terça-feira, 26 de setembro de 2006

Marisa Monte

Um belíssimo concerto: a voz cristalina, os efeitos das luzes, os braços dela sempre ao ritmo da música... As músicas dos 2 álbuns lançados este ano passaram quase todas: Vilarejo, Vem Saber e Meu Canário são as minhas preferidas. Mas o que fez o público levantar-se das cadeiras para dançar foram alguns êxitos mais antigos, como Não Vai Embora e os êxitos dos Tribalistas.
Realmente a música é uma linguagem muito forte! Traduz sentimentos que também são nossos, leva-nos até às memórias de outras vezes que escutámos as mesmas canções... e consegue fazer-nos arrepiar. E pelo menos a mim dá-me sempre a vontade de ser um dos músicos que estão no palco.

Um pé lá e outro cá

Assim foi o fim-de-semana.
Sair do trabalho em direcção ao aeroporto já não tem nada de novo. Dormir a viagem inteira, tal como depois fiz no regresso. Cumprir a promessa de comer a bela da francesinha em Vila do Conde.
No sábado, o tal encontro de família, desta vez com 133 pessoas. Muitos olhos no Pedrinho e os devidos parabéns para os papás. Depois da missa e do almoço, mostrei um Power Point para explicar às pessoas como podem colaborar no site da família, um dos meus projectos que espero agora ganhe outro fôlego. E para terminar, o tradicional jogo de futebol, mas com um pouco menos de garra, pareceu-me - muitos veteranos se foram retirando e os novos ainda estão muito verdes. Mas depois de terminada a festa, só deu para jantar com os meus pais, faltou um bocado mais de socialização...

E no domingo o almoço já foi na minha casa de Camden. Estava lá em casa a Marcela, irmã da Catalina, e depois de almoço o Eduardo e eu fomos levá-la à residência onde vai ficar. Mas como a tarde estava bonita, o passeio não ficou por aí. Fomos até à beira do rio, onde parámos a beber uma pint com a vista que aqui vos mostro. Ainda que cada vez mais ecoe na minha cabeça o refrão do Variações "só estou bem aonde não estou", são estes os momentos que me fazem perceber que por enquanto ainda estou bem aqui. E melhor ainda depois do fish and chips com que terminámos o dia.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Ao encontro da família

Quando disse aqui no trabalho que hoje ia a Portugal, eles fizeram uma cara espantada: "Again?!"
Pois é, à noite já estarei com os meus pais a jantar uma francesinha em Vila do Conde. Isto porque amanhã temos o anual encontro de família em Famalicão.
O meu avô (o senhor baixinho que aparece no centro da foto) teve 17 filhos. Como vários destes filhos também foram bem generosos na prole, hoje somos 59 netos, 78 bisnetos e 8 trinetos. Com os respectivos, somos cerca de 200 pessoas.
E devido aos 50 anos de intervalo entre o primeiro e o último filhos do meu avô, a confusão entre gerações é bastante grande: o meu tio mais velho já é bisavô, enquanto os tios mais novos continuam a ter filhos... Por isso os novos rebentos vão-se somando aos vários níveis da árvore genealógica. Só nos últimos meses nasceu um neto, um bisneto e um trineto.
E quem é este trineto? O Pedrinho, meu afilhado! Sim, porque nos últimos anos tive a alegria de ter um amigo a participar de pleno direito nestes encontros familiares, que acho que ainda o deixam um pouco esgotado, não é Pedro? É que para quem entra, são muitos beijinhos e "passou-bens" a gente que não se faz ideia de onde aparece! Mas com os anos as caras vão-se tornando familiares...
Assim, amanhã espera-se um dia bem animado, e depois eu conto como foi.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Procura-se...


Um post mais leve agora, mas nem por isso menos importante!
Daqui a pouco mais de 2 semanas vou a Lisboa comemorar o meu 26º aniversário. Faço anos num domingo, mas a minha ideia é dar uma festa no sábado, dia 7. E, como todos os anos, aqui fica a questão: alguém sabe de um lugar onde eu a possa fazer?
O ideal seria um bar, onde já tudo estivesse "pronto a usar" e não fosse preciso preparar nada nem arrumar no fim. Mas uma condição importante era que me deixassem pôr a música, para ser uma festa mais pessoal! Claro que outras soluções são de considerar, mas por enquanto é disto que estou à procura. Pode ser em Lisboa ou na Costa, ou perto. Dão-se alvíssaras a quem me descobrir o lugar perfeito...

Oi

Não gosto de ficar tantos dias sem escrever, que me desculpem os leitores mais assíduos. Não faltam assuntos, nem falta tempo, mas nem sempre há inspiração para o fazer.
Tenho andado demasiado absorto a tentar perceber o que espero de Londres neste momento. Estou um bocado descontente com o trabalho, parece-me chato, mas por outro lado toda a gente passa por esta fase e este tempo é bom para poupar algum dinheiro. Será que deveria procurar outro?
Algumas vezes deixo-me condicionar pela nostalgia dos tempos de estudante, e isso acaba por fazer-me mal - se o passado foi bom, há que ficar feliz e não triste, e o futuro é o que está por construir. Parece simples, mas tem-me levado tempo a entender!

Entretanto, tive a oportunidade de passar boa parte do último fim-de-semana com o meu amigo P.P., que veio cá poucos dias antes de entrar para os jesuítas. E é giro como aqui parece que temos todo o tempo do mundo para conversar, que não há uma próxima actividade para onde correr, como normalmente em Lisboa. As conversas ficam guardadas no coração, mas o orgulho na coragem da sua decisão e a promessa de rezar por ele nestes tempos podem ficar aqui documentados.

E que mais? Nos próximos dias chega a Londres a irmã da Catalina, vem estudar na LSE. E há novas compatriotas para conhecer. Daqui a 2 dias vou passar o fim-de-semana ao Porto com a família e na segunda é o concerto da Marisa Monte. E hoje devo finalmente ter o meu Apple arranjado! Tudo motivos para sorrir.

Esta é só uma noite para partilhar
qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
num lugar a salvo para onde correr
quando nada bate certo
e se fica a céu aberto
sem saber o que fazer

Esta é só uma noite para comemorar
qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
um lugar pra nós onde demorar
quando nada faz sentido
e se fica mais perdido
e se anseia pelo abraço de um amigo

* Pode ser simples, mas a Mafalda Veiga continua a fazer sentido para mim. Hoje fez.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Menino de coro

Durante 10 anos estudei música. Aprendi piano e teoria com a D. Judite, uma professora entusiasmada e exigente, que continuava a ensinar já na casa dos oitenta. Eu devo ter sido o seu último aluno, e no dia do seu funeral prometi que não ia deixar nunca a música.
Nesses anos todos de aulas, nunca consegui ganhar disciplina para me sentar todos os dias ao piano e estudar, e ao tocar faltava-me algum sentimento. Tens de arranjar uma namorada, dizia-me ela. Por sua insistência, ainda cheguei a fazer um exame no Conservatório, mas foi, juntamente com Processo Civil, a única coisa a que chumbei. Ainda assim, não me frustra tanto saber que não fui, nem virei a ser, um virtuoso do piano.
O que eu gostei mesmo foi de aprender a teoria da música, perceber a sucessão quase matemática, mas sempre aberta ao imprevisto, das harmonias. Reconhecer os sons, ler pautas, cantar afinado. Essa base tem-me sido preciosa para tirar acordes de ouvido para a guitarra e fazer vozes em coros ad-hoc para casamentos. E a isto se resumia a minha actividade musical até ontem.
A meio do Verão decidi procurar um coro. Era uma maneira de pôr a render esse talento e também de conhecer novas pessoas. O meu amigo Google deu-me várias hipóteses de escolha, mas a que mais me interessou foi um coro que ensaiava a escassos metros de minha casa e que publicitava uma boa vida social entre os seus membros.
Ontem fui pela primeira vez a um ensaio, à experiência, e acho que é para ficar! Eram 15 a 20 pessoas, quase todos abaixo dos 40. Se aqui no emprego o que não faltam são caras feias, ali toda a gente tinha pinta: lavadinhos, bem vestidos e com caras sorridentes - e nem vestígios de uma miúda feita, eram todas giras!
Quando cheguei, estavam nos exercícios de aquecimento, não só vocais mas também físicos (ginástica e até massagens!). Como era o primeiro ensaio para o próximo concerto (em Novembro, acho), o director apresentou reportório e avisou logo que ia ser um bocado diferente dos clássicos habituais. Passou-nos para as mãos um livro de partituras dos Abba, e lá fomos nós: Money money money, Thank you for the music... Não é de longe um dos meus grupos favoritos, mas aquilo cantado a 4 vozes tem outra pinta! E para a semana vamos juntar a Bohemian Raphsody dos Queen, e até Britney Spears, ao reportório.
O único problema é que, enquanto que todos os outros são uns cromos e apanham as notas todas
à primeira, eu estava muito enferrujado e andei um bocado perdido, mas nada que não se resolva com a prática. E também não tenho o vozeirão de alguns que lá estavam, mas essa é a vantagem de um coro - não é preciso ser um às, desde que possa contribuir para o colectivo!
No intervalo serviram café e biscoitos, e no final fomos quase todos até ao pub - how British! De onde és?, o que fazes?, como descobriste este coro?, as apresentações habituais. E todos me acolheram muito bem.
Parece que foi uma escolha acertada, e com muito para explorar!

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Tudo na mesma ou tudo diferente?

Muitas das vezes que fui de férias a Portugal nestes 2 anos voltei com a sensação de por lá estar "tudo na mesma". É, aliás, a resposta mais habitual quando pergunto a alguém se há novidades. Mas desta vez tive uma percepção diferente. Não que tenha havido um surto anormal de mudanças nos últimos meses, acho que fui eu a dar outra atenção às coisas.
O crescimento dos sobrinhos (é estranho já não poder dizer as sobrinhas) é o sinal mais evidente dessas mudanças, está bem à vista. Dos amigos, já quase ninguém estuda, e alguns conseguiram entretanto bons empregos. Uns já vivem por sua conta, outros preparam-se para o fazer. Entre os "emparelhados", fala-se cada vez mais em casar e ter filhos. Um grande amigo vai entrar para jesuíta.
Tudo isto fez-me pensar nos meus projectos. Às vezes preciso de um empurrão de fora para me questionar: até quando devo ficar por cá, o que quero fazer a seguir... Sinto-me enriquecido pela experiência no estrangeiro, e falo agora da vida profissional, mas não me sinto ainda "encarreirado". Terei tempo para experimentar várias coisas.
Mas ainda me falta cerca de 1 ano por estas bandas, e tenho muita vontade de segurar esse presente com garra! Para evitar que a vida só avance na pátria e que por aqui fique tudo na mesma.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Acabou-se o que era doce

Foram só 2 semanas mas pareceu mais, de tão bem que me soube estar com a família e os amigos, estar de papo para o ar na praia, guiar o meu carro, comer e beber à boa maneira portuguesa. Mais do que grandes festas e ajuntamentos (que também os houve!), estas férias foram sobretudo feitas de momentos simples, encontros mais pessoais, conversas mais prolongadas. E também do dolce fare niente!
Mas eis que é chegado o tempo de voltar. Por enquanto a minha primeira morada continua a ser mais a Norte. E também é bom rever as caras que me acompanham por cá, tentar entregar-me com mais garra ao trabalho e a novos projectos, e voltar a estar por minha conta. Vamos a isto!

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Ponto final

Lembro-me de ter 15 anos, em plena queda do cavaquismo, e de poupar no almoço às sextas-feira para poder ir à papelaria em frente da escola comprar O Independente. Lia com atenção as notícias corrosivas, sempre com trocadilhos por título, e passava as aulas da tarde a ler a revista, com os artigos irreverentes sobre a sociedade e as colunas de opinião do Miguel Esteves Cardoso, do Domingos Amaral, da Constança Cunha e Sá...
Há muito que O Independente já não era carne nem peixe. Já não era o jornal que fazia o Governo tremer, já não tinha todas as estrelas de outros tempos e já não ditava modas. Ainda assim era um espaço mais à direita que vai fazer falta, neste país onde a orientação política dos jornais raramente é assumida (em Inglaterra isso é mais transparente). Pode ser que venha outro.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Sem nuvens

Desde que aterrei no sábado ainda não vi uma nuvem no céu. Pode ser exagero, mas não deve andar muito longe da realidade. E com a temperatura sempre acima dos 30ºC, tem sido pouca a vontade de sair da Costa, pelo menos enquanto é dia.
É bom estar em casa. E um prolongamento da casa, a 10 minutos de distância, é a praia, onde tento passar o máximo de tempo. De manhã com os irmãos e as sobrinhas, à tarde com os amigos que aparecem. O sol na pele e a água fria nos ossos repõem os níveis de energia e positividade puídos pelo cinzento de Londres. À noite, há sempre o aconchego de uma mesa à espera: a mesa da família reunida, a mesa dos jantares com 20 pessoas na aldeia do meu imaginário, a mesa descoberta do Buenos Aires ou a mesa cuidada e acolhedora da varanda do Vasco. Sinto-me descansado, despreocupado e simples - é isto estar de férias!
Fala-se cada vez mais de casas novas, casamentos e bebés. A idade é realmente outra...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Postais de Gales

O prometido é devido! Aqui ficam algumas imagens do fim-de-semana passado em Gales.

Vejam só o nome destas terras!

Ovelhas por todo o lado...

...e também cavalos selvagens!

Foi sem dúvida um fim-de-semana em boa companhia! ;)

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

O que me espera em Lisboa

- Os meus pais que já não me vêem desde Maio (são só 3 meses, mas foi o máximo que já estive fora)
- As minhas sobrinhas curiosas de saber se desta vez vou com ou sem barba
- As últimas gracinhas do meu sobrinho
- A praia com as crianças
- As festas da Vermelha (10 anos depois!)
- A praia com o meu irmão
- Algumas festas de anos do melhor!
- A praia com amigos
- Alguns jantares e conversas saborosas (muita coisa se passou por lá nos últimos meses!)
- A praia com quem estiver, ou até sozinho
- Os passeios à noite pela Costa, com direito a gelado e/ou fartura
- A praia e o mar, ai que fome que eu tenho!
- Calções e havaianas o tempo todo (aqui já ando de manga comprida, vejam só!)
- O meu novo portátil Apple!
- A praia e o sol, para me sair esta branquidão
- Os anos do meu irmão e as festas da Moita
- Um casamento para acabar em beleza
- E que tal um pouco mais de praia?

É JÁ AMANHÃ!!!

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.

Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.

Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Desperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?

Fernando Pessoa

terça-feira, 22 de agosto de 2006

New York

Já passou mais de um mês, mas aqui ficam as imagens e impressões de uma semana em Nova Iorque (não é estranho o aportuguesamento de York?). Tinha lá estado há 4 anos, também em Julho, por isso já sabia ao que ia: muito calor e humidade a tolherem-me os movimentos, e alguma claustrofobia/vertigens-mas-ao-contrário de andar no meio dos arranha-céus. Mas sem dúvida que é uma cidade muito especial, e desta vez até gostei mais, provavelmente por ter estado com amigos que lá vivem e poder assim beneficiar do seu inside knowledge.

Anfitriã. A primeira referência tem de ser para a Migalha, que foi muito generosa em receber-nos aos 3 (fui com o Eduardo e o Juan) na sua casa. Ela está lá a fazer o doutoramento em biologia molecular, num dos melhores centros de investigação sobre o cancro. O apartamento está muito bem localizado, fica a poucos quarteirões do Central Park. Nos primeiros dias o calor lá dentro era insuportável, mas depois chegou o ar condicionado e tudo mudou. Além de nos receber, foi uma óptima companhia de jantares e passeios, sempre descontraída e cheia de perguntas pertinentes.

Ferry. No primeiro dia de passeio, fizemos o que muitos turistas fazem. Na ponta sul de Manhattan há um ferry grátis que leva para um dos subúrbios (Staten Island). Ora, grátis e a passar junto da Estátua da Liberdade, querem melhor? Ainda tentámos explorar um pouco do outro lado, mas era um lugar muito feio - picámos o ponto num bar dodgy e voltámos.

Cultura. Desta vez pude ir a todos os museus que tinha falhado na primeira vez. Passámos várias horas no Metropolitan e no MoMA, a explorar excelentes colecções de arte moderna. No Guggenheim, vimos uma exposição da arquitecta Zaha Hadid, que me fez pensar que em tudo há que aprender - tal como aprendemos a ler ou a falar outras línguas, também para entender a arte é preciso dominar a linguagem do artista. E mesmo com umas luzes, muitas vezes não chego lá! Já "papei" muitos museus, já consigo identificar o traço de vários pintores, mas ainda tenho muito para aprender, nomeadamente a focar a atenção nos pormenores. Mas são campos que me despertam cada vez mais interesse.

Compras. Há que reconhecer que NY é um shopping em ponto grande e vale a pena aproveitar os preços mais baixos. O melhor lugar que encontrámos foi a Century 21, mesmo ao lado do buraco deixado pelas torres gémeas - roupas de marca em barda, a um terço do preço. E é difícil resistir à febre consumista - comprei sapatos, calções, calças, camisas... E na loja da Apple perdi-me de amores por um portátil que vai substituir dentro de poucos o que se me avariou - é uma óptima opção de marketing deixarem as pessoas usar livremente a internet na loja!

JJ. Estudou História, depois veio para Londres fazer um Master em Urbanismo (na turma do Eduardo) e agora quer tirar Direito. Faz tudo parte do seu plano pessoal para um dia chegar a Mayor de New Jersey, e ele leva-o muito a sério! É uma personagem, com o sotaque e os gostos da um americano tradicional. E foi com todo o entusiasmo que cumpriu a promessa de nos levar a passear pela sua cidade, do outro lado do rio Hudson, e a comer um almoço com bifes XXL.

Andrew. Também foi colega do Eduardo na LSE, mas este encarna mais o espírito cool da vida nova-iorquina. Vive com a namorada num apartamento de Manhattan, daqueles com escadas de emergência metálicas, como nas séries de televisão, e trabalha para a autoridade cultural de NY. Levou-nos a passear pelos lugares da moda em Lower Manhattan e levou-nos também a um bar que fica numa praia improvisada na margem do rio, em Queens - esse foi o fim-de-tarde perfeito para um dia com muito calor.

The city that never sleeps. Esta é uma grande vantagem de NY em relação a Londres. Comer fora de horas? No problem! Ir ao supermercado a meio da noite? Há vários. Ver os emails às 2 da manhã? Temos a Apple Store. Como voltamos para casa? O metro, ainda que muito sujo, nunca pára.

The end. É bem mais fácil escrever isto a poucos dias de ir de férias de novo... mas depois destes 20 dias pelas Américas não me apetecia nada voltar para Londres. Sobretudo por aquele espírito teenager de 24/7: sempre programas novos, sempre bem acompanhado... Nunca me aconteceu fartar-me duma viagem e ter vontade de regressar! Mas a vida não é só férias, é preciso ter a rotina do trabalho pelo meio, não só para podermos amealhar o suficiente para as próximas férias mas também para darmos mais valor a estes tempos fora do tempo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Que bem se está no campo!

Certamente que para o leitor comum não parecerá muito relaxante fazer 1300 quilómetros em 2 dias, dormir no carro e não ter onde tomar banho, mas há gostos para tudo e posso-vos fazer a lista das coisas que deram sentido a tais sacrifícios:
- Poder conduzir um Peugeot 307, de mudanças automáticas, upgrade do carro mais modesto que originalmente tinha reservado, e apenas porque o empregado da Avis era português.
- Ouvir e cantar em altos berros alguns clássicos da música nacional (Amanhã de manhã, Há sempre música entre nós, Brilhozinho nos olhos, O teu baton...), em plena auto-estrada.
- Passear à noite por Chester, até agora a cidadezinha mais gira de Inglaterra, e beber uma pint num pub com centenas de anos.
- Atravessarmos Gales de nordeste a sudoeste, sempre rodeados de montanhas e ovelhas (não sabia que existiam tantas ovelhas no mundo inteiro!), passando por terras com nomes impronunciáveis e impossíveis de fixar.
- Estarmos a tomar um English breakfast numa vila e de repente passar um desfile de Carnaval tão "pobrezinho" e deprimente, que o Carnaval de Torres Vedras ao pé daquilo pareceria o Carnaval do Rio.
- No meio duma das vilórias encontrar um restaurante português e comer um bacalhau à Gomes de Sá. E no dia seguinte experimentar bife de canguru.
- Comprarmos queijo, patés e vinho, para acompanhar a conversa antes de dormir, num poiso propositadamente perdido no meio de estradas secundárias, onde depois de apagadas as luzes do carro não se via absolutamente nada. E acordarmos, claro está, rodeados de ovelhas!
- Bónus track: como só tinha de devolver o carro de manhã, ao chegar a Londres peguei na Nayan e fomos fazer um tour noturno, às 3 da manhã, numa cidade quase deserta - atravessar a Tower Bridge, ir ao cú de Judas mostrar-lhe o meu trabalho e por fim ir saudar o Big Ben.
Foi muito bom mudar de ares e sair de Londres! A reportagem fotográfica há-de aparecer por aqui mais para o fim desta semana...

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Eu vou!

Quem mais quer vir?
PS: Podem comprar bilhetes aqui.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Los Vasquez

Uma das coisas boas de ficar em casa de amigos nas viagens é poder conhecer as suas famílias. E sem dúvida que a família do Juan foi inexcedível na maneira como nos recebeu por 5 dias.
Os filhos foram dormir para o quarto dos pais para nos darem as suas camas. Os pais mantiveram-nos sempre muito bem alimentados, desde o pequeno-almoço abundante até aos pastéis que nos deixavam quando chegávamos da night, passando pelos almoços no restaurante deles. A mãe tratou-nos da roupa, embrulhou-nos os presentes e deu-nos a provar os pratos e as frutas típicas, enquanto nos fazia a crónica social do jet set colombiano - tinham estado, por exemplo, no casamento do Montoya (da Fórmula 1). O pai ia comentando os assuntos sociais e políticos do país, entre recordações dos tempos que viveram em Madrid, e na última noite fez-nos beber uma garrafa de aguardiente - nós que nem gostávamos... :) E a irmã - pena não termos estado mais com ela - , além de gira, era uma simpatia!
Não é em qualquer lado que somos recebidos desta maneira. Os Vasquez foram o espelho do caloroso acolhimento colombiano, como também o foram os Escobar e os Tobón.
Além dos amigos que já tínhamos, ganhámos uma família em Bogotá. Muchas gracias!

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Los Cerotes

Nos saudosos tempos de Passfield, o Roberto tinha popularizado uma forma de tratamento originária da sua Guatemala (ou da selva, como nós dizemos). Quando nos encontrava dizia: "hola cerote!"
Na Guatemala, cerote é a forma popular para tratar um amigo-rapaz, da mesma maneira que outros usam , maluco, miúdo, man, dude, guevon... E não se usa para raparigas.
Acontece que a palavra, traduzida à letra significa cagalhão. E uma vez que conhecemos aqui em Londres uma guatemalteca, e eu lhe falei da expressão cerote, ela comentou que era muito ordinário.Assim que este grupo de amigos nasceu em Paris, logo foi baptizado de "Los Cerotes", ou para ser mais preciso, "Los Cerotes y Niñas", porque a Cata e a Natalia também fazem parte. Até tivemos direito a um PowerPoint preparado pela Natalia em que fazia uma lista das características de tais criaturas (nós), com algumas fotos bem sugestivas.
Mas toda esta introdução para vos contar uma cena que se passou quando fomos visitar o Castelo de San Filipe, em Cartagena. À chegada, tínhamos de inscrever a "família" para a visita guiada, e foi o Roberto que tratou disso. Imaginem a nossa cara o guia faz a "chamada" e pergunta pela "Família Cerote"!!

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Momento Brise do dia

No meu piso está o Director e a Vice-Directora da association, que são os 2 cargos imediatamente abaixo do Chief Executive. Ele deve ter uns 60, ela 40 e tal. Ambos simpáticos, mas não muito faladores, cada um tem o seu gabinete e nós (a Policy Team) estamos numa sala no meio.
Há pouco, ela ia entrar no gabinete dele, mas ele foi peremptório no aviso: “Don’t come in here Krysia. I’ve just farted.” Que em português do Norte é qualquer coisa como: “não entres agora, acabei de me peidar.”
Haja sinceridade! Ele até foi amigo...

O padrinho

E assim foi o baptizado do Pedrinho (podem ver fotos mais giras aqui). Passou o tempo a dormir, e nem com a água na cabeça ele acordou. Com os seus 2 meses, tantos quantos os que lhe faltavam de barriga quanto nasceu, atingiu o peso normal de recém-nascido, e se continuar a comer daquela maneira ninguém o vai parar!
Ser padrinho já é uma honra, mas ver um amigo com um filho ao colo fez-me soar um tic-tac cá por dentro - quando chegará a minha vez? Ok, eu sei que antes disso há alguns passos importantes a dar, e se calhar é altura de me concentrar um pouco mais a esses campos.
Sob um tempo muito quente, os "tios" do rebento aproveitaram para confraternizar. O que nos vai faltando em experiências comuns (por exemplo, há anos que não passamos férias juntos), sobra-nos em olho atento e língua mordaz. A francesinha do Capa Negra foi um momento alto. Com a noite já bem avançada, fomos um dia até à Foz e outro até Gaia - e pela minha parte, o caipirão está aprovado!
Na hora do regresso, fez-me um bocado de confusão não entrar no carro rumo à Costa, mas sim ir apanhar o avião para Londres. Não que esteja com tantas saudades, não que já esteja completamente farto, mas também não tenho dúvidas a que lugar chamo casa.
Ah, e para que conste, gostei de me pesar e ver que estou nos 76kgs, menos 9 que há 2 meses!

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Em bom Porto

Daqui a umas horas vou voltar a pisar solo lusitano. Mais concretamente, o solo da mui nobre e leal Cidade Invicta. Pois é, vou passar o fim-de-semana ao Porto!
O motivo não podia ser melhor. Amanhã é o baptizado do Pedrinho, filho do meu grande amigo Pedro e da minha prima Isabel. E vou ser o padrinho, imaginem o babado que eu estou! Fico contente por confiarem em mim para o acompanhar com atenção especial ao longo da vida e espero estar à altura! E estou muito curioso por chegar a casa deles e ver o bebé pela primeira vez.
Lembro-me das 4 vezes que esperei no hospital para ver os meus sobrinhos acabados de nascer, e poucos momentos tiveram tanta emoção como esses. E o Pedro é como um irmão, por isso o Pedrinho é como um sobrinho (quando na realidade é meu primo, trineto do meu avô). E o início de vida complicado que teve, com uma gravidez difícil e um parto prematuro, leva-me a ter por ele uma dose extra de carinho.
Outro aliciante do fim-de-semana vai ser estar com os outros “tios”: a Mafalda, o Vasco, o Rui e o Ricardo. Por vezes, aqui em Londres, tenho-me sentido em águas mais agitadas, ainda que sinta esse abanão como algo que me vai fazer, ou já fez, crescer e que vou sair daqui mais forte. Mas com estes amigos de sempre, sinto-me sempre seguro, compreendido, amado, tranquilo, e também por isso o fim-de-semana vai-me saber a pêras!
Já para não falar do sol e das francesinhas... e vivó Porto!

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Sofs in London

A visita já estava prometida há muito, mas ainda não tinha aparecido a melhor ocasião. E quando apareceu, bastou um aviso de véspera: "vou aterrar em Stansted amanhã à hora x, ok?" É preciso ser muito amigo para ter este à-vontade!
A Ana Sofia chegou na altura certa para me subir o ânimo, e uma semana não foi suficiente, mas já foi bom para pôr a conversa em dia: histórias novas e memórias antigas, desabafos e conselhos, update das vidas dos nossos amigos comuns - e que melhor lugar para o fazer que o relvado de Primrose Hill num domingo à tarde, ou o sofá da sala quando toda a casa já dorme?Sexta aproveitámos para ir ver a nova colecção da Tate Modern, depois jantámos optimamente no meu italiano favorito, e acabámos a noite num pub. E a Ana, que não bebe álcool, foi a primeira pessoa que eu vi a pedir um chá num pub. O empregado, com ar surpreendido, respondeu:
- Sorry, but we ran out of milk.
- Ok, I just want the tea.
- But we don't have milk!
- ... OK, I can have the tea without any milk!
- Hum... ah... ok... No sábado fizemos um churrasco lá em casa. Tinha sido ideia minha, não só para aproveitar o facto de ser Verão e termos um quintal para usufruir, mas também para tentar dinamizar novas amizades. Éramos sobretudo portugueses, chilenos e colombianos, e resultou numa noite muito cosy. Um dos chilenos dizia-me, no fim, que a nossa casa era para ele um "oásis" em Londres, o lugar onde se sentia melhor. E já combinei começar a jogar à bola todas as semanas com os colombianos.
Na segunda fomos assistir à Comédia dos Enganos de Shakespeare no The Globe, um teatro junto ao construído à semelhança de um que ali havia no século XVII. Pagámos £5 por um lugar em pé, na arena, e como a foto o demonstra estávamos mesmo em cima do palco. Apesar de a história ser bastante fácil de entender, na primeira parte não conseguimos perceber quase nada do que ali se dizia, dado que era tudo falado numa linguagem difícil. Mas para não nos sentirmos tão mal, um amigo indiano - e eles têm o inglês como primeira língua! - estava com o mesmo problema. Felizmente, na segunda parte tudo melhorou e conseguimos perceber quase tudo!Para terminar em beleza, a Ana cozinhou-nos ontem uma pasta deliciosa, com pesto e sundried tomatoes. E partiu para outras viagens. Pode ser que volte em breve, assim espero!

terça-feira, 1 de agosto de 2006

El matrimonio

Receio que se comecem a cansar com as descrições da viagem, vou tentar ser mais conciso e rápido a escrever (mas o facto de o meu computador estar de novo pifado não ajuda).

Chegou finalmente o grande dia, o motivo que nos levou a viajar até lá: o casamento da Catalina.
Aqui estão os ilustres cavalheiros aperaltados para sair.

A cerimónia era à uma da tarde e a noiva não se atrasou muito. O vestido era simples, como se quer, e muito giro! E a missa foi exactamente igual ao que seria em Portugal.
Aliás, quase tudo foi semelhante aos nossos casamentos. O almoço foi num "jockey club", sob um toldo que dava para um amplo relvado. Um inglês que estava na nossa mesa estava impressionado com a elegância das senhoras, e realmente pode-se dizer que estavam todas muito bem arranjadas. E as primas, ai as primas... :)
O almoço teve uma salada de entrada, depois uns medalhões de carne com puré e espargos, e para sobremesa bolo de chocolate. Pena que lá não se use mesa de queijos e de doces... mas às vezes também me parece que os nossos casamentos são um bocado excessivos nas quantidades.Às cinco da tarde já estava tudo a dançar, ora ao som da banda, ora ao som do DJ. E a festa durou até à uma, o que não sendo muito tarde, ainda assim implica muitas horas de baile (de novo ballenatos, de novo reggaeton). Foi uma grande festa!
E os noivos partiram de lua-de-mel para Cuba. Nas nossas próximas férias em conjunto teremos mais uma presença, o "Pato", que foi mais do que aprovado pelo resto do grupo.