sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Referendo


Venha de lá um novo referendo. Ainda que as pessoas já tenham votado há 8 anos e ainda que não me pareça ser uma prioridade na agenda do País, não receio a discussão e acho que de tudo se podem tirar resultados positivos.
O primeiro referendo serviu para acordar o lado do 'não': fez surgir vários centros de acolhimento e linhas telefónicas de apoio a grávidas. Se do debate dos próximos meses sairem mais iniciativas destas, ou se alguns casais decidirem deixar nascer um filho não desejado à partida, já serão bons frutos.
Não vale a pena extremar posições. Acreditem que é um tema que me toca bem fundo e mobiliza a minha militância, mas nem por isso menosprezo quem pensa de maneira diferente. Tenho amigos a votar 'sim' e 'não', e acredito que de um lado e doutro haja boas intenções. Conheço quem já tenha abortado e conheço quem tenha acolhido até ao fim um filho não esperado (quem pode garantir que não foi o seu caso?). Por isso não se trata de uma luta pessoal, bons e maus, preto e branco, vitória e derrota - apenas estamos a discutir a lei que queremos para Portugal. E nisso podem esperar de mim firmeza no que acredito: não quero que no meu País seja permitido o aborto a pedido (ie, sem restrições) até às 10 semanas.
Na data marcada, irei a Portugal pôr a cruz no "não". E entretanto vou deixando aqui algumas contribuições para o debate, sobretudo para fazer pensar os leitores mais indecisos.

6 comentários:

Anónimo disse...

Acho que é mesmo da discussão que nasce a luz!!!
Antes de votarem as pessoas devem estar conscientes das consequências da sua escolha.
Peço-te, Tiago, que utilizes (tal como já referiste) este blog para informar acerca das sequelas traumatizantes quem fazer um aborto, provoca tanto na Criança que não pode nascer como na Mãe. Sim, porque a maioria das mães ficam com perturbações psicológicas muito graves, eu pessoalmente não acredito que alguém faça um aborto por gosto, e acho mesmo que que o fez, ou pensa fazer passa de facto por um grande sofrimento. A maioria das pessoas não tem noção de qual a constituição de um feto com 10 semanas (quase 3 meses).
Vamos lutar pelo "Não" mas sem fanatismos nem julgamento.
Estou contigo! Quero ler (alias como sempre neste blog) belíssimos posts sobre o assunto.

Beijinho
FB

* n3x disse...

eu votaria sim, e não há nada nem ninguém que me faça pensar em mudar de ideias, por uma razão tão simples como achar que se deve dar liberdade de escolha à mãe/pais.

penso que também quando um filho não é de todo bem vindo (e não só porque o casal não está para aí virado, basta pensar no que me acontecia se ficasse grávida), se a decisão está lá, as acções são tomadas o mais rapidamente possível... acho deixar até às 10 semanas para o fazer, só em locais onde há sérias dificuldades/custos elevados, como por exemplo onde é ilegal o aborto.

acho também que os homens, mesmo que conheçam ou tenham passado por situações onde o aborto foi ponderado/vivido, não conseguem perceber ou realmente compreender o que é para uma mulher "continuar" com um filho quando não existem condições da parte dela para que isso aconteça. a solução muitas vezes mencionada de dar o filho para adopção é demasiado egoista: para a pessoa não se sentir culpada de abortar, dá para adopção, e o futuro da criança acaba por se poder virar um pesadelo. crianças infelizes e abandonadas há aos pontapés (salvo a expressão) neste mundo...

eu nunca engravidei, mas já houve um momento na minha vida onde MUITO nova pensei estar grávida somente durante alguns dias, e parecia que me tinha desabado o céu em cima da cabeça. quem vota não, não imagina crianças de 14/15 anos que podiam estar informadas sobre contracepção, ou não, podiam ter sido violadas, sem condições nem elas nem as famílias para bebés, por muito que custe, o bebé torna-se um problema.

acho que muitas pessoas que votam sim não seriam capazes em circustância alguma de fazer um aborto - eu por exemplo, não vejo razão que me conduzisse a tal. agora. mas acho que cada um deve ter o direito de decidir o que é melhor para si, e tomar a decisão com consciência e com todo o apoio possível.

não gosto nada de discutir este assunto pois sinto que muita gente comenta apenas com ideias mais ou menos racionais, sem se pôr no lugar de alguém que decide fazer um aborto sem ser "porque sim".

Anónimo disse...

Cara *n3x,
Duas notas: a lei já preve a possibilidade de aborto para casos de violação; quando um casal inicia a sua vida sexual, deve estar consciente as consequencias que podem dair advir (não só gravidez, como tambem graves doenças) e como muito bem disse com 14/15 anos são umas crianças!!!

* n3x disse...

... e por serem crianças, podem não ter total consciência do que estão a fazer, eu conheço uma rapariga que aos 12 anos fez sexo sem saber o que estava a fazer, pensava que estava a brincar. (não engravidou)

Nônô disse...

eu também votaria "não", se tivesse idade para votar porque a vida é um dom do qual ninguém pode ser privado.... mas gostei imenso de ler este texto porque uma das coisas a que dou importãncia é á individualidade e à liberdade de pensamento de cada um. Talvez por dar tanta importãncia à identidade do ser humano seja contra o aborto. mas, apesar de tudo isso.. achei uma reflexão interessante e diferente do comum acerca desta questão; embora eu ainda não consiga ver as coisas bem dessa maneira porque desiludo-me ao saber que as pessoas pensam votar no 'sim'.. mas sei que a opinião de uma pessoa vale tanto como outra... enfim, uma questão controversa e que dá que pensar. Mas a minha decisão, essa é definitiva e teambém ninguém me faz mudar de ideias. É nestas alturas (e só nestas) que gostava de ter 18 anos! Resta-me esperar...

Anónimo disse...

Perdoem-me a expressão, mas "quem são vocês, afinal de contas" para ousarem decidir sobre uma liberdade unicamente individual? O não que vocês tanto apregoam é mais penalizador para o ser humano do que o sim, que, esse sim, dá DIREITO DE ESCOLHA à mulher, SER HUMANO PENSANTE QUE É!