sábado, 27 de agosto de 2005

Nostalgia


Era no tempo em que as férias de Verão tinham 3 meses e ainda não se vislumbravam grandes viagens. No tempo em que com 5 ou 10 contos na carteira se passavam 5 dias na maior. No tempo em que a disponibilidade para nos juntarmos no final de Agosto na aldeia dos avós do Pedro era total. E aí íamos nós para a Vermelha, de autocarro!
E o "nós" era o grupo de Santo António, que caminhava todos os dias da escola para casa, desde os 12 anos. E já antes disso nos conhecíamos da escola da Trafaria, alguns até da primária. O grupo que desde essa idade e ainda hoje combina os presentes de anos em conjunto. Os amigos que me acompanham há mais tempo, de uma forma sempre próxima: o Pedro, a Mafalda, a Joana e o Vasco.
O Pedro era quem nos conduzia pelos recantos da aldeia. As tardes eram pacatas, a jogar matraquilhos, snooker ou Pictionary, ou então na piscina do Cadaval, ou ainda no tradicional jogo de "solteiros contra casados". Os avós dele recebiam-nos como príncipes, e o momento de ir para a mesa era sempre aguardado por todos com ansiedade. Imaginem umas travessas abundantes de bifes com batatas fritas e salada (haverá melhor petisco?), mas tudo com o tempero precisamente no ponto... juntem-lhe uma sobremesa caseira e uma ginjinha a rematar. À mesa juntavam-se ainda 2 famílias de primos, uns das nossas bandas e outros de Vila do Conde. E a Daniela, o Tiago e a Susana juntavam-se à festa.
À boa maneira portuguesa, saíamos pelas onze, e a noite ainda era uma criança. Parávamos primeiro no café do senhor Pedro, onde a imperial era a 100 paus (ou menos) e havia sempre amendoins ou tremoços. Aí fluía a conversa, as piadas e os piropos, e o Vasco ia chateando o juízo à empregada loira. Ao fundo, ouviam-se os primeiros
acordes do conjunto que ia animar a noite com todo o reportório de música pimba. E do café
seguíamos, já mais quentinhos, para o lugar
da festa, onde a primeira paragem se fazia na barraquinha das rifas (10 escudos cada!); à conta disso, deixávamos sempre o sótão lá de casa cheio de loiças inúteis. E passado pouco tempo, lá estávamos nós a dançar ao ritmo dos êxitos de Emanuel, do Carocha do Amor ou do Burrito.
Mais umas moelas, um licor Beirão e um jogo de matrecos, e a noite estava feita. Se ainda sobrava pica, mais uns dedos de conversa acompanhados de (pão acabado de sair do forno) com manteiga. E chegávamos à cama pouco antes de nascer o sol, para só nos levantarmos para o almoço.

Recordo estes tempos com nostalgia, mas com a alegria de ver que passado este tempo a amizade continua. E isso é o mais importante.
O Pedro, a Daniela e a Susana entretanto já estão casados. Todos já trabalham, menos eu - espero que daqui a poucas semanas eu deixe de ser excepção!
Mas estivesse eu em Portugal, e esta noite iria sem dúvida às festas da Vermelha!

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