New York
Já passou mais de um mês, mas aqui ficam as imagens e impressões de uma semana em Nova Iorque (não é estranho o aportuguesamento de York?). Tinha lá estado há 4 anos, também em Julho, por isso já sabia ao que ia: muito calor e humidade a tolherem-me os movimentos, e alguma claustrofobia/vertigens-mas-ao-contrário de andar no meio dos arranha-céus. Mas sem dúvida que é uma cidade muito especial, e desta vez até gostei mais, provavelmente por ter estado com amigos que lá vivem e poder assim beneficiar do seu inside knowledge.Anfitriã. A primeira referência tem de ser para a Migalha, que foi muito generosa em receber-nos aos 3 (fui com o Eduardo e o Juan) na sua casa. Ela está lá a fazer o doutoramento em biologia molecular, num dos melhores centros de investigação sobre o cancro. O apartamento está muito bem localizado, fica a poucos quarteirões do Central Park. Nos primeiros dias o calor lá dentro era insuportável, mas depois chegou o ar condicionado e tudo mudou. Além de nos receber, foi uma óptima companhia de jantares e passeios, sempre descontraída e cheia de perguntas pertinentes.
Ferry. No primeiro dia de passeio, fizemos o que muitos turistas fazem. Na ponta sul de Manhattan há um ferry grátis que leva para um dos subúrbios (Staten Island). Ora, grátis e a passar junto da Estátua da Liberdade, querem melhor? Ainda tentámos explorar um pouco do outro lado, mas era um lugar muito feio - picámos o ponto num bar dodgy e voltámos.
Cultura. Desta vez pude ir a todos os museus que tinha falhado na primeira vez. Passámos várias horas no Metropolitan e no MoMA, a explorar excelentes colecções de arte moderna. No Guggenheim, vimos uma exposição da arquitecta Zaha Hadid, que me fez pensar que em tudo há que aprender - tal como aprendemos a ler ou a falar outras línguas, também para entender a arte é preciso dominar a linguagem do artista. E mesmo com umas luzes, muitas vezes não chego lá! Já "papei" muitos museus, já consigo identificar o traço de vários pintores, mas ainda tenho muito para aprender, nomeadamente a focar a atenção nos pormenores. Mas são campos que me despertam cada vez mais interesse.
Compras. Há que reconhecer que NY é um shopping em ponto grande e vale a pena aproveitar os preços mais baixos. O melhor lugar que encontrámos foi a Century 21, mesmo ao lado do buraco deixado pelas torres gémeas - roupas de marca em barda, a um terço do preço. E é difícil resistir à febre consumista - comprei sapatos, calções, calças, camisas... E na loja da Apple perdi-me de amores por um portátil que vai substituir dentro de poucos o que se me avariou - é uma óptima opção de marketing deixarem as pessoas usar livremente a internet na loja!
JJ. Estudou História, depois veio para Londres fazer um Master em Urbanismo (na turma do Eduardo) e agora quer tirar Direito. Faz tudo parte do seu plano pessoal para um dia chegar a Mayor de New Jersey, e ele leva-o muito a sério! É uma personagem, com o sotaque e os gostos da um americano tradicional. E foi com todo o entusiasmo que cumpriu a promessa de nos levar a passear pela sua cidade, do outro lado do rio Hudson, e a comer um almoço com bifes XXL.
Andrew. Também foi colega do Eduardo na LSE, mas este encarna mais o espírito cool da vida nova-iorquina. Vive com a namorada num apartamento de Manhattan, daqueles com escadas de emergência metálicas, como nas séries de televisão, e trabalha para a autoridade cultural de NY. Levou-nos a passear pelos lugares da moda em Lower Manhattan e levou-nos também a um bar que fica numa praia improvisada na margem do rio, em Queens - esse foi o fim-de-tarde perfeito para um dia com muito calor.

The city that never sleeps. Esta é uma grande vantagem de NY em relação a Londres. Comer fora de horas? No problem! Ir ao supermercado a meio da noite? Há vários. Ver os emails às 2 da manhã? Temos a Apple Store. Como voltamos para casa? O metro, ainda que muito sujo, nunca pára.
The end. É bem mais fácil escrever isto a poucos dias de ir de férias de novo... mas depois destes 20 dias pelas Américas não me apetecia nada voltar para Londres. Sobretudo por aquele espírito teenager de 24/7: sempre programas novos, sempre bem acompanhado... Nunca me aconteceu fartar-me duma viagem e ter vontade de regressar! Mas a vida não é só férias, é preciso ter a rotina do trabalho pelo meio, não só para podermos amealhar o suficiente para as próximas férias mas também para darmos mais valor a estes tempos fora do tempo.


Assim que este grupo de amigos nasceu em Paris, logo foi baptizado de "Los Cerotes", ou para ser mais preciso, "Los Cerotes y Niñas", porque a Cata e a Natalia também fazem parte. Até tivemos direito a um PowerPoint preparado pela Natalia em que fazia uma lista das características de tais criaturas (nós), com algumas fotos bem sugestivas.

Sexta aproveitámos para ir ver a nova colecção da Tate Modern, depois jantámos optimamente no meu
No sábado fizemos um churrasco lá em casa. Tinha sido ideia minha, não só para aproveitar o facto de ser Verão e termos um quintal para usufruir, mas também para tentar dinamizar novas amizades. Éramos sobretudo portugueses, chilenos e colombianos, e resultou numa noite muito cosy. Um dos chilenos dizia-me, no fim, que a nossa casa era para ele um "oásis" em Londres, o lugar onde se sentia melhor. E já combinei começar a jogar à bola todas as semanas com os colombianos.
Para terminar em beleza, a Ana cozinhou-nos ontem uma pasta deliciosa, com pesto e sundried tomatoes. E partiu para outras viagens. Pode ser que volte em breve, assim espero!
A cerimónia era à uma da tarde e a noiva não se atrasou muito. O vestido era simples, como se quer, e muito giro! E a missa foi exactamente igual ao que seria em Portugal.
Às cinco da tarde já estava tudo a dançar, ora ao som da banda, ora ao som do DJ. E a festa durou até à uma, o que não sendo muito tarde, ainda assim implica muitas horas de baile (de novo ballenatos, de novo reggaeton). Foi uma grande festa!






Tentámos estar o máximo de tempo na praia. Era o único sítio onde se aguentava um calor próximo dos 30ºC com muita humidade.
Mais para o fim da tarde íamos visitar a ciudad vieja, que fica entre muralhas. Ruas estreitas, casas coloridas, igrejas antigas, largos com esplanadas, lojas de artesanato, bons restaurantes...
Mas para ser turista há que sofrer. O calor apertava demais para andar a ver a cidade. A provação maior foi o castelo de San Felipe, onde o guia nos meteu por uns túneis onde a humidade devia estar a 200%.

Daqui partem várias ruas com casas mais antigas, de varandas tradicionais, no chamado Barrio de Candelária. Por aí visitámos um museu muito bom, com um grande espólio de Boteros e outros grandes pintores contemporâneos. Outro ponto alto do dia foi quando parámos para comer obleos, duas bolachas fininhas com muito doce de leite (Arequipe) por dentro. Uma deliciosa bomba de açúcar!






Fomos dançando ritmos latinos e reggaeton, entre brindes de aguardiente, cada vez mais animados. À entrada tinham dado um apito a cada um, e por várias vezes o DJ pediu que ensaiássemos a barulheira para a chegada da "meia-noite" (que ia ser por volta das 2 da manhã). Quando chegou esse momento, distribuiram balões compridos e garrafas de champanhe por toda a sala. No palco, um grupo de anões fazia um número de dança - weird! Mas eu que nem acho muita piada às passagens de ano "normais", achei esta muito mais divertida!

Pelas ruas da cidade circulam autocarros muito coloridos, que competem entre si para ver quem dá mais nas vistas, como se ter autocolantes com frases ou elerons (?) no tejadilho fosse a chave para atrair para mais clientes.
No centro da cidade está a Plaza Botero, com muitas esculturas dele, e o Museo de Antioquia, que visitámos na sexta-feira, enquanto os nossos amigos trabalhavam. Na zona dos principais serviços, há uma praça muito simpática com árvores e uns laguitos onde nos pudemos refrescar, porque na cidade faz calor (mas agradável) todo o ano.
Nós também subimos, claro, e que alto que aquilo foi - ai as vertigens! -, sempre rente às casas. Mas compensou ficar com as mãos suadas, porque a vista lá de cima era linda!

Ontem o casamento da Catalina foi cinco estrelas: os noivos estavam felizes, a missa foi bonita, o almoco estava óptimo e depois foi bailar até cair! Estava com a expectativa de ver como seria um casamento noutro país, mas foi tudo muito parecido com os de Portugal. Na realidade, e tirando a música que aqui é quase só latina, tenho achado tudo aqui muito familiar, e é muito bom sentir-me quase como em casa!

