Madeleine. Há dias, uma explicação detalhada sobre o sistema penal português e o estatuto de "arguido" trouxe-me à memória as aulas da Faculdade. Mas não, era o noticiário da BBC.
Não me vou deter no que já foi repisado. Que os pais não deviam ter deixado as crianças sozinhas em casa e que no entanto isso não implica que sejam maus pais - nenhum de nós pode garantir que não faria o mesmo, e já bastam os remorsos que os acompanharão para o resto da vida. Que os ingleses nos olham com superioridade - é verdade que no início surgiram algumas críticas, mas no geral toda a gente tem elogiado o esforço da polícia. Que todos os dias desaparecem pessoas e nem por isso os casos têm esta cobertura, ou que se a menina fosse portuguesa ninguém ia ligar - pode ser injusto, mas o importante mesmo é encontrá-la!
E é isto que quero realçar. É verdade que a história vende muitos jornais e que metade das reportagens que vejo "live from Praia da Luz" são só para "encher chouriços". Mas é sobretudo o esforço da família a manter os holofotes no caso. Eles sabem que só enquanto for notícia é que há verdadeira esperança de encontrarem Madeleine. Por isso aqueles pais vão-se expondo à imprensa, sem abusos, enquanto os familiares se desdobram em contactos aqui em Inglaterra, desde estrelas de futebol até ao Parlamento. Se isto levar à descoberta da criança, todas os exageros da cobertura mediática valeram a pena.
Um último comentário mais pessoal. Tem sido um exemplo para mim ver aqueles pais, num momento que podia ser de revolta, a agarrarem-se ainda mais à Fé. Não descansam no que humanamente pode ser feito, mas também não se esquecem de rezar a Quem pode mais que todos. Por cá, quase todas as mensagens de conforto de pessoas anónimas que as televisões vão passando dizem "as nossas orações estão convosco". E eu junto a minha.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Chegou a hora do adeus...

Apesar de eu já estar farto de lá trabalhar, custou-me a despedir da Toynbee. Pelas pessoas, claro. Havia de tudo: homens com turbante, gays, mulheres com cabeça tapada, swingers, chungas, testemunhas de Jeová, ... Mas tudo pessoas com quem me dei bem.
Para agradar a gregos e troianos (leia-se quem bebe e quem não bebe), fiz duas festas de despedida. A primeira parte foi numa sexta à noite, num pub com karaoke em Liverpool Street. Do emprego só foram 7 pessoas (com 2 delas nunca tinha falado antes!), mas foi o suficiente para ter bebido 6 pints sem ter pago nenhuma. E para ajudar a festa tive a companhia da Maria, do Eduardo e da Nayan - com eles acabei a noite num restaurante de Brick Lane.
Mas a celebração mais abrangente foi o almoço do último dia, num restaurante indiano lá ao pé do trabalho. Como podem ver pela foto, já estava mais compostinho. Pena só ter descoberto este sítio no último dia, porque a comida era óptima!

Mas o momento mais emotivo foi ao fim da tarde. Como é costume, quando alguém se ia embora todos são convocados por altifalantes ao seu andar para assistirem à troca de discursos e de presentes. Sim, eles aqui oferecem uma lembrança a quem parte (e flores às senhoras); no meu caso, um vale de £80 do Argos.

Até tinha preparado umas piadas, mas na hora do discurso fiquei sem graça e disse só umas palavras banais. Pelo menos não chorei em frente de toda a gente. No cartão que me deram, várias pessoas comentaram o meu sorriso - na falta de melhor legado, acho que foi a melhor imagem que lá deixei. Uma rapariga comentou que gostava muito de ler as minhas dedicatórias nos cartões das outras pessoas (devo ser o único a não escrever aquelas frases "chapa 5", para mim mensagens pessoais são uma coisa séria!).

Agora que já passou uma semana, posso dizer que me tenho mantido em contacto com alguns, os que interessam. O meu chefe, a quem ofereci um livro sobre a História de Portugal em reconhecimento pelo muito que me ajudou. O Stephen, meu colega de equipa e primeiro amigo gay, com quem tive boas conversas. A Sue, uma senhora mais velha que sempre me tratou com muito carinho. Todos eles vão ficar entre as boas recordações da minha passagem por Inglaterra.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O novo emprego

Já vos queria ter contado aqui como foram os últimos dias no meu anterior emprego mas vou guardar isso para depois.
Comecei ontem aqui em Hackney e as primeiras impressões são as melhores! Posso dizer que é uma estrutura gigante e que as coisas parecem muito bem organizadas, pelo menos para o que eu estava habituado. O Council está dividido em 5 departamentos, e só no meu (Neighbourhoods & Regeneration) trabalham 800 pessoas. Dentro do departamento, estou numa divisão chamada Performance and Strategy, e dentro desta divisão estou na equipa de Service Development. Aqui já somos só 5, todos com menos de 30 anos. A chefe, uma rapariga indiana muito simpática, e 4 rapazes. Um deles, com quem almocei hoje, é filho de um chileno e de uma colombiana. É a minha boa sina!
Ontem ainda vim de comboio mas hoje já vim de bicicleta. É giro chegar aqui de calções e T-shirt, tomar um duche e "pegar ao serviço". O horário é flexível, desde que faça 36 horas por semana e esteja cá entre as 10 e as 16h. Mas vou tentar vir sempre das 8h às 16h, para me sobrar muita tarde para aproveitar. E posso tirar um dia livre por mês se acumular as equivalentes horas extra.
A variedade de sítios para comer aqui à volta é muito grande, e já sabem como isto é importante para mim! Por enquanto tenho-me restringido a sandes, mas já vi por perto um restaurante argentino que tenho de explorar. E como não se pode comer na secretária, há um espaço só com mesas, o que convida a partilhar a hora de almoço com os colegas.
Depois conto melhor o que estou a fazer, por agora queria só dar um cheirinho e dizer que estou contente!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

O meu novo brinquedo


Comprei-a no sábado, em segunda mão, com todos os acessórios necessários: cadeados fortes, luzes e capacete!
Desde então já fiz muitos quilómetros: para sul, para ir a um churrasco; para leste, para ir reconhecer o caminho para o meu trabalho e as redondezas. E é uma enorme sensação de liberdade andar por onde quero, pedalar às tantas da manhã ao pé do Big Ben ou estacionar à porta de qualquer sítio onde vá. Além de que o investimento inicial fica compensado com 3 meses sem comprar passe. E ainda há o exercício físico grátis!
Ok, também há a chuva, as subidas, o pôr e tirar cadeado, o trocar de roupa ao chegar ao emprego... mas por enquanto ainda são só alegrias!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Cafezinho - parte 2

Lembram-se da senhora madeirense de que aqui vos falei na semana passada? Pois bem, nos últimos dias estive várias vezes em contacto com ela, o que significa várias situações hilariantes. Não quero ser mau, a senhora é muito querida e continua a insistir que me leva ao tal café português, mas de tão típica às vezes fico com a sensação de estar a falar com uma personagem do Gato Fedorento!
O factor mais imediato é o seu cerrado sotaque madeirense já impregnado de algumas palavras em inglês. Há dias, depois de ver a casa nova, perguntava-me ao telefone se eu sabia onde ficava a "bolha". E eu para mim, "bolha... bolha... mas que bolha?", até ela me explicar: "a bolha du gás!" E ontem, que ela vinha cá buscar uma chave, telefonou para me dizer: "estou aqui à porta do bild", que é como quem diz, do edifício (building).
Mas o imporante nesta história é que tudo terminou em beleza. Depois de ver a casa que lhe oferecíamos, espaçosa e num prédio novo, a senhora ficou maravilhada e desistiu de interpor o recurso para que lhe reconhecessem o direito a ficar com a mãe. Ou seja, claro que a mãe pode ficar com ela, só não lhe dão uma casa maior. E ela lá me explicou porquê:
- A mãezinha está muito mal... No outro dia fui com ela ao médico e ele disse-me: "Maria, a tua mãe já não vai durar muito. Com a asma e bronquite naquele estado, mais 1 ou 2 anos..." E depois se a mãe morre, para que é que eu quero uma casa com 3 quartos? Nã quero! Assim, temos uma salinha grande, eu ponho lá um divãein para a mãe, faço uns cortinados...
Haja sentido prático da vida! A Maria já está na sua casa nova. E um dia destes lá vou eu comer um prego...

quinta-feira, 26 de abril de 2007

E não é que consegui?

É verdade, consegui um emprego! A partir de 10 de Maio, e por 6 meses, vou trabalhar como "Performance and Policy Officer" no London Borough of Hackney.
Ainda não percebi completamente o que vou fazer, mas pela explicação que me deram parece muito interessante. A autarquia está dividida em 5 departamentos, um dos quais é o de Habitação e Reabilitação Urbana. Este departamento é responsável não só pela habitação social (30 mil casas num concelho com 200 mil habitantes), como também pelo planeamento urbano, ruas e parqueamento, espaços públicos, ambiente, segurança e transportes. A minha função é prestar apoio a essas áreas: medir e avaliar a performance, projectar alterações aos serviços e assegurar que acompanham os pressupostos do Governo. Apesar de ser no mesmo género do anterior, parece, no entanto, bastante mais variado, e numa organização muito maior. A minha equipa, que é nova, deve vir a ter 50 pessoas e o chefe que me entrevistou (um rapaz de trinta e picos) pareceu-me muito porreiro.
A entrevista foi muito descontraída. Era ele e outra senhora, fizeram-me algumas perguntas, poucas, sobre o meu trabalho actual, e explicaram em que consistia o trabalho lá. Isto porque, ao contrário do habitual, em que uma pessoa vai para a entrevista já a saber ao pormenor em que consiste a função e o perfil que procuram, quando fui para lá ia um bocado no escuro. No fim, perguntaram se eu estaria interessado. Depois entrevistaram um segundo candidato e passado 2 horas já tinha a resposta.
O único senão é a zona ser à mesma um bocado fora de mão. Tinha fantasiado trabalhar na zona mais central, com vista para o Big Ben ou perto das lojas mais fashion - esquece lá isso! E um aumento de 10% no fim do mês até ajuda a esquecer... Mas é uma zona em transformação, cheia de restaurantes dos vários pontos do mundo e com um parque mesmo ao lado, o que é óptimo no Verão. O edifício também é moderno, um amplo open space com vários computadores em fila. E tem uma boa loja de sandes muito perto, onde vendem pastéis de nata! E por que não dizê-lo, a secretária do chefe é gira.
Ainda me falta saber alguns pormenores. O horário, por exemplo. Para lá chegar, é o mesmo caminho que faço agora, a única diferença é que saio do comboio 3 paragens antes; em alternativa, tenho um autocarro de porta a porta que demora 45-50 minutos, ou posso até pensar em arranjar uma bicicleta e demorar apenas meia hora.
Por agora, apesar de a vontade ser pouca, vou-me concentrar em acabar as tarefas que tenho no meu actual emprego. Só mesmo por causa do meu manager, que foi impecável comigo em todo este processo. E pelo menos já não tenho de perder tempo a procurar trabalho...

terça-feira, 24 de abril de 2007

E como vamos de trabalho?

Eis a questão do momento, visto que de amanhã a 1 mês é o meu último dia de contrato.
Em relação à entrevista de que aqui vos falei antes, já passaram 3 semanas, já me fartei de lhes telefonar e mandar mails, e nunca mais me disseram nada, pelo que naturalmente concluo que não fiquei com esse trabalho. Paciência...
A boa notícia é que tenho amanhã outra entrevista! E desta vez somos só dois, por isso tenho à partida 50% de hipóteses. O emprego é numa autarquia - a cidade de Londres está dividida em 32 Boroughs -, nomeadamente o Borough de Hackney. É o segundo mais pobre de Londres mas nos últimos anos tem tido vários projectos de renovação, além de estar também dentro da área a ser beneficiada para os Jogos Olímpicos. E este trabalho é na área de estratégia e "fiscalização de performance" do Departamento de Habitação e Reabilitação Urbana. Não deve ser muito diferente do que faço agora, mas é pelo menos numa organização muito maior e do sector público. E o contrato é por 3 a 6 meses, a começar o mais depressa possível, por isso encaixa perfeitamente nos meus planos.
Fora isto, tenho estado em contacto com várias agências de emprego. Umas gabam-se de trabalhar com o Governo e grandes organizações, mas até ao momento ainda não me propuseram nada. Outras têm-me falado de alguns trabalhos, mas todos muito fora de mão e com salários abaixo do que quero. Mas a qualquer momento podem sempre vir boas propostas.
Entretanto, no meu trabalho actual atravessam-se tempos estranhos. A vice-directora que tinha sido promovida a directora (uma senhora polaca e lésbica com quem tive boas discussões sobre religião) também já anunciou que vai sair daqui a 1 mês. Para o lugar de director vem um dos chefes da outra organização com quem nos vamos fundir, o que mostra bem quem manda nisto.
O Chief Executive, que não quis prolongar o meu contrato, acabou por aceitar que contratassem outra pessoa para o meu lugar. O meu manager ficou muito chateado com esta situação, diz que isto não faz sentido e que "não me queria perder". Quando fez as entrevistas na semana passada tinha uma esperança que todos os candidatos fossem maus, para assim ter um argumento para me manter no lugar (apesar de eu lhe dizer que dificilmente estaria interessado). Acabou por escolher uma rapariga que começa em breve, mas logo nesse dia disse-me que o fazia "with a tear in my heart" (com uma lágrima no coração).
É um bom homem, tenho tido muitas provas disso. Uma delas é que, apesar de a minha entrevista amanhã ser só à 1h30 da tarde, ele disse-me que escusava de cá aparecer de manhã. Wish me luck!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

"...para um cafezinho"

Mais uma vez fui chamado para servir de intérprete aqui no trabalho. Desta vez era uma senhora madeirense na casa dos quarentas. Vive cá há 15 anos. Tem 2 filhas, de um casamento já terminado, e uma mãe a chegar aos 80. A velhota vivia com uma enteada na Madeira, mas há 10 anos começou a ter problemas de saúde e a filha foi lá buscá-la. Vivem agora as quatro numa casa de 2 quartos.
Candidatou-se a uma casa maior, mas a autarquia (que gere a habitação social) recusou-lhe o pedido porque a mãe não era parte do agregado original e achavam que ela podia voltar para a Madeira. Mas lá já não tem nem casa nem quem cuide dela.
Apareceu cá hoje porque vai mudar para uma casa "nossa", mas do mesmo tamanho. E eu tinha de lhe explicar o que tinha de fazer para pedir um recurso da decisão da autarquia. Difícil mesmo vai ser provar que a mãe já não tem nada de seu em Portugal, mas eu disse-lhe que ia pedir conselhos a amigos advogados. Como resistir a ajudar uma conterrânea, ainda para mais com uma agenda com um Cristo na capa, daqueles que mudam de posição quando se mexe de um lado para o outro?
Mas a parte divertida, para além do sotaque arrevesado, foi quando as inglesas que estavam connosco saíram da sala e ficámos só os dois. Aí ela abriu a bolsa, tirou uma nota de 10 libras e ia para metê-la no meu bolso. "É para ir tomar um cafezinho..." Claro que não aceitei, disse-lhe que o fazia de boa vontade, mas lá que me ri cá para dentro...

terça-feira, 17 de abril de 2007

Pé de atleta

Mudei de ginásio. O anterior era pago pelo emprego, por isso não dava para continuar, e de qualquer maneira há muito que lá não ia. Preferi apostar num mais XPTO, onde tenho ido quase todos os dias! Além do incentivo forte de me estar a sair do bolso, meti-me num programa "Get Results" em 3 meses, que implica um programa de acção por objectivos e encontros frequentes com um personal trainer. Tenho corrido 5kms todos os dias, feito aulas de body pump, body combat, abs blast, ... Ena ena!
Apesar de ainda não ter conseguido baixar dos 80kgs (muito graças à overdose de açúcar nas férias da Páscoa), tenho baixado a "massa gorda" e já noto à frente as formas um pouco menos arredondadas, ainda que a léguas infinitas de um six-pack! Mas nem tudo são rosas.
Desde que estou neste país que me espanta como os locais conseguem ir para chuveiros públicos sem chinelos. Na residência onde morava, em que o mesmo chuveiro era partilhado por 20, achava incrível como eles podiam meter os pés num chão cheio de vestígios dos vizinhos. E mesmo num ginásio onde (ao contrário do anterior) toda a gente tem bom aspecto, a esmagadora maioria não vê o nojo que isso implica.
Dito isto, tenho de reconhecer que as minhas fiéis Havaianas não foram protecção suficiente. Há uma semana comecei com comichões nos pés, depois ardores, até que o Rui, experiente nestas coisas do desporto, me fez o diagnóstico inequívoco: pé de atleta! Pudera, com tantas patitas sujas a pisar em todo o lado, as bactérias devem andar por lá aos saltos...
Não que seja assim tão chato, um bocado de Canesten e a coisa vai ao sítio, mas não deixa de ser irónico que eu, o Sr. Não-Toco-Com-o-Pé-No-Chão (nem na minha própria casa!), tenha sido afinal infectado...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

A viagem de regresso

Ao contrário das vezes anteriores, na semana passada soube-me bem voltar a Londres. Estava (e tem estado) bom tempo e trazia na mala uma série de projectos para os meses que se seguem(emprego, cursos, relações, ginásio...). E pela primeira vez, vim sem trazer a próxima visita a Portugal marcada.
Três pequenos incidentes, chamemos-lhe assim, marcaram a viagem de terça passada.
No avião, uma fila à minha frente estava a saída de emergência. Não sei se sabem, mas quem aí se senta tem de cumprir uma série de requisitos extra de segurança - uma vez a hospedeira até me perguntou se eu estaria à vontade para abrir aquela porta, se fosse necessário. Ora, uma senhora chica-esperta que ia nessa fila resolveu fazer birra de menina só porque lhe pediram que vestisse (ou tirasse) o casaco, em vez de o levar aos ombros. Está certo que não era uma grave ameaça à segurança dos passageiros, mas regras são regras, sobretudo dentro de um avião. Várias hospedeiras lhe pediram o mesmo e ela disse sempre que não, em maus modos; queixou-se do atraso do vôo (tinham estado a mudar uma roda do trem de aterragem), porque tinha uma reunião em Londres, e chegou até a chamar-lhes nomes. Típica pessoa em que o alto cargo que atingiu não tapa a falta de chá em pequena. Veio a "hospedeira-chefe", pregou-lhe um raspanete educado e preencheu uma queixa contra a senhora. Aí foi vê-la mudar de atitude, pedir desculpa e quase implorar para a outra retirar a queixa. Duma multa não se livra, e é bem feito! Não suporto as pessoas que se acham importantes e no fundo são apenas mal-educadas.
Nesta história que agitou boa parte do vôo naquelas filas (teve a sua piada, tenho de admitir), de louvar o profissionalismo de uma das hospedeiras, uma rapariga nova que para mais era GTD (sigla para "gira todos os dias"). Depois de ter ouvido os insultos da senhora, e depois de resolvida a confusão, virou-se para ela com um sorriso nada forçado e perguntou: "Quer que lhe traga um copo de água?"
Entre Heathrow e o meu trabalho demorei bastante mais do que o costume, porque a linha principal estava interrompida durante parte do percurso. Enquanto esperava numa estação, a instalação sonora anunciava: "The Piccadilly line is suspended between ... and ... due to a man under a train." É bom manter os utentes informados, mas talvez fosse escusado o detalhe... e até pode dar ideias a quem não ande muito bem.
Finalmente, à chegada a Stratford ouvi um grupo de índios sul-americanos, daqueles que tocam músicas instrumentais em flauta, sobre um fundo de ritmos gravados. E que melodia tocavam eles? "Vamos brindar com vinho verde que é do meu Portugal..." Estão a ver que música é? E apesar de eu estar de bom humor, querem coisa mais deprimente para me receber neste país?

terça-feira, 10 de abril de 2007

Na cadeira da dentista

É um bocado vergonhoso admiti-lo, mas só tinha ido ao dentista uma vez na vida, tinha eu uns 11 anos. Na altura, receitaram-me um aparelho complicadíssimo para endireitar um dente que nem se nota que está torto, e eu achei que não era por aí. E como nunca tive uma dor de dentes, durante 15 anos fiz orelhas moucas ao ditado de que "mais vale prevenir que remediar".
Até que a minha amiga Inês se tornou dentista e andou, qual Carochinha, à procura da melhor maneira de angariar pacientes para a sua nova clínica dentária (sua e do irmão João). Ora, como é proibida a publicidade a actos médicos e as Páginas Amarelas já não são o que eram, nada como a oportunidade de aparecer num blog de grande audiência como é o do Tiago, pensou a Inês. E vai daí lá me pediu que eu lá fosse fazer de cobaia...
Mentira!!! Obviamente... Eu é que lhe pedi que me visse os meus tão ignorados dentes e tive o privilégio de ser o seu primeiro paciente neste novo espaço. E que espaço!, como podem ver pela fotografia. Construído com os mais altos critérios de higiene e segurança, dotado dos equipamentos mais sofisticados do mercado, e com um toque de classe na decoração que torna a outrora desagradável visita ao dentista numa experiência muito prazenteira! E numa localização perfeita, em plena Av. D. João II, na zona norte da Expo, a 300 metros da Gare do Oriente e mesmo em frente ao Instituto Português da Juventude. A dois passos do rio e sempre com muitos lugares para estacionar à porta.
O que espera para marcar a sua consulta? Ligue já o 218963207 e vai ver como os seus dentes lhe agradecem!
Na clínica da Inês e do João, é tratado com precisão!

(Está bem assim, não está, Inês? Assim até escuso de falar aqui das 2 cáries que tinha... tratadas com mestria da tua parte e sem fita da minha, ainda que o primeiro embate com o barulho da broca ainda me esteja aqui a ressoar...)

Em família

Foram 6 dias para retemperar forças para o que quer que aí venha. Com muitos amigos para fora ou noutras andanças, aproveitei para dormir bastante e para passar mais tempo em família (que tal esta foto, hein?).
Mesmo os encontros com amigos foram mais recatados, nada de grandes festas - mas sempre muito bons: um jantar em Almada num restaurante da minha adolescência, um passeio pelo Bairro até à inusitada combinação de Pisang Ambon com tosta mista no Grogs, um lanche na casa que em breve receberá o Rodrigo Maria, um almoço na Expo numa tarde de sol e um jantar disparatado entre pessoas que se conhecem bem demais!
Se voltasse atrás, teria ido à "Páscoa Jovem" de Palmela, uma espécie de retiro onde me poderia concentrar melhor no que realmente se celebrou nestes dias. Mas fica para o próximo ano...
Pela primeira vez, volto para Londres sem ter a próxima visita a casa marcada. Se não conseguir outro trabalho por cá, volto de armas e bagagens no início de Junho. Se conseguir alguma coisa, hei-de gozar umas semanitas de praia a meio do Verão. Ainda não me responderam nada da entrevista a que fui, e eu cada vez mais ansioso...

terça-feira, 3 de abril de 2007

Missão cumprida

Esta manhã tive a entrevista na Commission for Race Equality. Tinha planeado ler várias coisas sobre o assunto para me preparar, mas acabei por ir sem um conhecimento profundo - nada como ser espontâneo e ir sorrindo!
Primeiro deram-me meia hora para preparar uma apresentação baseada num cenário: um dos directores desta Comissão ia ter uma reunião com um novo conselheiro do Governo e eu tinha de lhe preparar um briefing. Depois lá entrei finalmente para uma sala com três entrevistadores. Os primeiros 10 minutos foram para esse exercício e a seguir fizeram-me as mesmas perguntas que eu já tinha respondido na candidatura, ou seja, demonstrar com exemplos da minha experiência como é que eu cumpria os 9 requisitos que eles tinham estipulado para este trabalho. E acho que não me safei mal!
Fiquei com ainda mais vontade de conseguir este trabalho. Ficaria a trabalhar num departamento que analisa as políticas do Governo e faz lobby pela não-discriminação e integração das minorias étnicas. A começar o mais depressa possível e terminar a 30 de Setembro, dia em que esta Comissão se funde com outras na nova Commission for Equality and Human Rights.
Eles ainda iam entrevistar mais 4 ou 5 pessoas, e até quinta-feira davam-me uma resposta. Só espero que a minha segunda entrevista da vida seja tão eficaz como foi a primeira...

No fundo, Lisboa



Encontrei estes cartazes na montra da sapataria Clarks, essa mesma que até há poucos anos tinha a sua principal fábrica em Portugal. Conseguem reconhecer os lugares que aparecem no fundo das fotografias?

Imagens do fim-de-semana

Estes dias com direito a companhia materna souberam muito bem mas passaram num instante!
O primeiro grande momento foi o concerto do coro, na sexta à noite. Além da Mãe, tive muito gosto em ter entre a assistência a Mariana e o Nuno. E depois do concerto, como após cada ensaio, o local de encontro é o pub. "Mas o que é que se faz num pub?", perguntava a Mãe enquanto eu a arrastava para lá. Não quis pedir uma jola, ficou-se por um sumo de cranberry (alguém sabe como se diz em português?). E como tive o bom senso de a resgatar de lá bastante cedo, acho que ficou com a impressão que o ambiente era muito civilizado... hum... adiante!

Montados no nosso Fiat Punto azul cueca, ao som de Mariza e alguns êxitos de outrora, lá partimos para o nosso tour de 500 quilómetros. A primeira paragem foi em Oxford. Havia feira e grupos de danças tradicionais, e antes de almoçarmos fomos visitar o Christ College.

É um dos Colleges mais antigos de Oxford, e sem dúvida o mais importante. Henrique VIII e Lewis Carroll foram alguns dos seus habitantes famosos, mas o que mais me entusiasmava - tenho de confessar - era ver o salão onde se filmavam os banquetes do Harry Potter! Infelizmente estava fechado para um evento e não deu para visitar, mas podem ver que é o edifício que está por trás de nós na fotografia.

A meio da tarde pusemo-nos a caminho de Bath, uma cidade com fontes de água quente que atraiu os romanos, quando por cá andaram, e mais tarde a aristocracia oitocentista estilo-Jane-Austen. Uma cidade bonita, sem dúvida, mas um pouco morta - às 6 da tarde fecharam todas as lojas e cafés! Petiscámos num restaurante latino e fomos mais cedo para a caminha.

O bed & breakfast em que pernoitámos ficou um bocadinho aquém do que auguravam as fotografias na internet e o preço, mas ainda assim valeu mais que não fosse pelo English breakfast.

Como infelizmente tivemos de desmarcar o lanche previsto, optámos por fazer um desvio no trajecto para irmos espreitar os pedregulhos de Stonehenge. Vale pelo mistério de imaginar como foram ali alinhadas aquelas pedras há 5 mil anos, mas na minha opinião acaba por ter mais encanto nos livros do que ao vivo (sobretudo depois de já ter "carimbado" o sítio uma vez).

Para terminar fomos até Windsor. Já lá tinha estado duas vezes, mas nunca tinha entrado no castelo. É uma visita que recomendo. O preço é elevado, mas dá direito a entradas ilimitadas durante um ano. E como já entrámos tarde e as salas iam fechando à nossa passagem, acabámos por ter uma espécie de visita guiada por um dos guardas, que ia contando aspectos curiosos sobre o incêndio que destruiu várias salas em 1992 ou a disco-party que o príncipe William ali deu para comemorar os seus 21 anos.

E aqui está a prova de que a Raínha estava no castelo. Ainda nos convidou para o chá mas estávamos com pressa de voltar para ver o Benfica-Porto.
Mas quando resolvi ir mostrar à Mãe o sítio onde trabalho, no outro extremo de Londres, não previa apanhar tanto trânsito nem perder-me nas ruas da margem sul do rio. Quando chegámos finalmente ao café tuga de Stockwell, só deu mesmo para perguntar qual tinha sido o resultado...

sexta-feira, 30 de março de 2007

Tantas novidades e pouco tempo para escrever!

Caros amigos e fiéis leitores:

Tenho de bazar para casa dentro de poucos minutos mas não queria ir para o fim-de-semana sem vos pôr a par dos últimos desenvolvimentos na minha vida por cá - tem sido uma semana e pêras, a 200 à hora, e a próxima não será menos!

1. A Mãe chegou ontem. Chegámos a casa já depois das 2 da manhã e à nossa espera tínhamos uma deliciosa tarde de limão - um dia destes deixo-vos a receita porque é facílima e é daquelas bombas calóricas que aquecem qualquer coração...
2. Depois do almoço, vou para o concerto do coro (temos um ensaio durante a tarde). Aquilo é um bocado difícil, acho que nalguns momentos vou fazer playback para não dar barraca, mas acreditem que me sinto mesmo privilegiado por poder cantar no meio de vozes tão boas! Pena não poder gravar logo à noite... E vou levar a mãezinha para as tradicionais pints no pub depois do concerto, quero proporcionar-lhe uma London experience com tudo incluído! O mesmo é dizer, na peculiar terminologia do meu Pai, uma estafa...
3. Aluguei um carro para passearmos no fim-de-semana. E como já o fui buscar de manhã cedo, vim para o trabalho de carro, só mesmo pela experiência de guiar na cidade (há malucos para tudo!). Amanhã vamos até Oxford e Bath, onde dormimos; no domingo seguimos para Windsor e vamos terminar em beleza com um chá das cinco em casa de uma grande amiga. Ou quem sabe ainda passamos depois num café tuga para ver o Benfica-Porto.
4. Aqui no trabalho está tudo a querer saltar do barco. O director (segunda figura, abaixo do Chief Executive) saiu agora mesmo - literalmente -, conseguiu outro trabalho e partiu com duras críticas a esta merger que está a entregar de mão beijada os destinos da nossa association aos outros. Na despedida, ontem alugou uma sala de um pub e ofereceu a todos comida e bebida!

O bom disto é que a vice-directora foi promovida a directora, e o cargo de vice-directora ficou para uma senhora do nosso escritório de Berkshire que eu gosto muito, a Sue, a tal que vai muitas vezes para o Algarve. Por isso nos meus últimos tempos por cá vou ter esta companhia e certamente não vou almoçar sozinho nalguns dias!


5. Falando de trabalho, tenho óptimas notícias! Tinha-me candidatado a um trabalho de 6 meses na Commission for Race Equality e fui ontem chamado para uma entrevista na próxima terça! Seria mesmo bom conseguir este trabalho - é um organismo do Governo, por isso seria uma experiência de grande valor, e fica numa zona que eu gosto (London Bridge), muito mais central e cheia de sítios bons para comer!
Se esta hipótese não resultar, tenho também uma proposta para ir trabalhar (em habitação social) para um Council (autarquia), não tão central mas com as regalias da função pública - horário flexível e possibilidade de tirar 2 dias extra de férias por mês (=1 fim-de-semana de praia na Costa) se acumular esse tempo em horas extraordinárias.
E de outra agência onde me inscrevi disseram-me que deviam ter propostas na próxima semana, quando começa cá o ano fiscal e novos orçamentos ficam disponíveis.

Aqui ficam as principais novidades... o almoço fumegante da mamã espera-me! Menino mimado, eu?!...

terça-feira, 27 de março de 2007

Sugestão cultural

Se vives em Londres e não tens planos para esta sexta-feira, aqui fica uma proposta: o meu coro vai dar um concerto em Piccadilly, às 7h30. Em vez de Abba e Britney Spears, desta vez o repertório é clássico, mais adaptado ao tempo da Páscoa, com obras de Pizzetti e Puccini.
Devo dizer-vos que tem sido um desafio bastante grande para mim acertar com a música, mas pelos últimos ensaios acho que vamos dar um belo espectáculo!
Os bilhetes custam £12 para o público em geral, £10 para estudantes - a melhor maneira é comprar-me directamente (manda-me um email), porque no próprio dia na porta é mais caro.
Para além da convidada VIP (a minha mãezinha!), ficaria muito contente se tivesse mais algumas caras conhecidas na plateia.

Tá-se bem em Londres!

Para além da preguiça que sempre me afecta, há outras explicações para ultimamente andar a escrever menos. Uma delas é a procura de trabalho que ocupa boa parte do meu tempo na internet. Outra é a "boa vida" que ultimamente tenho levado. Tenho alargado os meus horizontes a novas companhias e tentado aproveitar ao máximo a oferta inesgotável desta cidade.

Uma coisa boa foi reencontrar a Nayan. Sinto falta das conversas sem tabus que tínhamos cá em casa. Durante muito tempo não nos vimos, mas nestas semanas temo-nos mantido mais em contacto. Ela arranjou agora um novo emprego e tem-me dado boas dicas para a minha procura. Especialmente bons foram um jantar que tivemos no restaurante brasileiro e uma saída com outros indianos a uma discoteca da moda.

Por falar em indianos, há umas semanas o museu Victoria & Albert fez um serão dedicado a Bollywood. Por entre as peças do museu aberto fora de horas, havia comida indiana a ser servida e até um workshop de dança, como as imagens documentam.

É engraçado como Londres tem sido também palco de alguns reencontros. Por exemplo, com a Marta, que estudou Direito comigo e agora está cá a fazer um curso de 6 meses para poder exercer advocacia cá também. Há dias estive em casa dela - mais um ninho de portugueses - e tive direito a uma lasanha deliciosa!

E muito mais tem acontecido: festa latina num barco, festa num bar brasileiro, noites de rock britânico em pubs... E com o tempo a melhorar aos poucos, dá também mais vontade de sair para passear. E saindo há sempre a forte possibilidade de encontrar uma coisa diferente, como a comemoração do dia de St. Patrick em Trafalgar Square ou uma loja que vende comida japonesa barata.
Em suma, 'tá-se bem!

quarta-feira, 21 de março de 2007

Viagem de trabalho e horas extra

O meu trabalho pode ser um bocado chato mas dá-me a oportunidade de viajar de vez em quando. Ontem foi, se não me engano, a quinta vez. Não são propriamente viagens a países exóticos, estadias em hotéis de luxo e faustas refeições à pala, nada disso! Trata-se apenas de uma incursão até à província.
São 40 minutos de comboio desde Paddington até Maidenhead, na província (county) de Berkshire, onde fica o nosso segundo escritório, que zela por cerca de 1200 casas. Desta vez fiz o percurso a ultimar no portátil uma formação que ia fazer (nada de transcendente: como inserir inquéritos numa base de dados, mais adiante explico), por isso pude dar aquele ar cromo de executivo a caminho do trabalho.
Chegado lá, o cenário é bem diferente daqui. Primeiro, a poucos metros do escritório há um campo com pastos a perder de vista. Depois, enquanto que em Londres dois terços dos empregados são de origem africana ou asiática, em Berkshire 90% são senhoras brancas, do tipo bifa simpática que vira lagosta nas praias do Algarve. E no geral é um ambiente mais descontraído, e até tive a sorte de me levarem a almoçar ao pub.
De volta a Londres... Lembram-se de eu falar, já há um ano, de um inquérito que íamos fazer aos nossos moradores, sobre grupo étnico, problemas de saúde, religião, etc? Pois bem, durante vários meses tive aqui na secretária uma pilha com 800 inquéritos preenchidos, à espera de ordens dos directores para seguir com o trabalho. Finalmente, ontem começámos a inserir esses dados na base de dados.
O melhor da história é que são horas extraordinárias, pagas a 150%, e eu sou um dos voluntários, claro está! Faz-me lembrar os tempos do Palácio Foz, em que passava 8 horas por dia a inserir dados pessoais dos jornalistas...

domingo, 18 de março de 2007

Shakira, Shakira

Hoje fui ver a Shakira na Wembley Arena, um espaço semelhante em tamanho ao Pavilhão Atlântico, mesmo ao lado do novo estádio de Wembley que abriu ontem.
Fui com 2 amigas colombianas (a Ana Maria, na foto, e a Marcela, irmã da Catalina) e 3 amigos portugueses (o João, a Luísa e a Fátima). Em boa companhia, portanto!
Para aquecer o ambiente, tivemos meia hora de performance do DJ Cut Chemist, com uma mistura surpreendente de som e imagem, muito bom mesmo!
No final de uma longa espera lá entrou a Shakira em palco, de pies descalzos, com o público predominantemente latino em delírio. Estoy Aqui foi o tema escolhido para abrir o concerto, e de facto ela ali estava, bem à vista, muito descapotável e a dar às ancas - as tais que não mentem - como se não houvesse amanhã! Desculpem a franqueza, mas para um gajo com dois olhinhos na cara, esse foi todo um espectáculo dentro do espectáculo! Es inevitable...
Apesar do público à nossa volta estar quase todo sentado (estamos em Inglaterra, certo?), aproveitei a "embalagem" das minhas companheiras latinas e não parei de dançar e cantar. E, não menos importante, ouvir Shakira fez-me viajar na memória até à Colômbia, onde era presença obrigatória em todas as festas (a música, infelizmente não a própria) e nas nossas viagens de carro, depois de comprarmos um CD com os seus êxitos na praia de Cartagena (tal como a camisola da Colômbia que hoje vesti!). E essa é também uma parte da magia da música, trazer-nos de volta momentos que nos marcaram.
O concerto demorou pouco mais de hora e meia, mas valeu bem a pena! Para além da voz, das hips e do ritmo, a encenação estava muito bem cuidada. Recomendo vivamente que não percam a oportunidade de a ver no Pavilhão Atlântico a 4 de Abril.

Aqui fica o alinhamento do concerto:

- Estoy Aquí
- Don't Bother
- Te Dejo Madrid
- Illegal
- Inevitable
- Si Te Vas
- La Tortura
- No
- Whenever, Wherever
- La Pared
- Underneath Your Clothes
- Pies Descalzos
- Ciega, Sordomuda

Encore:
- Ojos Así
- Hips Don't Lie

segunda-feira, 12 de março de 2007

O meu primeiro artigo

O curso de jornalismo já está a chegar ao fim. Não tenho contado muito porque não tem havido muito a contar. As aulas têm sido muito práticas: a professora fala sobre o tema (ex: estrutura, coluna de opinião, entrevista, crítica) e depois pede-nos para escrever um pequeno artigo e comenta. Na última semana, por exemplo, tínhamos de passar uma notícia de um roubo de um jornal de qualidade para a linguagem de um jornal sensacionalista - talvez devesse ser ao contrário, mas assim foi mais divertido! Já nos falou também de problemas legais (como evitar processos por difamação) e hoje vai-nos dar umas dicas sobre como vender um artigo a um jornal (porque o curso é para futuros freelancers).
Na semana passada tive de entregar um artigo para avaliação. Acabei por fazer sobre o meu coro, pela facilidade em conseguir as necessárias entrevistas em 2 semanas. Preferia ter feito sobre um tema mais surpreendente, mas acabei por jogar pelo seguro.
Acho que lhe posso chamar o meu primeiro artigo. Escrevi umas coisas no jornal da escola preparatória (O Fixe!), de que era o director - ainda guardo com orgulho o crachá que o comprova. Mais tarde escrevi, a pedido, um artigo sobre o MSV para o Jur.nal, o jornal da minha faculdade, que era excelente e não sei como conseguir ser tão preguiçoso para em 5 anos não colaborar mais vezes.
Mas nunca é tarde para começar e espero que este seja o primeiro de muitos. Seria uma óptima actividade para ter paralelamente à profissão. Para já, fica este singelo artigo para ser escalpelizado pela editora do The Times e pelos ainda mais ilustres leitores do blog.

domingo, 11 de março de 2007

Doente, eu?

Alguns amigos brincam comigo por eu nunca ficar doente. Não sei é por ter crescido ao pé do mar, por ter mamado até tarde ou pela dieta rica em açúcar e gorduras, mas devo realmente ter alguma resistência aos vírus. Como qualquer criança, tive papeira e varicela, e as chamadas viroses, que no meu caso se concentravam na altura do Natal (era o nervoso, disse uma vez o pediatra). Mas graças a Deus ainda estou por saber o que são dores de dentes, ouvidos ou garganta, gastro-coisites e outras maleitas comuns. A última gripe atacou-me em 2003 e mesmo a última diarreia (atente-se, dois ou mais episódios seguidos da dita) remonta ao mesmo ano - foi, aliás, o que me impediu de engordar 20kgs na viagem de finalistas.

Nunca faltei ao trabalho por doença, nem percebo como é possível os meus colegas faltarem tanto sem ninguém desconfiar que eles estejam a aldrabar. Sim, porque o ordenado pinga na mesma e ninguém lhes exige atestados.
Mas talvez seja eu que faça uma interpretação restritiva. Para mim, "estar doente" é ficar de cama, com trinta e muitos de febre, tomar antibiótico e ser alimentado a chá e bolachas. Estar constipado ou ter tosse não contam!

Serve todo este intróito para dizer que há coisa de uma semana tive aquela sensação de "estar a ficar doente". Tinha tosse forte, com abundante produção viscosa, e sentia o corpo a ficar mole - em todo o caso, como não tenho cá termómetro para atestar a enfermidade, não há provas de que realmente estive doente! Além do mais, the show must go on, havia toda uma agenda social a cumprir e isso dos comprimidos é uma coisa a evitar, se não um dia quando for mesmo preciso o corpo já não reage. Aliás, para mim quem mete uma aspirina na mala quando vai de férias já entra na classe dos hipocondríacos, e nem sei como qualificar aquelas pessoas que levam todo um saco de remédios sem à partida precisarem.
Passados uns dias a tossir e expectorar, lá me rendi e fui ao Boots, esse misto de farmácia com loja de beleza e supermercado, onde nunca tinha comprado mais que um daqueles produtos para despentear o cabelo e uns "meal deals" (sandes+bebida+doce por £2).
Comprei um xarope e tenho tomado religiosamente de 4 em 4 horas. A tosse já quase parou, e pelo menos já é "seca". E ainda não foi desta que me pude baldar ao trabalho...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Bacalhau com broa

Noite de duelo entre portugueses na Champions League pedia ementa especial, mas claro que a minha habitual eficiência na cozinha deixou o início do repasto para bem depois do apito final no Chelsea-Porto.
O atraso deveu-se sobretudo à minha inexperiência a amanhar o peixe - foi a primeira vez!
Outro dos motivos para tentar um dos meus pratos favoritos foi o facto de ter trazido uma broa de Portugal. Mas já descobri tarde demais que, após uma semana no armário, o bolor tinha conquistado 90% da broa... ficou um restinho para dar um ar da sua graça.
Tirando estes percalços, o bacalhau com grelos e batatas salteadas, regado a Borba branco, satisfez os comensais e quase não sobrou. E é mais um prato a constar do meu ainda curto curriculum culinário.

terça-feira, 6 de março de 2007

Novidades e dilemas

Tenho andado com a cabeça um bocado dispersa por várias frentes e o sacrificado tem sido o blog. Sobretudo porque sabia que o próximo post a escrever teria de ser comprido. Cá vai então!


Soube há 2 semanas que o meu contrato não vai ser prolongado. O contrato era de 18 meses e acaba no dia 25 de Maio. Porque é que não continua?
Em primeiro lugar, a minha housing association está a meio de um processo de fusão com outra semelhante. Uma fusão em que os outros é que dão as cartas - em linguagem de negócios, seria uma OPA hostil! E enquanto o processo se desenrola, há instruções para apertar o cinto, especialmente com o pessoal.
Em segundo lugar, o Chief Executive, que é quem tem a última palavra nas contratações, é um tóino que não percebe muito disto, e nunca entendeu bem para que serve a minha equipa. Há 2 anos, depois de uma inspecção do Governo que apontou várias debilidades de organização nesta association, os directores conseguiram convencê-lo a criar uma equipa que pesquisasse as boas práticas do sector para as aplicar aqui (pondo por escrito o que antes se fazia ad-hoc), que "vigiasse" a performance dos vários departamentos e que centralizasse as reclamações dos residentes. Agora que as coisas estão mais arrumadinhas - mas ainda há tanto por fazer! -, a equipa passa de 4 pessoas para metade (ficam os 2 que eram permanentes).
Vendo bem, para mim até foi bom isto ter acontecido. Há muito que o trabalho deixou de ser desafiante e ultimamente, em virtude da tal merger, o clima aqui anda mau, com o medo do desemprego a pairar sobre quase todos.

E agora, o que fazer: pegar na trouxa e voltar à Pátria, ou tentar outro trabalho por cá?
É verdade que a minha ideia inicial era voltar em Maio, e de certa forma sinto que já cá estive tempo suficiente! Apesar de agora andar na mó de cima, mais ocupado e com novos interesses, ao mesmo tempo sinto cada vez mais falta de Portugal e da minha gente. Começo a cansar-me do pouco sol desta terra, de ter de almoçar todos os dias sozinho e de viver numa casa onde se fala mas raramente se conversa.
Mas há duas razões que me podem levar a ficar cá por mais uns meses.
A primeira é económica: apenas a partir de Janeiro comecei realmente a poupar (até aí todas as poupanças foram para pagar uma dívida que tinha, a viagem à Colômbia e o portátil), e já agora amealhava por mais uns meses.
A segunda é, digamos assim, emocional. Sempre pensei que, na transição entre trabalhos de Londres para Lisboa aproveitaria para fazer uma viagem maiorzita (2 meses?). E dizia emocional porque a melhor de fechar esta etapa internacional com chave de ouro seria ir visitar alguns amigos que fiz por cá no seu habitat natural, sobretudo quando esses habitats são sítios tão interessantes como Chile, Brasil, Peru e talvez Guatemala. E dentro do Brasil, seria também bom dar um pulinho a Montes Claros! Ora, fazer isto já agora no fim do contrato seria estourar com toda a poupança, e além disso está pensado com os amigos latinos encontrarmo-nos no Chile em Dezembro, portanto esse seria o timing ideal para a viagem.
Uma terceira razão, derivada das outras, seria a possibilidade de experimentar outro trabalho, noutra área dentro do "social", por alguns meses.

De maneira que o meu plano A é: arranjar um trabalho temporário até Outubro, passear pela América do Sul os 2 meses seguintes e começar a trabalhar em Portugal em Janeiro. Claro que os empregos são variáveis que eu não posso manipular totalmente, mas quanto mais me "mexer" agora mais hipóteses tenho.
O primeiro passo foi actualizar o meu CV em inglês (que deixo aqui, não vá andar por aí alguém com um óptimo emprego para me oferecer) e mandá-lo para várias agências, deixando bem claro que estou à procura de uma coisa só até Outubro. O feedback que tenho tido é que vai ser fácil conseguir o tal trabalho de 5-6 meses. Já me fizeram algumas propostas (mas trabalhos quase iguais ao que tenho agora) e até têm perguntado se não daria para começar antes de Maio, mas vou esperar mais umas semanas para ver o que aparece e ter por onde escolher.
De qualquer forma, quero também abordar o mercado português (que é como quem diz, fazer alguns contactos). Mais que não seja, para começar a fazer-me conhecido dentro do meio "social" e ficar bem posicionado para Janeiro. Mas se aparecer uma proposta de trabalho irrecusável e inadiável, as razões que descrevi acima passam para segundo plano e volto feliz para Lisboa!

Vamos ver o que a sorte me reserva...
E já sabem: se souberem de alguma coisa, por favor digam-me!